Mundo

Conheça o patrono das artes e dos artistas

Colaborador direto do Imperador Augusto de Roma entra para a história como patrono das artes e dos artistas. Leia abaixo!

Linkedin

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

12 JUN 2026 - 13H54 (Atualizada em 12 JUN 2026 - 15H11)

AlexanderRuszczynski/Adobe Stock

Em 1874, um antigo ninfeu dos tempos do Imperador Augusto foi encontrado na Via Merulana, hoje conhecido como Auditório de Mecenas, bem perto da atual Casa Geral dos Missionários Redentoristas localizada no número 31 da mesma via.

O ninfeu (ou ninfeo) é um monumento ou fonte construída em forma de monumento do tempo da antiguidade greco-romana que nas origens era dedicado às ninfas, consideradas divindades femininas associadas às águas e à natureza.

steheap/Adobe Stcok steheap/Adobe Stcok Ninfeu ou fonte pública no Cardo Maximus, a rua principal de Jerash, uma cidade greco-romana bem preservada na Jordânia.

Os ninfeus começaram como uma homenagem feita ao redor de grutas naturais, fontes ou nascentes e depois, na época helenística e romana evoluiu, assumindo formato de construções luxuosas e artificiais em áreas públicas ou em vilas privadas, como esse que foi encontrado.

Um ninfeu geralmente possuía formato circular, elíptico ou retangular, sendo coberto por abóbadas e dotado de nichos nas paredes. Eram ricamente ornamentados com estátuas, colunas, mosaicos, pinturas e conchas para evocar o ambiente próprio de uma caverna natural para servirem como santuários, fontes de abastecimento público e locais de relaxamento, descanso e socialização, o chamado "otium latino", do qual deriva a palavra ócio.

O terreno onde o ninfeu foi descoberto e cujas ruinas hoje são preservadas no largo que leva o nome de mecenato, podem ter pertencido à propriedade adquirida pelos Missionários Redentoristas em 1855, pois a Villa era dotada de um terreno bem maior que chegava à atual rua.

Mas de quem havia pertencido o ninfeu, era a pergunta que devia ser respondida. E logo descobriu-se que pertencera a Mecenas, grande amigo do Imperador Otavio Augusto e seu conselheiro de confiança.

Apoio às artes e aos artistas

O famoso amigo e conselheiro de Otavio Augusto chamava-se Caio Cilnio Mecenas (70 a.C. - 8 a.C.), um político poderoso e principal "ministro da cultura" do imperador.

Colaborador próximo e influente do imperador, era o encarregado de gerenciar a propaganda política, garantindo o consenso público após o fim das guerras civis. Para isso, reuniu ao seu redor e financiou os maiores artistas e poetas da época, como Virgílio e Horácio, dando-lhes a tarefa de celebrar a grandeza de Roma e os novos valores promovidos pelo Imperador Augusto.

Ldgfr Photos/Adobe Stock Ldgfr Photos/Adobe Stock Arco de Augusto, um monumento romano construído em 8 a.C. e dedicado pelo rei Marco Júlio Cócio ao imperador Augusto.

Mecenas mandou construir uma luxuosa villa no Monte Esquilino, cercada pelos famosos jardins. Alguns de seus vestígios ainda estão preservados, dando uma ideia do esplendor que deve ter caracterizado toda a propriedade, destinada a se tornar a residência favorita de muitos imperadores, incluindo Tibério. De sua villa original resta hoje apenas uma evidência arqueológica conhecida como Auditório de Mecenas.

Ao assumir o império, Augusto estabeleceu uma política cultural fazendo Mecenas atuar como intermediário entre o imperador e os maiores homens de letras de sua época. Ele não apenas reconhecia o valor de pintores, artistas e literatos de então, mas os direcionava para formas de poesia ideologicamente comprometidas que exaltavam os ideais morais, civis e patrióticos defendidos por Augusto.

Agustin/Adobe Stock  Agustin/Adobe Stock Moedas de prata romanas antigas, denários do Imperador Augusto, provenientes de Roma.

Seu apoio à arte e à cultura foi tão significativo que seu nome passou a significar "protetor generoso de poetas e artistas" num conceito que ainda hoje é utilizado para se referir aos protetores das artes e dos artistas.

Nos últimos tempos, seu vínculo com o imperador se afrouxou, provavelmente devido à relação íntima entre Augusto e Terência, esposa de Mecenas ou talvez após o assassinato de seu cunhado, Murena, acusado de conspirar contra o imperador. Mecenas então se retirou para seu palácio no Esquilino, mas como não tinha filhos, ao morrer em 8 a.C., deixou sua grande herança a Augusto, de quem há muito tempo era o conselheiro mais confiável.

Vida boa e refinada

As nomeações e tratativas políticas, no entanto, não impediram Mecenas de dedicar parte considerável de seu tempo aos passatempos que mais amava. Com isso, se tornou bem conhecido de seus contemporâneos pelos seus gostos e por seu estilo de vida refinado, que evocava a grandeza e o refinamento dos costumes da antiga aristocracia da Etrúria. Claro que, seu gosto pelos prazeres mais refinados, atraía sobre ele inúmeras críticas daqueles que os consideravam um sinal de fraqueza, classificando-o como afeminado. Mecenas era tão dedicado ao luxo que o historiador latino Caio Veleius Paterculus o descreveu como "insone em vigilância e emergências, visionário em ação, mas em momentos de retirada dos negócios mais luxuoso e efeminado do que uma mulher".

Amante da música e do teatro, assim como da poesia, Mecenas se cercou dos maiores escritores e intelectuais da época, de diferentes origens sociais e geográficas, mas unidos pelo compromisso literário e apoio garantidos à obra de Augusto. Eles receberam a tarefa de promover a ideologia do principado augustano, por meio da exaltação das façanhas de Roma e de seus fundadores. A isso acrescentou-se o louvor dos costumes sóbrios das origens e da vida rural, simples e virtuosa, em oposição à vida urbana corrupta.

efired/Adobe Stock  efired/Adobe Stock Ruínas pitorescas do ninfeu (nymphaion) em Perge (Perga)

Graças à ajuda financeira de Mecenas, os literatos conseguiram produzir muitas obras sem se preocupar com preocupações econômicas comuns: em troca de sustento e apoio, pediam-lhes que dessem vida a obras literárias que exaltassem a figura de Augusto, tornando-o um ponto de referência único para seus contemporâneos. Foi Virgílio, por exemplo, quem forneceu a genealogia divina a Augusto graças à Eneida, tornando a família Julia herdeira do grande Eneias, que fugiu de Troia e desembarcou no Lácio.

.:: Conheça o endereço dos Missionários Redentoristas em Roma

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R. , em Mundo

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail