Igreja

Ser Igreja é quando a diferença vira encontro: uma reflexão sobre diversidade

Transformar diferenças em encontro, conflitos em diálogo e presença pastoral em experiência concreta do amor de Deus é tarefa urgente para cada fiel batizado na Igreja.

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Escrito por Elisangela Cavalheiro

31 JUL 2026 - 09H00 (Atualizada em 31 JUL 2026 - 11H56)

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Falar sobre diversidade na Igreja sem gerar desinformação, divisão e conflitos é possível? O Sínodo da Sinodalidade, que tem sido o caminho da Igreja neste início de terceiro milênio, aponta a via da escuta e da comunhão para superar os desafios. 

Papa Francisco e, agora, Leão XIV, insistem que a Igreja não pode mais se fechar em si mesma; deve ser uma Igreja em Saída, que promove a Cultura do Encontro e é capaz de se encontrar com as periferias humanas e existenciais, para se manter fiel à sua missão.

Padre Luis Miguel Modino reflete que "compreender uma diversidade que nos enriquece, que não é uma ameaça, é um dos grandes desafios em uma sociedade, também em uma Igreja onde o diferente é quase sempre visto como uma ameaça". 

Transformar diferenças em encontro, conflitos em diálogo e presença pastoral em experiência concreta do amor de Deus é tarefa urgente para cada fiel batizado na Igreja. E para seguir esse caminho, é necessário buscar a conversão, que nasce do encontro pessoal, se fortalece na mudança de atitudes e, consequentemente, gera frutos no encontro com os irmãos na fé e com aqueles que estão à margem dela.

A Igreja pede que, para além da conversão pessoal, também busquemos a conversão pastoral.

Será que o que fazemos e como fazemos ainda evangeliza e aproxima as pessoas de Jesus?

O processo de conversão pessoal e pastoral convida a passar da segurança das nossas convicções para o encontro com o outro e com as realidades que nos desafiam, a fim de acolher a presença de Deus que se manifesta nesse encontro.

Para tentar responder às questões difíceis e complexas que a temática da diversidade nos traz, é preciso buscar o encontro. Sem ele, vamos continuar sendo uma Igreja autorreferencial, que não deseja superar divisões e nem possibilitar caminhos comuns.

O caminho sinodal nos mostrou que, por meio do discernimento no Espírito Santo, podemos nos deixar iluminar e construir novos caminhos. Não há respostas prontas! É preciso trilhar o caminho da escuta, do respeito, do acolhimento e do discernimento.

A CNBB, com suas mais recentes diretrizes (DGAE 2026-2032), traz a sinodalidade para o centro de sua ação evangelizadora e lembra que, para viver melhor essa realidade:

“... é preciso que sejamos capazes de acolher e entender nossas diferenças de pensamentos, concepções e carismas como dons a serviço do bem de todos e não como ameaças. Não alcançaremos a sinodalidade uniformizando pensamentos e identidades, mas nos abrindo à escuta da Palavra e do Espírito” (n. 44 ).

:: A vivência do discernimento eclesial nas comunidades

Ser Igreja é quando a diferença vira encontro!

Uma campanha nascida do encontro de comunicadores que se abriram a refletir sobre a comunicação em perspectiva sinodal — inclusive esta que vos escreve  — e a pensar uma forma de mobilizar leigos e leigas a ser uma Igreja que acolhe a diversidade, tem dado seus primeiros passos.

Depois de um percurso formativo e de discernimento, refletimos que muitas comunidades que se dizem “de portas abertas” ainda têm dificuldades de acolher, na prática, a pluralidade do povo de Deus. A campanha adotou o nome “GENTE”, inspirada no Papa Francisco, que exortou que a Igreja é de “todos, todos, todos” e deve dialogar com todos.

Indicamos o mesmo caminho que trilhamos: buscar o discernimento por meio da conversa no Espírito. E propomos uma caminhada de reflexão estruturada em três roteiros sob a temática “Caminhada Sinodal à Luz da Santíssima Trindade: comunidade perfeita de amor e comunhão!”, somada a uma proposta de ação concreta chamada “A Tenda”.

Para conhecer a campanha e o roteiro de encontros, basta acessar: campanhagente.com.br

Campanhas sinodais do programa de formação Conexão Emaús

Além da campanha Gente, o programa de formação Conexão Emaús, promovido pela Casa Galileia, gerou mais três campanhas que buscam o mesmo caminho sinodal:

“Quem me Tocou?”: traz a questão das mulheres e sinodalidade, propondo dar visibilidade e reconhecimento às mulheres na Igreja.

“Pontes de Diálogo”: incentiva a cultura de paz por meio do diálogo ecumênico e inter-religioso, e conta com apoio institucional do Conic.

"Escuta que protege": repercute o tema da Cultura de Proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis, buscando sensibilizar pastorais, grupos, movimentos e comunidades da Igreja para a promoção de ambientes seguros e acolhedores.

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:: Por que a Igreja precisa reformar as estruturas?


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