Nesta terça-feira (21), o episcopado brasileiro deu continuidade a mais um dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A pauta levada a debate e a reflexão para os bispos no dia de hoje são as políticas de proteção e cuidado de menores e vulneráveis nos espaços eclesiais.
Estiveram presentes na quinta coletiva de imprensa da Assembleia Geral, Cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, presidente da CNBB e do CELAM, Dom Wellington de Queiroz Vieira, bispo de Cristalândia- TO e presidente da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, e também a Irmã Maria do Desterro, presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), responsável por coordenar o núcleo Lux Mundi.
Dom Jaime iniciou sua fala destacando que esta é uma questão que exige um trabalho de transparência e humildade, reconhecendo também que este não é um problema novo, mas é um problema urgente.
“É verdade que, mais ou menos há 25 anos, esse tema tem surgido de uma forma bastante forte em vários ambientes. Também é verdade que se faz um trabalho, ou se está desenvolvendo um trabalho em vista não só da proteção comunal, mas também da consciência social e eclesial em torno dessa questão, precisamos trabalhar a questão da prevenção.”
Dom Wellington deu continuidade à fala do presidente da CNBB, afirmando que a Igreja tem olhado atentamente para esse tema e buscado contribuir para o combate aos abusos.
“Os abusos sexuais são sempre uma tragédia, seja em ambiente eclesial ou fora. A pessoa abusada sexualmente carrega marcas por toda a vida. [...] E a Igreja Católica tem olhado esse tema com uma extrema preocupação. Às vezes as pessoas pensam que nós estamos preocupados somente com o nosso ambiente eclesial, sim, nós estamos preocupados com o nosso ambiente eclesial. Ali nós podemos legislar, nós podemos definir políticas de proteção, nós podemos definir protocolos de ações. Mas a Igreja reconhece que o problema é muito mais amplo, então é um trabalho, é um desafio que a CNBB, as nossas dioceses, nossas igrejas particulares, têm e deverão ter sempre este horizonte: a proteção dos menores, a proteção dos vulneráveis.”
Na coletiva, Irmã Maria do Desterro falou sobre a assinatura do Protocolo de Intenções entre a Pontifícia Comissão de Tutela de Menores, a CNBB e a Conferência dos Religiosos do Brasil; e destacou o chamado do saudoso Papa Francisco para a missão da Igreja no combate aos abusos de menores e vulneráveis.
“Providencialmente, hoje, quando celebramos o primeiro ano da Páscoa do Papa Francisco, ele quem nos convidou a abraçar essa causa. Nós hoje assinamos esse protocolo de intenções entre as nossas conferências e para lembrar que, de fato, esse tema é sempre uma ferida na nossa vida, na vida das nossas famílias e que também é algo que importa para toda a vida consagrada. Nós, como vida religiosa consagrada, há cinco anos estamos empenhados, através do Núcleo Lux Mundi, nessa procura e nessa busca para ajudar nossas comunidades, o Brasil todo, todas as congregações a enfrentar esse dilema que também nos atinge.”
Esta missão despertada por Papa Francisco é, sobretudo, de cuidado e promoção da vida.
“O Papa Francisco, como sabemos, é uma das pessoas que a gente imagina que só aparece a cada cem anos, pelo legado que ele nos deixou, pela inspiração e pelo protagonismo testemunhal dele, em todos os sentidos. O Papa Francisco nos deixou esse legado da promoção da vida, e quando ele dizia ‘todos, todos, todos’, ninguém pode ficar de fora, e nesse sentido, o testemunho dele tem nos acompanhado, sobretudo no sentido da promoção da vida.”
A Irmã ainda destaca que o Papa Leão XIV, quando diz que precisamos de uma “paz desarmante e desarmada”, ele dá continuidade a esse legado de Francisco. Ela explica que a violência não vem somente com ações e agressões, mas também com palavras e a missão da Igreja está em cuidar de todos.
Sobre o acordo assinado, o cardeal Dom Jaime Spengler explicou que ele reforça o compromisso e também amplia os horizontes das ações já realizadas pela Igreja no Brasil.
“A Igreja já vem desenvolvendo esse trabalho já há alguns anos entre nós e de uma forma muito incisiva. Eu creio que a maioria absoluta de nossas Dioceses no Brasil já estabeleceram suas comissões, estão desenvolvendo o trabalho não só no acolhimento de denúncias, mas também no aspecto da formação, da prevenção e o mesmo vale para a vida consagrada. O que nós hoje assinamos, eu diria que não estamos partindo do nada, existe um trabalho muito vigoroso sendo realizado em diferentes realidades eclesiais do nosso Brasil.”
A Igreja reafirma a missão de cuidado e proteção de menores e vulneráveis, mas é preciso reforçar que a missão e o fortalecimento das políticas de proteção é de todos.
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