Em um quarto de hospital, Thamiris Cristine, uma mãe aflita, segurava nas mãos o terço enquanto acompanhava o filho, Brayan Augusto, de apenas 4 anos, que enfrentava uma grave infecção e precisava passar por uma cirurgia de emergência.
Diante do medo e da incerteza, ela fez um pedido a Nossa Senhora Aparecida: que estivesse ao lado de seu filho como uma mãe.
Pais e o Bryan no Santuário antes de imaginarem as dificuldades que viveriam
Era agosto de 2017. Brayan havia nascido com cardiopatia congênita e, depois de uma gastroenterite, começou a apresentar uma forte fraqueza, até não conseguir mais ficar em pé. Após retornar ao hospital, passou a sentir fortes dores de cabeça. Uma tomografia levou a um diagnóstico inicial de AVC.
“Nosso mundo desabou”, recorda a mãe.
Uma nova avaliação neurológica revelou que, na verdade, Brayan havia sofrido uma endocardite. A infecção havia chegado à corrente sanguínea e atingido o cérebro. Ele precisou ser transferido com urgência para o Hospital Regional de Taubaté.
Enquanto aguardava a transferência, Thamiris ouvia os profissionais de saúde alertarem sobre o risco de vida do menino. Ao lado do leito, escutava o filho chorar e gritar de dor.
Foi então que se ajoelhou, colocou a mão sobre a cabeça dele e, sem conseguir formular uma oração em palavras, apenas chorou. Naquele momento, segundo seu testemunho, teve a certeza de que não estava sozinha.
“Eu entreguei meu filho a Deus e pedi a Nossa Senhora Aparecida que estivesse ao lado dele como mãe.”
Thamires Cristine
Entre o medo e a oração
Em Taubaté, os médicos identificaram um abscesso cerebral e indicaram uma cirurgia de emergência. A situação foi descrita à família como uma “bomba-relógio”.
Enquanto Brayan era levado para o procedimento, a mãe permaneceu na sala de espera com o terço firme nas mãos. Ela rezava a Deus e pedia à Nossa Senhora que permanecesse ao lado do filho.
A cirurgia foi realizada e o diagnóstico confirmado. Depois do procedimento, os médicos alertaram sobre os riscos e até sobre a possibilidade de perda de memória.
Brayan em leito hospitalar após a cirurgia de emergência
Quando Brayan acordou, olhou para a mãe e, como se nada tivesse acontecido, fez um pedido simples: “Mãe, eu quero fazer xixi!”
A frase, tão comum em outras circunstâncias, ganhou outro significado para aquela mãe. Ela se ajoelhou ao lado do leito e chorou, agradecendo a Deus e à Nossa Senhora Aparecida.
Mas a caminhada ainda não havia terminado. Cerca de 14 dias depois, Brayan sofreu uma convulsão gravíssima e precisou passar por uma segunda cirurgia de emergência. Mais uma vez, Thamiris recorreu à oração e ao terço.
Após o procedimento, o neurocirurgião saiu para falar com ela:
“Fica calma, ele está bem. Eu te prometi que traria ele de volta.”
neurocirurgião
Horas depois, quando acordou, o menino novamente olhou para a mãe e disse: “Mãe, eu estou com fome!”
Mais uma vez, ela só conseguia chorar e agradecer.
Foram aproximadamente um mês e meio de internação, cirurgias, exames, fisioterapia, medo e lágrimas. Nesse período, a devoção de Thamiris ganhou um significado ainda mais profundo. Para ela, Nossa Senhora era a Mãe a quem recorria para interceder por seu filho.
A experiência também a levou a compreender a oração como uma forma de interceder por alguém. Durante a internação, familiares, amigos e outras pessoas se uniram em oração por Brayan.
“Ele teve muitos intercessores e acredito profundamente que cada oração fez parte daquela história”
Afirma Thamiris.
Depois das cirurgias, o menino havia ficado paralisado e precisava usar cadeira de rodas. A mãe continuava rezando diariamente pela recuperação dele e pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida.
Bryan em recuperação antes da alta do hospital
Certa madrugada, por volta das 3 horas, enquanto ela rezava o terço, Brayan disse: “Mãe, eu estou sentindo os meus dedinhos.”
Ele se referia aos dedos dos pés, que até então não conseguia movimentar. Thamiris tocou seus pés e percebeu que havia movimento. Ela avisou a equipe médica naquela mesma madrugada.
A partir dali, o trabalho de fisioterapia foi intensificado e, aos poucos, os movimentos foram retornando. Brayan não precisou deixar o hospital em uma cadeira de rodas. Saiu andando.
Para a mãe, aquele momento foi uma das maiores emoções de sua vida.
Ainda havia outro pedido no coração daquela mãe. O aniversário de 5 anos de Brayan se aproximava, mas os médicos já haviam explicado que provavelmente ele não receberia alta antes da data. A equipe chegou a preparar uma comemoração para que o menino pudesse celebrar o aniversário no hospital.
