Nem sempre se busca pensar sobre os bastidores da vida dos religiosos; o mais comum para os fiéis é se ater apenas ao exercício de suas vocações. Mas a verdade é que, por detrás da missão, os padres e seminaristas podem muitas vezes necessitar de ajuda. Notícias que ouvimos sobre afastamentos do ministério e até mesmo mortes por depressão levantam, como nunca, a urgência do cuidado com o clero.
Não é de hoje que a Igreja Católica se pronuncia sobre a importância de rezar pelos sacerdotes. Em 1929, por exemplo, o Papa Pio XI instituiu o Dia do Padre, celebrado em 4 de agosto, e, em 1995, o Papa João Paulo II criou o Dia Mundial de Oração pelo Clero na data da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Além de datas como estas, quantas vezes não ouvimos papas, bispos e sacerdotes dizerem: “Rezem por mim”.
Contudo, a ajuda que estes necessitam vai além da intercessão. Uma das discussões recentes na Igreja, como apontou o padre Wladimir Porreca, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), é sobre a “necessidade de um olhar articulado entre dimensões pessoais e institucionais no cuidado integral dos ministros ordenados em idade avançada”. Porém, a atenção para a saúde mental dos padres e bispos ainda se estende a todas as idades.
O envelhecimento traz consigo preocupações como enfermidades e solidão. Mas também existem outras demandas psíquicas, emocionais e espirituais na realidade de seminaristas, padres jovens e adultos, que podem levar, por exemplo, à depressão e exaustão.
“A solidão clerical pode ser emocional, social, institucional, espiritual ou pastoral (...), mas a solidão também pode ser caminho de crescimento. Quando bem elaborada, torna-se espaço de autoconhecimento, liberdade interior e encontro com o transcendente.”
Nesse sentido, estudos e iniciativas dentro e fora da Igreja têm buscado auxiliar nesta dificuldade, como a obra “Os padres em psicoterapia”, publicada pela Editora Ideias e Letras. Como dica de leitura, especialmente para os profissionais da psicologia ou que lidam diretamente com o público religioso, o livro do autor Ênio Brito Pinto, psicólogo, mestre e doutor em Ciências da Religião e membro do Instituto Terapêutico Acolher.
Após sua longa experiência atendendo o público, Ênio propõe essa obra que abrange importantes singularidades dos processos psicoterápicos de religiosos, pois, como ele mesmo afirmou: “A psicoterapia das pessoas que dedicam sua vida ao sagrado, a alguma religião, é um tipo de trabalho que ainda demanda muita pesquisa e muita teorização.”
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