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Mãe intercede pelo filho e recorre à Mãe Aparecida

Em 2017, Thamiris recorreu à oração durante a internação do filho, que passou por duas cirurgias cerebrais. Todos os anos, a família retorna à Casa da Mãe em gratidão

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Escrito por Gustavo Santos

29 SET 2026 - 14H54 (Atualizada em 29 SET 2026 - 16H34)

Acervo pessoal de Thamiris Cristine

Em um quarto de hospital, Thamiris Cristine, uma mãe aflita, segurava nas mãos o terço enquanto acompanhava o filho, Brayan Augusto, de apenas 4 anos, que enfrentava uma grave infecção e precisava passar por uma cirurgia de emergência.

Diante do medo e da incerteza, ela fez um pedido a Nossa Senhora Aparecida: que estivesse ao lado de seu filho como uma mãe.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Pais e o Bryan no Santuário antes de imaginarem as dificuldades que viveriam

Era agosto de 2017. Brayan havia nascido com cardiopatia congênita e, depois de uma gastroenterite, começou a apresentar uma forte fraqueza, até não conseguir mais ficar em pé. Após retornar ao hospital, passou a sentir fortes dores de cabeça. Uma tomografia levou a um diagnóstico inicial de AVC.

“Nosso mundo desabou”, recorda a mãe.

Uma nova avaliação neurológica revelou que, na verdade, Brayan havia sofrido uma endocardite. A infecção havia chegado à corrente sanguínea e atingido o cérebro. Ele precisou ser transferido com urgência para o Hospital Regional de Taubaté.

Enquanto aguardava a transferência, Thamiris ouvia os profissionais de saúde alertarem sobre o risco de vida do menino. Ao lado do leito, escutava o filho chorar e gritar de dor.

Foi então que se ajoelhou, colocou a mão sobre a cabeça dele e, sem conseguir formular uma oração em palavras, apenas chorou. Naquele momento, segundo seu testemunho, teve a certeza de que não estava sozinha.

“Eu entreguei meu filho a Deus e pedi a Nossa Senhora Aparecida que estivesse ao lado dele como mãe.” Thamires Cristine

Entre o medo e a oração

Em Taubaté, os médicos identificaram um abscesso cerebral e indicaram uma cirurgia de emergência. A situação foi descrita à família como uma “bomba-relógio”.

Enquanto Brayan era levado para o procedimento, a mãe permaneceu na sala de espera com o terço firme nas mãos. Ela rezava a Deus e pedia à Nossa Senhora que permanecesse ao lado do filho.

A cirurgia foi realizada e o diagnóstico confirmado. Depois do procedimento, os médicos alertaram sobre os riscos e até sobre a possibilidade de perda de memória.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Brayan em leito hospitalar após a cirurgia de emergência

Quando Brayan acordou, olhou para a mãe e, como se nada tivesse acontecido, fez um pedido simples: “Mãe, eu quero fazer xixi!”

A frase, tão comum em outras circunstâncias, ganhou outro significado para aquela mãe. Ela se ajoelhou ao lado do leito e chorou, agradecendo a Deus e à Nossa Senhora Aparecida.

Mas a caminhada ainda não havia terminado. Cerca de 14 dias depois, Brayan sofreu uma convulsão gravíssima e precisou passar por uma segunda cirurgia de emergência. Mais uma vez, Thamiris recorreu à oração e ao terço.

Após o procedimento, o neurocirurgião saiu para falar com ela: 

“Fica calma, ele está bem. Eu te prometi que traria ele de volta.” neurocirurgião

Horas depois, quando acordou, o menino novamente olhou para a mãe e disse: “Mãe, eu estou com fome!”

Mais uma vez, ela só conseguia chorar e agradecer.

Entre o terço e os primeiros movimentos de Brayan

Foram aproximadamente um mês e meio de internação, cirurgias, exames, fisioterapia, medo e lágrimas. Nesse período, a devoção de Thamiris ganhou um significado ainda mais profundo. Para ela, Nossa Senhora era a Mãe a quem recorria para interceder por seu filho.

A experiência também a levou a compreender a oração como uma forma de interceder por alguém. Durante a internação, familiares, amigos e outras pessoas se uniram em oração por Brayan.

“Ele teve muitos intercessores e acredito profundamente que cada oração fez parte daquela história” Afirma Thamiris.

Depois das cirurgias, o menino havia ficado paralisado e precisava usar cadeira de rodas. A mãe continuava rezando diariamente pela recuperação dele e pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Bryan em recuperação antes da alta do hospital

Certa madrugada, por volta das 3 horas, enquanto ela rezava o terço, Brayan disse: “Mãe, eu estou sentindo os meus dedinhos.”

Ele se referia aos dedos dos pés, que até então não conseguia movimentar. Thamiris tocou seus pés e percebeu que havia movimento. Ela avisou a equipe médica naquela mesma madrugada.

A partir dali, o trabalho de fisioterapia foi intensificado e, aos poucos, os movimentos foram retornando. Brayan não precisou deixar o hospital em uma cadeira de rodas. Saiu andando.

Para a mãe, aquele momento foi uma das maiores emoções de sua vida.

