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CNBB cobra dos eleitos compromisso com o bem comum

Em documento publicado após as eleições, os Bispos destacam a responsabilidade dos representantes públicos com toda a população e cobram ações contra a pobreza, a desigualdade e a desinformação

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Escrito por Redação A12

27 OUT 2026 - 13H39 (Atualizada em 27 OUT 2026 - 14H46)

Foto Luiz Lopes – Ascom - CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, na última segunda-feira (26), uma mensagem aos que venceram as eleições de 2026. O documento cumprimenta os representantes escolhidos pelo povo brasileiro, mas também reforça a responsabilidade de cada um com o bem comum, a dignidade humana e os desafios sociais do país.

Dirigida aos eleitos para a Presidência da República, os governos estaduais e do Distrito Federal, o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas, a mensagem ressalta que a vitória nas urnas não deve ser entendida apenas como uma conquista política.

Para a CNBB, assumir um mandato significa receber a missão de representar toda a população, inclusive aqueles que votaram em outros candidatos. A entidade destaca que o exercício da autoridade pública deve ser orientado pelo serviço à sociedade, com integridade, transparência, diálogo, respeito às instituições e compromisso democrático.

Quais são os compromissos destacados pela CNBB?

Imagem reprodução CNBB Imagem reprodução CNBB

A mensagem chama a atenção para problemas que exigem respostas concretas dos representantes eleitos. Entre as prioridades apontadas estão a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades sociais, a promoção do trabalho digno e a ampliação do acesso à saúde, à educação e à moradia.

O documento também destaca a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural.

Segundo a CNBB, esses desafios exigem políticas públicas consistentes, diálogo entre os poderes e responsabilidade na utilização dos recursos destinados à população. A mensagem, portanto, não se limita a cumprimentar os eleitos, mas apresenta expectativas sobre a maneira como os mandatos devem ser conduzidos e as necessidades que precisam receber atenção do poder público.

Outro ponto é a necessidade de fortalecer a convivência democrática em uma sociedade marcada por diferenças e tensões políticas. Os bispos pedem que os representantes rejeitem a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação.

A pluralidade de ideias ressalta a mensagem: não deve impedir a construção de consensos em torno daquilo que é essencial para a vida e a dignidade dos brasileiros.

A atuação da Igreja e o compromisso com a sociedade

Ao apresentar sua mensagem, a CNBB reafirma que a contribuição da Igreja para a vida pública não significa adesão partidária. O compromisso, segundo o documento, nasce do Evangelho de Jesus Cristo, especialmente da atenção aos pobres, aos pequenos e aos que sofrem.

A entidade também manifesta disposição para continuar colaborando com o diálogo e a construção de caminhos que promovam a justiça, a paz, a fraternidade e a solidariedade.

A mensagem é concluída com um pedido para que os eleitos tenham sabedoria, coragem e discernimento para colocar o interesse público acima das conveniências particulares. Os Bispos confiam ainda o destino do país à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Mensagem aos que venceram as Eleições de 2026

MENSAGEM AOS ELEITOS E ELEITAS NAS ELEIÇÕES DE 2026

“A justiça produz a paz” (cf. Is 32,17).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, concluído o processo eleitoral de 2026, dirige sua saudação aos cidadãos e cidadãs escolhidos pelo povo brasileiro para o exercício de responsabilidades públicas na Presidência da República, nos governos estaduais e do Distrito Federal, no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Ao cumprimentar os eleitos e eleitas, a CNBB reconhece a importância da participação popular e das instituições democráticas para a vida da nação. O voto expressa a confiança depositada pelos cidadãos naqueles que recebem a missão de representá-los e de servir ao interesse público.

A eleição, contudo, não constitui apenas uma conquista política. Representa, sobretudo, a assunção de uma responsabilidade diante de todo o povo brasileiro, inclusive daqueles que fizeram escolhas diferentes nas urnas.

O exercício da autoridade pública encontra sua razão de ser no serviço ao bem comum. Por isso, esperamos que os mandatos sejam conduzidos com espírito democrático, integridade, transparência, diálogo, respeito às instituições e compromisso com a dignidade de cada pessoa humana.

Recordamos que a política, quando orientada pela justiça e pela caridade, constitui uma elevada expressão de serviço à sociedade. Seu horizonte não pode restringir-se aos interesses de grupos, partidos ou setores particulares, mas deve alcançar especialmente aqueles que mais necessitam da presença e da proteção do Estado.

O Brasil continua diante de desafios que exigem responsabilidade compartilhada: a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural.

Essas responsabilidades exigem políticas públicas consistentes, diálogo entre os poderes e compromisso com a correta utilização dos recursos destinados à população.

Em uma sociedade marcada por profundas diferenças e por tensões que se intensificaram durante o período eleitoral, desejamos que os representantes escolhidos pelo povo contribuam para fortalecer a convivência democrática, rejeitando a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação.

A pluralidade de ideias, própria da democracia, não deve impedir a busca de convergências em torno daquilo que é essencial para a vida e a dignidade do povo brasileiro.

A CNBB reafirma sua disposição de continuar contribuindo para o diálogo e a construção de caminhos que promovam a justiça, a paz, a fraternidade e a solidariedade.

Nossa contribuição nasce do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, especialmente com os pobres, os pequenos e os que sofrem. Não se confunde com adesão partidária, mas expressa a responsabilidade da Igreja de colaborar para uma sociedade na qual ninguém seja privado das condições necessárias a uma vida digna.

Que os eleitos e eleitas encontrem sabedoria, coragem e discernimento para colocar o interesse público acima das conveniências particulares e para exercer seus mandatos com espírito de serviço.

Confiamos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, os destinos de nossa nação e todos aqueles que receberam do povo a responsabilidade de governar e legislar.

Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS

Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia - GO 1º

Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife - PE 2º

Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF

Secretário-Geral da CNBB

Leia também: CNBB é contra a redução da maioridade penal no Brasil

Fonte: CNBB

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