Por Ir. Miria T. Kolling* Em Música

Os ministros do Canto e da Música

O canto, como parte integrante e necessária da liturgia, não é privilégio de um cantor, de um pequeno grupo de cantores ou do coral, mas deve estar a serviço do louvor de todo um povo, favorecendo a participação de toda a assembleia celebrante. A Eucaristia é a festa da comunidade fraterna - somos todos irmãos em Cristo - e organizada - somos o corpo de Cristo, a Igreja, onde cada um tem a sua função e deve colocar seu dom a serviço da comunidade. No caso do canto e da música, é preciso que haja gente preparada, litúrgica e musicalmente, para orientar, escolher e dirigir o canto da comunidade em festa, reunida em nome do Senhor. Os documentos da Igreja e livros de Liturgia abordam o importante tema.

Os ministros do Canto e da Música

1) A assembleia - é o ministro principal da música e do canto litúrgico e sobre sua participação diz a Instrução "Musicam Sacram" (MS 16): "Nada mais festivo e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembleia que, em seu conjunto, exprime sua fé e sua piedade por meio do canto". A celebração assume sua verdadeira imagem, a comunidade mostra o seu  verdadeiro rosto, quando todos cantam juntos, como sinal da comunidade universal e definitiva que canta  glória, honra e louvor  ao Cordeiro. Mais que obrigação, é graça essa participação de todos, a uma só voz e num só coração. A liturgia não é show nem espetáculo, onde  alguns se apresentam e os demais são meros espectadores... Portanto, levem-se  em conta as pessoas concretas que participam.

2) O dirigente ou animador de canto - Diz o documento que "É conveniente que haja um cantor ou um diretor do coro que se encarregue de dirigir e manter o canto do povo. Mais ainda, quando não há coro, caberá a um cantor dirigir os diversos cantos, participando o povo daquilo que lhe cabe." (OGMR 64). Sua função é, pois, dirigir o canto do povo e conseguir que todos se sintam motivados a participar. Deve ter capacidade de comunicação, fazer vibrar toda a assembleia, ser afinado e ter um bom volume de voz, além da expressão corporal (gestos, postura...) diante da comunidade, saber usar o microfone,  ficar num lugar visível mas discreto, não chamando a atenção sobre si mesmo, pois se trata de animar a celebração litúrgica e não  uma festa qualquer. Não basta boa vontade, mas é preciso dom e preparo para este importante ministério.

3) O grupo de cantores - É bom que haja um grupo de cantores, para sustentar o canto do povo e alternar com ele, sem jamais excluir a assembleia, sobretudo nos cantos a ela destinados: o canto de entrada, o Glória, o refrão do Salmo, as respostas e aclamações, o Santo, o Pai Nosso, o Cordeiro de Deus e outros. Os cantos devem ser escolhidos em função da liturgia e não a bel-prazer, porque o grupo gosta, porque são bonitos, mas sem ter nada a ver com o mistério celebrado. Cabe ao dirigente do canto, com seu grupo de cantores, em união com a equipe de liturgia, escolher os cantos que melhor expressem cada momento da Celebração e  sejam compreendidos pelo povo.

4) Os instrumentistas -  Os instrumentos, como prolongamento da voz humana, não são sacros nem profanos. Seu uso vai depender do contexto em que se inserem, da cultura do povo, do modo como são usados. Em princípio, todos os instrumentos são bem-vindos na liturgia, mas devem estar a serviço da voz, do texto, da palavra, dando-lhe suporte, sem encobrir ou abafá-la. É a voz humana que canta, suplica, chora,  se alegra e louva a Deus, por isso a música vocal é mais importante na liturgia que a instrumental. Mas um bom instrumentista ajuda a sustentar o canto, criando clima de oração e meditação, acompanhando o canto, sem jamais se sobrepor às vozes.

5) O (a) salmista é o cantor do salmo  responsorial, após a primeira  leitura, salmo que faz parte integrante da Liturgia da Palavra e, portanto, não deve ser substituído por um outro canto qualquer. O salmista propõe o refrão do salmo ao povo; este o repete após cada estrofe, que ele canta sozinho e a assembleia escuta. É um proclamar cantado da leitura, por isso o salmista deve ter uma boa voz, além da atitude orante, para que seja, de fato, resposta  à proposta de Deus. Seja proclamado do ambão ou mesa da Palavra.

Unidade da assembleia na diversidade dos serviços e ministérios!

*Ir. Miria Kolling é Religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria, compositora da música litúrgica e religiosa, musicista, pedagoga, gravou mais de 30 trabalhos em LPs e CDs, como também livros sobre canto e liturgia.

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