Notícias

Mãe pede a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo filho

Em 2017, Thamiris recorreu à oração durante a internação do filho, que passou por duas cirurgias cerebrais. Todos os anos, a família retorna à Casa da Mãe em gratidão

Linkedin

Escrito por Gustavo Santos

29 SET 2026 - 14H54 (Atualizada em 01 OUT 2026 - 10H56)

Foto de acervo pessoal

Em um quarto de hospital, Thamiris Cristine, uma mãe aflita, segurava nas mãos o terço enquanto acompanhava o filho, Brayan Augusto, de apenas 4 anos, que enfrentava uma grave infecção e precisava passar por uma cirurgia de emergência.

Diante do medo e da incerteza, ela fez um pedido a Nossa Senhora Aparecida: que estivesse ao lado de seu filho como uma mãe.

Brayan havia nascido em setembro de 2012 com cardiopatia congênita e, depois de uma gastroenterite, em agosto 2017 começou a apresentar uma forte fraqueza, até não conseguir mais ficar em pé. Após retornar ao hospital, passou a sentir fortes dores de cabeça. Uma tomografia levou a um diagnóstico inicial de AVC. “Nosso mundo desabou”, recorda a mãe.

Uma nova avaliação neurológica revelou que, na verdade, Brayan havia sofrido uma endocardite. A infecção havia chegado à corrente sanguínea e atingido o cérebro. Ele precisou ser transferido com urgência para o Hospital Regional de Taubaté (SP).

Enquanto aguardava a transferência, Thamiris ouvia os profissionais de saúde alertarem sobre o risco de vida do menino. Ao lado do leito, escutava o filho chorar e gritar de dor.

Foi então que se ajoelhou, colocou a mão sobre a cabeça dele e, sem conseguir formular uma oração em palavras, apenas chorou. Naquele momento, segundo seu testemunho, teve a certeza de que não estava sozinha.

Entre o medo e a oração

Em Taubaté (SP), os médicos identificaram um abscesso cerebral e indicaram uma cirurgia de emergência. A situação foi descrita à família como uma “bomba-relógio”.

Enquanto Brayan era levado para o procedimento, a mãe permaneceu na sala de espera com o terço firme nas mãos. Ela rezava a Deus e pedia a Nossa Senhora que permanecesse ao lado do filho.

A cirurgia foi realizada e o diagnóstico confirmado. Depois do procedimento, os médicos alertaram sobre os riscos e até sobre a possibilidade de perda de memória.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Brayan em leito hospitalar após a cirurgia de emergência

Quando Brayan acordou, olhou para a mãe e, como se nada tivesse acontecido, fez um pedido simples: “Mãe, eu quero fazer xixi!”

A frase, tão comum em outras circunstâncias, ganhou outro significado para aquela mãe. Ela se ajoelhou ao lado do leito e chorou, agradecendo a Deus e à Nossa Senhora Aparecida.

Mas a caminhada ainda não havia terminado. Cerca de 14 dias depois, Brayan sofreu uma convulsão gravíssima e precisou passar por uma segunda cirurgia de emergência. Mais uma vez, Thamiris recorreu à oração e ao terço.

Após o procedimento, o neurocirurgião saiu para falar com ela: "Fica calma, ele está bem. Eu te prometi que traria ele de volta."

Horas depois, quando acordou, o menino novamente olhou para a mãe e disse: “Mãe, eu estou com fome!” Mais uma vez, ela só conseguia chorar e agradecer.

Entre o terço e os primeiros movimentos de Brayan

Foram aproximadamente um mês e meio de internação, cirurgias, exames, fisioterapia, medo e lágrimas. Nesse período, a devoção de Thamiris ganhou um significado ainda mais profundo. Para ela, Nossa Senhora era a Mãe a quem recorria para interceder por seu filho.

A experiência também a levou a compreender a oração como uma forma de interceder por alguém. Durante a internação, familiares, amigos e outras pessoas se uniram em oração por Brayan.

Depois das cirurgias, o menino havia ficado paralisado e precisava usar cadeira de rodas. A mãe continuava rezando diariamente pela recuperação dele e pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Bryan em recuperação antes da alta do hospital


Certa madrugada, por volta das 3h, enquanto ela rezava o terço, Brayan disse: “Mãe, eu estou sentindo os meus dedinhos.”

Ele se referia aos dedos dos pés, que até então não conseguia movimentar. Thamiris tocou seus pés e percebeu que havia movimento. Ela avisou a equipe médica naquela mesma madrugada.

A partir dali, o trabalho de fisioterapia foi intensificado e, aos poucos, os movimentos foram retornando. Brayan não precisou deixar o hospital em uma cadeira de rodas. Saiu andando.

Para a mãe, aquele momento foi uma das maiores emoções de sua vida.

