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Como a Igreja enfrentou as pandemias durante a história?

Durante crises sanitárias parecidas com a que vivemos hoje em dia, a Igreja Católica sempre se preocupou em prestar a assistência material, social e espiritual para os mais necessitados

Escrito por Alberto Andrade

25 MAI 2022 - 16H44 (Atualizada em 26 MAI 2022 - 08H23)

Nicolas Andrés

Mesmo com o término do estado de Emergência em Saúde Pública, no último dia 22 de maio, com mais de 74% da população vacinada com duas doses ou com a dose única, ainda o país sofre com a pandemia do coronavírus. Entre segunda-feira (23) e terça-feira (24), foram registrados 32.820 casos confirmados e 239 óbitos pela covid-19, de acordo com números do Ministério da Saúde.

Na tradicional mensagem ao povo brasileiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) comunicou que sempre foi favorável aos cuidados sociais, sanitários e à vacinação em massa: 

“A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes, diz parte do texto.

Leia MaisQual a sua postura como cristão nestes tempos difíceis de pandemia?A ação da Igreja em tempos de pandemia

Padre José Inácio Medeiros, C. Ss. R., nos orienta sobre qual a missão da Igreja a respeito do enfrentamento as crises sanitárias que já sofremos.

“A preocupação é com a salvação integral da pessoa do ser humano, seja a salvação espiritual, que é manifestada através daqueles muitos momentos que a Igreja realiza, relacionados com a oração.

Por exemplo, ainda está na nossa mente, no nosso coração, aquela oração solitária do Papa Francisco numa tarde chuvosa em Roma, na praça São Pedro, rezando e clamando a Deus pela salvação da humanidade”, disse.

Mas como a Igreja Católica reagiu e lidou com outras pandemias ao longo de sua história? Listamos os fatos e os impactos das dificuldades enfrentadas pelos cristãos católicos em algumas situações anteriores ao coronavírus.

Shutterstock
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Peste Bubônica

Também conhecida como Peste Negra, doença de contágio pela secreção de outro indivíduo ou contágio por via respiratória, causada pela bactéria chamada de Yersinia pestis, e é encontrada em pulgas que ficam em ratos contaminados.

A grande pandemia durou de 1347 a 1351, e novos surtos surgiram ao longo dos anos. A peste devastou a Europa, deixando um saldo entre 75 e 200 milhões de mortos na Ásia e Europa, cerca de 60% da população mundial.

Durante o auge da pandemia da peste bubônica (1348), apesar da rejeição coletiva aos judeus, que estavam sendo acusados pelos católicos da época de serem os transmissores diretos da doença, o Papa Clemente VI, condenando tais acusações injustas, escreveu a bula Quamvis perfidiam Iudaeorum, na qual também exortava:

“Admoestai vossos súditos – povo e clero – para que não persigam, firam ou matem judeus”.

E espiritualmente, atribui-se à peste bubônica do século XIV a composição e popularização da segunda parte da oração da Ave-Maria. A expressão “agora e na hora de nossa morte” foi incluída na oração durante o século XIV, quando a epidemia da peste provocava a morte de grande quantidade de pessoas na Europa e na Ásia.

Anos depois, o Papa Urbano VIII criou a Congregação Sanitária na Cúria Romana em 1630, com intuito de prevenir e limitar o contágio de possíveis doenças, que teve papel de destaque na epidemia da peste de 1659, onde mais de um milhão de italianos tinham morrido pela doença.

Wikipedia
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Gripe Espanhola

A peste pneumônica causou uma violenta pandemia que atingiu o mundo de 1918 até 1920, afetando, direta ou indiretamente cerca de 50% da população mundial, tendo matado de 20 a 40 milhões de pessoas, qualificada como o mais grave conflito epidêmico de todos os tempos.

O presidente brasileiro Rodrigues Alves morreu em 1919, após ter sido infectado.

O Papa Bento XV reestruturou a atual Academia Pontifícia das Ciências para contribuir com o enfrentamento da crise. Nos Estados Unidos, duas mil freiras da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, mesmo sem muita experiência, se disponibilizaram para cuidar de imigrantes provenientes da Itália, Ucrânia, Polônia e China.

Dopo.de
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Cólera

A contaminação do vibrião colérico por ingestão de água ou alimentos causou mais de 200 mil mortes na Europa desde o século XIX. 

O papa da época, Gregório XVI, já havia estabelecido uma comissão de saúde sob a secretaria de Monsenhor Camillo Amici, e fez muito para apoiar as vítimas da cólera.

Gregório também encorajou atos de piedade, séries de sermões exortando o povo ao arrependimento e a procissão da famosa imagem da Virgem com o Menino mantida na Basílica de Santa Maria Maggiore, então conhecida como Regina Coeli, mas mais conhecida posteriormente como Salus Populi Romani, a mesma a quem o Papa Francisco orou logo no início da pandemia, em março de 2020.

A doença diminuiu gradualmente e um culto de ação de graças foi devidamente realizado em Santa Maria Maggiore, em 15 de outubro de 1837.

leungchopan/Shutterstock
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Gripe Suína

Em 2009, a combinação dos vírus da influenza A(H1N1) suína, aviária e humana, teve origem no México e se estendeu para mais de 70 países.

O surto da gripe foi a primeira emergência de saúde pública do século XXI declarada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No Brasil, Dioceses de São Paulo, Paraná e outros estados realizaram restrições nas celebrações, como evitar dar as mãos no Pai Nosso, o abraço da Paz e a distribuição da Eucaristia apenas nas mãos, além de permitirem ao máximo a ventilação nos templos, algo semelhante ao que está sendo feito hoje em dia na pandemia do covid-19.

Padre Inácio também nos orientou sobre a preocupação da Igreja com o bem-estar das pessoas:

“Isto se percebeu em ações do passado,  e agora recentemente na pandemia da covid-19, sempre com aquele lembrete de que a Igreja acredita no ser humano, a Igreja acredita na força da ciência, a Igreja acredita na capacidade do ser humano quando essa capacidade é aplicada e é usada para o bem, não apenas individual, mas o bem de toda a coletividade. Por isso que, ao longo da história, a Igreja sempre teve um papel de destaque no enfrentamento das muitas crises sanitárias que a humanidade já enfrentou, completou o missionário redentorista.

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