As decisões tomadas pelos bispos na Assembleia Geral da CNBB não nascem apenas de reuniões ou votações. Antes de tudo, acontece algo muito importante e essencial: elas passam pela oração. Para eles, decidir algo decisivo não é somente escolher o que parece melhor, mas escutar a voz de Deus e priorizar os momentos de silêncio, de escuta para aquele momento.
Durante a CNBB, os bispos vivem dias intensos. Há também muitos momentos de oração, aprofundamento, missas e silêncio. Tudo isso contribui para o direcionamento das decisões, acalmando o coração e pensar com mais clareza.
Para entender melhor como esse caminho acontece na prática, Dom João Francisco Salm, bispo de Novo Hamburgo (RS), partilha sua experiência e explica que a oração é fundamental em tudo aquilo que fazemos e, principalmente, em função dos ministérios dos bispos que participam da Assembleia:
“Nossa referência sempre é Deus que se manifestou de forma especial em Jesus e sempre com a força do Espírito Santo. A nossa relação com Deus nos ajuda e oferece a possibilidade de estarmos mais em sintonia com Ele e mais abertos com a inspiração do Espírito Santo para as reflexões, os debates e as decisões que se toma em Assembleia”, relatou.
O bispo de Novo Hamburgo (RS) ainda diz que, em todos esses dias da Assembleia Geral da CNBB, no que diz respeito às diretrizes e às funções finais, há a esperança em que se colha o esforço do que Deus pede, no íntimo de cada um, juntamente com a sinodalidade:
Dom João Francisco Salm destaca que a vida de oração pessoal deve ser cultivada juntamente com a oração comunitária:
“A oração não pode faltar, ela é para nós a força, inspiração, a fonte de tudo aquilo que fazemos”, afirmou.
Por outro lado, para muitos fiéis leigos, esse processo nem sempre é fácil de entender. Dom João Francisco Salm explicou como esse caminho é vivido, na prática, pelos bispos:
“A oração é uma realidade que toca a vida de todos, mesmo em outras religiões e Igrejas. A oração expressa sempre a necessidade do fundo do coração de se colocar em contato com Deus, e qualquer pessoa que faça a experiência de se conectar com Deus, vai sentindo o valor e a importância que essa atitude e prática têm”, concluiu.
Bispos em oração no Santuário Nacional de Aparecida
A voz de Deus no silêncio da oração
A reflexão sobre a oração se amplia com a contribuição de Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo (SP), que ajuda a compreender como a oração e o discernimento fazem parte das decisões da Igreja:
“A oração é sempre necessária, sobretudo quando estamos diante de nossos trabalhos, missões e decisões. Mais do que tudo, devemos invocar o Espírito Santo, colocarmos em sintonia com Deus, de maneira que as nossas decisões possam ser aquilo que Deus quer”, relatou.
Antes de chegar às decisões finais, ou àquele momento que muitos chamam de “batida do martelo”, existe um caminho. Os bispos fazem retiros, param para refletir e colocam tudo diante de Deus. É um tempo de escuta: escutar a Deus, escutar uns aos outros e a realidade das pessoas.
Dom Odilo aponta que, neste momento, a vocação acontece no diálogo interior da pessoa com Deus, no diálogo da consciência:
“Esse diálogo acontece na oração que desperta, cresce, amadurece, persevera somente com a oração. Sem oração, não há vocação”, finalizou.
Seguindo o exemplo de Jesus Cristo, os bispos procuram não agir com pressa ou interesse próprio, mas com responsabilidade e cuidado. A oração é capaz de ajudar e fortalecer nisso: ela traz paz, clareza, confiança e ajuda a tomar decisões mais justas.
Os momentos de votação não se tornam uma escolha qualquer; é o resultado de um caminho feito com fé, diálogo, muita reflexão e, principalmente: o discernimento da voz de Deus. A decisão final carrega tudo isso: oração, escuta e o desejo de fazer o melhor para a Igreja e para o povo.
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