O pedido para comemorar o aniversário em casa

Ainda havia outro pedido no coração daquela mãe. O aniversário de 5 anos de Brayan se aproximava, mas os médicos já haviam explicado que provavelmente ele não receberia alta antes da data. A equipe chegou a preparar uma comemoração para que o menino pudesse celebrar o aniversário no hospital.

Naquela madrugada, Thamiris fez uma oração simples. Pediu a Deus que, se fosse da Sua vontade, o filho pudesse receber a alta como presente de aniversário e não precisasse guardar daquele momento apenas a lembrança do hospital. Depois, dirigiu-se a Nossa Senhora: “Mãe, leva esse pedido para o Pai.”

No dia 17 de setembro, dois dias antes do aniversário de Brayan, três neurocirurgiões entraram no quarto para avaliá-lo. Depois dos exames, perguntaram ao menino se estava animado para o aniversário. Ele respondeu que sim com um movimento de cabeça. Foi quando um dos médicos disse que ele não precisaria comemorar a data no hospital. Poderia ir para casa com a mãe, o pai e a irmã. “Eu não conseguia entender”, recorda a devota. 

Para Thamiris, a alta foi uma graça recebida depois de tantas orações.

Quando Brayan telefonou para o pai e disse: “Pai, pode vir me buscar!”, a notícia emocionou a família. Amigos e familiares também celebraram junto com eles. A equipe médica que havia acompanhado toda a trajetória também se emocionou.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Brayan e sua irmã Lauany junto à Nossa Senhora Aparecida

“Para mim, Brayan é um verdadeiro milagre de amor”, afirma com emoção a mãe.

Da oração no hospital à gratidão na Casa da Mãe

Depois de tudo o que viveu, a devota foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida ainda em 2017. O objetivo já não era fazer um pedido. Era agradecer.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Thamiris atravessando a passarela de joelhos em gratidão à Mãe Aparecida

Thamiris atravessou a passarela de joelhos, levando consigo o mesmo terço que havia rezado durante o período de aproximadamente um mês e meio de internação. Ao chegar ao final do percurso, conta ter sentido algo que não consegue explicar completamente em palavras: como se tivesse recebido o abraço amoroso da Mãe Aparecida.

O terço foi oferecido como sinal de gratidão. “Aquele momento não foi um pedido. Foi um agradecimento.”

Uma devoção que continua

A experiência de 2017 mudou para sempre a relação de Thamiris com Nossa Senhora Aparecida.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Toda a família no Santuário Nacional

Aos 33 anos, formada em Pedagogia e Psicopedagogia, ela decidiu renunciar à profissão para se dedicar à saúde e aos cuidados de Brayan. A experiência vivida durante a internação também aprofundou sua maneira de compreender a fé.

Ela afirma que já acreditava e rezava, mas passou a enxergar de forma ainda mais profunda a presença de Deus nos pequenos gestos das pessoas que cuidaram do filho: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga e equipe de limpeza.

Entre essas lembranças, guarda uma frase dita por uma enfermeira que participou da cirurgia: “Eu cuidei dele com amor, mãezinha.”

As palavras tocaram profundamente a mãe porque, segundo ela, eram justamente o que havia pedido a Nossa Senhora: que alguém cuidasse de seu filho com amor, como uma mãe cuidaria.

Hoje, aos 14 anos, Brayan continua sendo, para a família, um testemunho de fé, força, amor e esperança. Ao lado do pai, Rafael Augusto, de 33 anos, da irmã, Lauany Maria, de 10, e de Thamiris, ele continua retornando à Casa da Mãe.

Todos os anos, a família faz a romaria como sinal de amor, gratidão e testemunho.

E há um detalhe que acompanha essa história desde 2017: a camiseta que Thamiris usava durante o período em que Brayan esteve internado. Foi com ela que atravessou a passarela de joelhos no Santuário. É com ela que continua fazendo a romaria todos os anos.

A roupa, assim como o terço, tornou-se parte da memória daquela caminhada.

Uma caminhada que começou no hospital, quando uma mãe pediu à Mãe Aparecida que permanecesse ao lado do filho, e que continua anos depois, quando essa mesma mãe retorna à Casa da Mãe para agradecer.

“Eu acredito que a oração transforma vidas e histórias. E acredito que interceder por alguém é uma das formas mais bonitas e profundas de amar.” Thamiris Cristine

Para Thamiris, Brayan continua sendo o seu “milagre de amor”. E Nossa Senhora Aparecida permanece presente em sua história como a Mãe a quem recorreu quando já não conseguia fazer mais nada além de rezar.

Leia também: "Foi nela que eu me apeguei": diz devota após cura de câncer

1 Comentário

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Gustavo Santos, em Notícias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail