Por Vinícius Paula Figueira Em Opinião Atualizada em 26 ABR 2019 - 12H55

A Cultura da Metade

O excesso e o essencial vem provocando a sociedade moderna. Bom, mas o que os dois tem provocado? A pergunta interpelativa norteia a reflexão hoje, ao passo de verbalizarmos que o duelo de ambos gerou na sociedade moderna uma nova cultura, a cultura da metade.

O excesso de informação, gerado pela indústria cultural, tem sido a responsável pela hiperestimulação, ou seja, a facilidade ilimitada do acesso às mídias, aos conteúdos, criando exposição à tudo e a todos, então, somos derrubados pela velocidade e quantidade de conteúdos por vezes incapazes de serem decodificados e digeridos pelo órgão cerebral. A ansiedade de tudo ver e consumir (informação), nos impossibilita de vermos o todo, então, nos contentamos com a metade. Metade de uma notícia, metade de um programa, metade de uma entrevista, até mesmo, metade de uma boa conversa.

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Para quê ver tudo? Para onde nos leva o tudo? Quem disse que devemos estar sempre informado sobre tudo? Parece absurdo se questionar desta maneira, mas o tempo em que vivemos deseja ter, sobretudo, autoridade sobre nós, simplesmente, autoridade, quando esta só compete a nós, e não aos outros sobre nós, de forma quase sempre impositiva.

Uma palavra moderna e atual vem ganhando as páginas do nosso tempo, Fake News. Já parou pra pensar de onde ela surge? Sim, da cultura da metade. Quando vemos metade de uma notícia, deduzimos a outra parte, julgamos o que lemos e propagamos o que acreditamos ser, então surge a notícia falsa (Fake News). Outras vezes, já nem lemos uma notícia ainda que seja pela metade, e então nos bastamos pela manchete, o resto eu imagino que seja, simplesmente, para não “perdermos tempo”.

Leia MaisAparecida Debate: fake newsFake News: Veja quatro conselhos do Papa e se livre delasA síndrome do “tempo perdido” tem imerso a sociedade num contexto caótico e emblemático. Se por um lado a internet e as redes sociais facilitaram a vida do ser humano, por outro, criou culturas patológicas e sintomáticas. Antes liamos jornal para saber da notícia, hoje o folheamos e conferimos se o que vi na internet era fato ou fake.

A cultura da metade surge com uma espécie de anulação da verdade. É democrático dar opinião, mas precisamos ser rigorosos e criteriosos ao nos alimentarmos dela, pois as redes sociais deram vez de opinião até para os que não a possuem, construída, alicerçada em fatos e conteúdo. Cuidemo-nos para não nos bitolarmos na cultura do metade, com o objetivo de saber o tudo, pois não fomos criados pela metade e nem para a metade, fomos feitos por completo e para o todo.

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

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