Naquela madrugada, Thamiris fez uma oração simples. Pediu a Deus que, se fosse da Sua vontade, o filho pudesse receber a alta como presente de aniversário e não precisasse guardar daquele momento apenas a lembrança do hospital. Depois, dirigiu-se a Nossa Senhora: “Mãe, leva esse pedido para o Pai.”
No dia 17 de setembro, dois dias antes do aniversário de Brayan, três neurocirurgiões entraram no quarto para avaliá-lo. Depois dos exames, perguntaram ao menino se estava animado para o aniversário.
Ele respondeu que sim com um movimento de cabeça. Foi quando um dos médicos disse que ele não precisaria comemorar a data no hospital. Poderia ir para casa com a mãe, o pai e a irmã.
“Eu não conseguia entender”, recorda a devota. A confirmação veio logo depois:
“Mãe, ele está de alta. Ele vai comemorar o aniversário em casa.”
Médico do Hospital de Taubaté
Para Thamiris, a alta foi uma graça recebida depois de tantas orações.
Quando Brayan telefonou para o pai e disse “Pai, pode vir me buscar!”, a notícia emocionou a família. Amigos e familiares também celebraram junto com eles. A equipe médica que havia acompanhado toda a trajetória também se emocionou.
Brayan e a irmã Lauany junto à Nossa Senhora Aparecida
“Para mim, Brayan é um verdadeiro milagre de amor.” Relata com emoção a mãe.
Depois de tudo o que viveu, a devota foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida ainda em 2017. O objetivo já não era fazer um pedido. Era agradecer.
Thamiris atravessando a passarela de joelhos em gratidão à Mãe Aparecida
Thamiris atravessou a passarela de joelhos, levando consigo o mesmo terço que havia rezado durante o período de aproximadamente um mês e meio de internação. Ao chegar ao final do percurso, conta ter sentido algo que não consegue explicar completamente em palavras: como se tivesse recebido o abraço amoroso da Mãe Aparecida.
O terço foi oferecido como sinal de gratidão. “Aquele momento não foi um pedido. Foi um agradecimento.”
Terço que acompanhou mãe e filho durante o momento de dificuldade
A cena resume uma parte importante da história: no hospital, uma mãe permanecia de joelhos diante da fragilidade do filho e pedia à Padroeira do Brasil que intercedesse por ele. No Santuário, depois da recuperação e da alta, ela novamente se colocou de joelhos, desta vez para agradecer.
A experiência de 2017 mudou para sempre a relação de Thamiris com Nossa Senhora Aparecida.
Toda a família no Santuário Nacional
Aos 33 anos, formada em Pedagogia e Psicopedagogia, ela decidiu renunciar à profissão para se dedicar à saúde e aos cuidados de Brayan. A experiência vivida durante a internação também aprofundou sua maneira de compreender a fé.
Ela afirma que já acreditava e rezava, mas passou a enxergar de forma ainda mais profunda a presença de Deus nos pequenos gestos das pessoas que cuidaram do filho: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga e equipe de limpeza.
Entre essas lembranças, guarda uma frase dita por uma enfermeira que participou da cirurgia: “Eu cuidei dele com amor, mãezinha.”
As palavras tocaram profundamente a mãe porque, segundo ela, eram justamente o que havia pedido a Nossa Senhora: que alguém cuidasse de seu filho com amor, como uma mãe cuidaria.
Hoje, aos 14 anos, Brayan continua sendo, para a família, um testemunho de fé, força, amor e esperança. Ao lado do pai, Rafael Augusto, de 33 anos, da irmã, Lauany Maria, de 10, e de Thamiris, ele continua retornando à Casa da Mãe.
Todos os anos, a família faz a romaria como sinal de amor, gratidão e testemunho.
E há um detalhe que acompanha essa história desde 2017: a camiseta que Thamiris usava durante o período em que Brayan esteve internado. Foi com ela que atravessou a passarela de joelhos no Santuário. É com ela que continua fazendo a romaria todos os anos.
A roupa, assim como o terço, tornou-se parte da memória daquela caminhada.
Uma caminhada que começou no hospital, quando uma mãe pediu à Mãe Aparecida que permanecesse ao lado de seu filho, e que continua anos depois, quando essa mesma mãe retorna à Casa da Mãe para agradecer.
“Eu acredito que a oração transforma vidas e histórias. E acredito que interceder por alguém é uma das formas mais bonitas e profundas de amar.”
Thamiris Cristine
Brayan atualmente, aos 14 anos, com a Mãe Aparecida
Para Thamiris, Brayan continua sendo o seu “milagre de amor”. E Nossa Senhora Aparecida permanece presente em sua história como a Mãe a quem recorreu quando já não conseguia fazer mais nada além de rezar.
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Fonte: Entrevista e Testemunho de Thamiris Cristine
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