O pedido para comemorar o aniversário em casa

Ainda havia outro pedido no coração daquela mãe. O aniversário de 5 anos de Brayan se aproximava, mas os médicos já haviam explicado que provavelmente ele não receberia alta antes da data. A equipe chegou a preparar uma comemoração para que o menino pudesse celebrar o aniversário no hospital.

Naquela madrugada, Thamiris fez uma oração simples. Pediu a Deus que, se fosse da Sua vontade, o filho pudesse receber a alta como presente de aniversário e não precisasse guardar daquele momento apenas a lembrança do hospital. Depois, dirigiu-se a Nossa Senhora: “Mãe, leva esse pedido para o Pai.”

No dia 17 de setembro, dois dias antes do aniversário de Brayan, três neurocirurgiões entraram no quarto para avaliá-lo. Depois dos exames, perguntaram ao menino se estava animado para o aniversário.

Ele respondeu que sim com um movimento de cabeça. Foi quando um dos médicos disse que ele não precisaria comemorar a data no hospital. Poderia ir para casa com a mãe, o pai e a irmã.

“Eu não conseguia entender”, recorda a devota. A confirmação veio logo depois: 

“Mãe, ele está de alta. Ele vai comemorar o aniversário em casa.” Médico do Hospital de Taubaté

Para Thamiris, a alta foi uma graça recebida depois de tantas orações.

Quando Brayan telefonou para o pai e disse “Pai, pode vir me buscar!”, a notícia emocionou a família. Amigos e familiares também celebraram junto com eles. A equipe médica que havia acompanhado toda a trajetória também se emocionou.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Brayan e a irmã Lauany junto à Nossa Senhora Aparecida

“Para mim, Brayan é um verdadeiro milagre de amor.” Relata com emoção a mãe.

Da oração no hospital à gratidão na Casa da Mãe

Depois de tudo o que viveu, a devota foi ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida ainda em 2017. O objetivo já não era fazer um pedido. Era agradecer.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Thamiris atravessando a passarela de joelhos em gratidão à Mãe Aparecida

Thamiris atravessou a passarela de joelhos, levando consigo o mesmo terço que havia rezado durante o período de aproximadamente um mês e meio de internação. Ao chegar ao final do percurso, conta ter sentido algo que não consegue explicar completamente em palavras: como se tivesse recebido o abraço amoroso da Mãe Aparecida.

O terço foi oferecido como sinal de gratidão. “Aquele momento não foi um pedido. Foi um agradecimento.”

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Terço que acompanhou mãe e filho durante o momento de dificuldade

A cena resume uma parte importante da história: no hospital, uma mãe permanecia de joelhos diante da fragilidade do filho e pedia à Padroeira do Brasil que intercedesse por ele. No Santuário, depois da recuperação e da alta, ela novamente se colocou de joelhos, desta vez para agradecer.

Uma devoção que continua

A experiência de 2017 mudou para sempre a relação de Thamiris com Nossa Senhora Aparecida.

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Toda a família no Santuário Nacional

Aos 33 anos, formada em Pedagogia e Psicopedagogia, ela decidiu renunciar à profissão para se dedicar à saúde e aos cuidados de Brayan. A experiência vivida durante a internação também aprofundou sua maneira de compreender a fé.

Ela afirma que já acreditava e rezava, mas passou a enxergar de forma ainda mais profunda a presença de Deus nos pequenos gestos das pessoas que cuidaram do filho: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga e equipe de limpeza.

Entre essas lembranças, guarda uma frase dita por uma enfermeira que participou da cirurgia: “Eu cuidei dele com amor, mãezinha.”

As palavras tocaram profundamente a mãe porque, segundo ela, eram justamente o que havia pedido a Nossa Senhora: que alguém cuidasse de seu filho com amor, como uma mãe cuidaria.

Hoje, aos 14 anos, Brayan continua sendo, para a família, um testemunho de fé, força, amor e esperança. Ao lado do pai, Rafael Augusto, de 33 anos, da irmã, Lauany Maria, de 10, e de Thamiris, ele continua retornando à Casa da Mãe.

Todos os anos, a família faz a romaria como sinal de amor, gratidão e testemunho.

E há um detalhe que acompanha essa história desde 2017: a camiseta que Thamiris usava durante o período em que Brayan esteve internado. Foi com ela que atravessou a passarela de joelhos no Santuário. É com ela que continua fazendo a romaria todos os anos.

A roupa, assim como o terço, tornou-se parte da memória daquela caminhada.

Uma caminhada que começou no hospital, quando uma mãe pediu à Mãe Aparecida que permanecesse ao lado de seu filho, e que continua anos depois, quando essa mesma mãe retorna à Casa da Mãe para agradecer.

“Eu acredito que a oração transforma vidas e histórias. E acredito que interceder por alguém é uma das formas mais bonitas e profundas de amar.” Thamiris Cristine

Acervo pessoal de Thamiris Cristine Acervo pessoal de Thamiris Cristine Brayan atualmente, aos 14 anos, com a Mãe Aparecida

Para Thamiris, Brayan continua sendo o seu “milagre de amor”. E Nossa Senhora Aparecida permanece presente em sua história como a Mãe a quem recorreu quando já não conseguia fazer mais nada além de rezar.

Leia também: "Foi nela que eu me apeguei": diz devota após cura de câncer

Fonte: Entrevista e Testemunho de Thamiris Cristine

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