Por Wallison Rodrigues Em Música

'Bem-aventurados os pobres': A vida em Tempo de Quaresma

quaresma

Uma única voz entre nós ressoa: “Convertei-vos e crede no Evangelho!”. São palavras que clamam fidelidade, fazendo memória da nossa consagração àquele que prometeu ser o único Deus (cf. Dt 26,17-19) que cuidaria do seu povo e traria a libertação. Eis que, essas palavras de Moisés ao povo de Israel, hoje, é Vida na vida da gente: Jesus Cristo – o Evangelho – está entre nós! Crer neste Evangelho pressupõe conversão, ou seja, é preciso se esvaziar-se daquilo que é supérfluo à fé, a fim de contemplar o Mistério do Crucificado-Ressuscitado.

Esvaziar-se é em certo sentido se fazer ‘pobre’, Mas, nem sempre ‘pobre’ foi sinônimo de estima. É só lançarmos os olhares fora dos muros de nossas casas para perceberemos o quão medonho é falar de pobre. Em contraposição, muitos pregam que somente são agraciados por Deus aqueles que estão cumulados de riqueza – como sinal da benção divina. Ao certo, atualmente, ricos e pobres, estão se perdendo em um espírito materialista, estando longe de perceber o que são as verdadeiras bênçãos de Deus.

 

Momento de redescobrir aquela pobreza que oferece a disposição interior dos discípulos de Jesus. 

O tempo de quaresma é momento de aproximarmos de Deus, esperando e confiando n’Aquele que é o único Bem da humanidade. Por isso, a Igreja, convida a este tempo de despojamento, de deixar tudo o que diminui o homem, escraviza-o, preenche-o superfluamente, entre outros... Momento de redescobrir aquela pobreza que oferece a disposição interior dos discípulos de Jesus. Isto é, uma pobreza humilde e alegre, repleta de confiança, que deixa o coração livre para amar e servir a Deus.

Às vezes, em muitos dos nossos templos religiosos – em meios às casulas roxas cheias de pedras, brilho e bordados; as túnicas com nobres rendas; as via-sacras em ultra dimensão; os instrumentais e aparelhagens de sons estrondosos; os crucifixos modernos em mais alto estilo; os teatros e concertos esplendorosos – os “pobres em espírito” são ofuscados ou escondidos, gerando obstáculo ao encontro com Deus, ao Evangelho e ao Reino.

Ano após ano, quaresma entre quaresmas, campanhas e campanhas (...), pouca coisa muda. Afinal, o homem continua o mesmo. Aquele mesmo homem que com sede de poder, de status, de bens morais e espirituais é o mesmo que se coloca diante do Altar semanalmente para celebrar a ‘Memória do Senhor’. De segunda a sábado no trabalho, em casa (...), vive esse dinamismo interno ricamente possuidor de si mesmo. É como que se a vida estivesse presente na liturgia e a liturgia não estivesse presente na vida.

Haja vista, Jesus veio anunciar a Boa Nova aos pobres (cf. Lc 4,18). O Evangelho grita “bem-aventurados são os pobres em espírito” (cf. Mt 5,3). Jesus se fez pobre para enriquecer a humanidade com sua pobreza (Cf. 2Cor 8,9). Por isso, vale lembrar que encontrar a face do Deus misericordioso não se dá simplesmente passando inúmeras vezes embaixo da ‘Porta Santa’ – Pressupõe conversão! Para encontrá-lo é preciso despojar o coração e a mente: isso é ser “pobre em espírito”.

Por isso, o caminho da Cruz não é exagero, nem é demasiado, mas é necessário para a ressurreição. Longe da cruz não se vive a ressurreição e fora da cruz não se entende a pobreza. Ter uma alma pobre, um coração humilde e convicto de Deus, é aceitar a conversão e viver/crer no Evangelho. Somente na pobreza poderemos viver bem a esmola, o jejum e a oração, que são caminhos para a Salvação. “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus” (cf. Mt 5,3).

Para meditar: Como está o meu coração neste tempo quaresmal? O que significa pobre em espírito? De que modo concreto posso me despojar para estar livre para servir a Deus? Como discípulo do Mestre, o que levo para o caminho da Cruz?

Abração musical de
Wallison Rodrigues

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