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Pastoral da Aids: O que diz o Bispo referencial?

Após mais de 40 anos da descoberta do vírus e com todos os avanços, ainda existe o preconceito e a desinformação

Escrito por Redação A12

01 NOV 2021 - 10H00 (Atualizada em 01 DEZ 2021 - 10H08)

Reprodução/CNBB dom-luiz-ricci (Reprodução/CNBB)

Para fortalecer o combate à Aids, a Igreja se une às organizações da sociedade civil através da Pastoral da Aids e mobiliza-se para informar, orientar e esclarecer a população sobre a epidemia de HIV. 

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids, por exemplo, é um grande evento político, comemorado todos os anos em 1º de dezembro e cria espaços de diálogo e debate com os programas de Aids nas três esferas políticas. Busca-se reivindicar melhorias e políticas que detenham o HIV e melhorem a qualidade de vida das pessoas que convivem com a Aids.

Os meios de comunicação católicos, assim como padres, religiosas, religiosos e bispos garantem apoio às iniciativas e reforçam de forma significativa a campanha. O planejamento prevê inúmeras ações, organizadas nos municípios e paróquias onde os agentes pastorais atuam. A expectativa é que se alcance o maior número possível de pessoas, levando informação e orientação sobre a Aids e sobre o teste de HIV.

A Pastoral da Aids está envolvida há vários anos na luta para informar e orientar a população. A Igreja assume este serviço e, sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende os direitos daqueles que foram infectados pela Aids.

O HIV é um vírus que se espalha por meio de fluídos corporais e afeta células específicas do sistema imunológico. Sem o tratamento antirretroviral, o vírus afeta e destrói essas células e torna o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças.

Atualmente, não existe uma cura efetiva e segura, mas os cientistas trabalham intensamente em busca de resultados. Enquanto isso não acontece, com cuidados médicos apropriados, o portador do vírus HIV pode ter a doença controlada. A maioria dos óbitos atualmente são de pessoas que descobrem tardiamente a infecção. Esse fator agrava o quadro de saúde, dificulta o tratamento com os antirretrovirais e onera o Sistema de Saúde com internações longas o que, consequentemente, aumenta os custos com o tratamento das doenças oportunistas – aquelas que se aproveitam da baixa imunidade para se alojarem no organismo.

A epidemia da Aids é uma realidade desde 1980. Muitas pessoas, organizações e setores da sociedade empenham suas energias há anos no controle da doença. Essa realidade e a necessidade de envolver um número sempre maior de forças para lutar contra a doença aproximou o Ministério da Saúde da Igreja Católica com a finalidade de unir forças para lutar contra o HIV.

Desde o início, quando a doença ainda era desconhecida, a Igreja acolhia, em casas de apoio e centros de convivência, os portadores da doença. Nesse tempo, muitas das pessoas abandonadas eram recebidas pela Igreja. Com o passar dos anos, e com a chegada dos medicamentos antirretrovirais (ARV), o trabalho pastoral se abriu para as ações de prevenção, com formação de agentes multiplicadores de informação, assim como os promotores de ações de base.

Ao longo dessa jornada, também ampliou-se o trabalho na acolhida e acompanhamento das pessoas que vivem e convivem com a doença, desenvolveu-se uma linha de trabalho assumindo campanhas como a do teste HIV, Vigília pelos Mortos de Aids e Dia Mundial de luta contra a Aids.

Outro aspecto que foi um grande avanço promovido pela Igreja foi o programa de incidência política, onde se formam agentes de Pastoral da Aids para atuarem nas políticas públicas e para o engajamento nos conselhos de saúde, nas comissões de DST/Aids, nas frentes parlamentares e em fóruns.

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Estes são tempos difíceis para todos. O UNAIDS pede às pessoas que ajam com gentileza e digam não ao estigma e à discriminação - as pessoas afetadas pela Covid-19 são parte da solução e devem ser apoiadas.

Segundo a UNAIDS governos devem trabalhar com as pessoas, principalmente as mais vulneráveis, para encontrar soluções locais. "As populações-chave não devem suportar o peso do aumento do estigma e da discriminação como resultado da pandemia de Covid-19", diz conteúdo publicado do site oficial.

Recomenda-se que pessoas idosas vivendo com HIV ou pessoas vivendo com HIV com problemas cardíacos ou pulmonares podem estar em maior risco de serem infectadas pelo vírus e de apresentarem sintomas mais graves. Todas as pessoas que vivem com HIV devem procurar seus profissionais de saúde para garantir que eles tenham estoques adequados de medicamentos essenciais. Apesar da expansão do tratamento do HIV nos últimos anos, 15 milhões de pessoas vivendo com HIV não têm acesso à terapia antirretroviral, o que pode comprometer seu sistema imunológico.

A UNAIDS reforça que para impedir que as pessoas fiquem sem medicamentos e reduzir a necessidade de acesso ao sistema de saúde, os países devem adotar a implementação completa da dispensação de três meses ou mais de tratamento contra o HIV.

O acesso aos serviços de Covid-19 devem ser garantidos para pessoas vulneráveis, incluindo uma abordagem direcionada para alcançar aquelas que são mais marginalizadas e deixadas para trás, removendo barreiras financeiras, como taxas de serviços, entre outras. 

Comentando atualidades: Uma entrevista exclusiva com o Bispo Referencial no Brasil

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Amar e Servir é o tema da campanha Acolhida e Solidariedade 2021 da Pastoral da Aids da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A campanha traz ainda como lema “Quando cada um faz um pouco, o pouco de muitos se soma”, palavras da padroeira da pastoral, Santa Dulce dos Pobres.

A abertura da campanha foi em 13 de agosto, dia da festa em honra a Santa Dulce dos Pobres. O A12 conversou com o Bispo de Nova Friburgo (RJ) e referencial da Pastoral da Aids, Dom Luiz Ricci, sobre questões que norteiam o momento. Veja íntegra abaixo!

A12 - Como a Pastoral da Aids se articula no Brasil?

Dom Luiz Ricci - Quando a gente fala em Pastoral significa uma presença de pastor. Sempre aquele que cuida, que acompanha, que orienta. Pastoral é a proximidade da Igreja com as pessoas que vivem e convivem com HIV. Não só as pessoas que tem o vírus, mas as pessoas que estão em torno. O trabalho da nossa Pastoral da Aids é, primeiro, ser uma presença: acompanhar, ser presença fraterna, samaritana, solidária, estar junto e escutar. 

Depois, além dessa presença solidária, procuramos acompanhar toda a questão de políticas públicas para esse público. É a relação que temos com o poder público para que não faltem os medicamentos e toda assistência digna com qualidade. Também existe o trabalho de orientação, de formação, de prevenção e, por fim, quebrar os preconceitos. Ainda existe muito preconceito, muita resistência e a gente sabe como essas pessoas sofrem, mesmo com tratamento, com o coquetel.

Tem crescido o número de pessoas contaminadas, então a gente se preocupa com isso, porque não é porque tem uma medicação que temos de relaxar. Nós não temos a cura, não temos a vacina. Nos preocupa saber que outras pessoas estão se contaminando, estão transmitindo o vírus. Precisamos ter responsabilidade e respeito à própria vida e à vida do semelhante. A Pastoral da Aids tem esse olhar mais global, pois é uma presença de Igreja, parte da nossa fé no Evangelho. Nos preocupamos em dar a nossa contribuição.

A12 - Depois de 40 anos da descoberta do vírus e com todos os avanços, inclusive na medicina, na parte de medicamentos etc, existe o preconceito, existe ainda, também, a desinformação, mesmo depois de tanto tempo?

Dom Luiz Ricci - As pessoas vão relaxando, mas a ciência está se debruçando sobre esse tema. Alguns dizem que a descoberta da vacina para a Covid-19, se deu graças a muita tecnologia, muitas descobertas, que já foram feitas na pesquisa em vista de uma vacina para o vírus da HIV. Veja, são 40 anos de pesquisa e ainda não foi descoberta uma vacina, porque o vírus HIV é muito complexo.

Então o que eu quero dizer, não temos vacina, temos um medicamento e não são todas as pessoas que se adaptam ao tratamento. Então nós precisamos ter prevenção, responsabilidade e respeito à própria vida e à vida do semelhante. Precisamos estar atentos, a pesquisa continua, há uma esperança muito grande da descoberta da vacina o quanto antes. Existem pesquisas em curso, mas não temos previsão.

Mas mesmo com vacina, de qualquer forma, prevalece o respeito a si mesmo, ao outro e isso tem de estar em primeiro lugar. Se não houver toda essa consciência do respeito à Vida, à dignidade de cada um, aí a vacina sozinha não resolve. A vacina sozinha não quebra o preconceito; vem o esforço a partir da nossa fé, além de cuidado que devemos ter para com os outros, de cuidar, orientar, proteger, mas também a fé nos dá esse olhar diferenciado de compromisso e responsabilidade para com a própria vida, para com a vida também dos outros. A fé dá essa dimensão da responsabilidade.

A12 - Importante também saber passar a informação correta a respeito da ciência. Temos um episódio recente em que o presidente quis associar a vacina da Covid-19 com a contaminação da Aids. Sabemos que não é real. O senhor poderia ressaltar a importância das pessoas acreditarem na ciência, no que é dito, no que é pesquisado, no que já é comprovado?

Dom Luiz Ricci - É lógico! Primeiro, não há oposição entre ciência e fé. Nós fazemos uso da ciência em favor da vida, a serviço da vida e respeitamos a ciência e agradecemos toda a pesquisa que é feita. Não podemos nos deixar levar por desinformações, porque desinformação e fake news também matam. Precisamos estar atentos, e aí vem a consciência crítica em buscar as fontes seguras. É lógico!

Já está comprovado, não existe nenhuma evidência entre relação da vacina da Covid na contaminação do vírus HIV. Isso já foi esclarecido. Temos de estar atentos e não deixar que a desinformação oriente a nossa vida. Temos de nos alimentar primeiramente pelo amor a Palavra de Deus, o amor que nos move e a nossa vida pode ser orientada pela fé, pelo amor, pela responsabilidade, pelo respeito. Então não adianta a gente buscar a resposta aqui ou ali. Precisamos da ciência para enfrentar isso tudo que é o vírus da Covid-19 e também precisamos da nossa responsabilidade, tanto que temos a vacina, mas continuamos com os protocolos e cuidados de distanciamento. Ainda estamos na pandemia. É um conjunto: fé, ciência e responsabilidade. 

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