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Igreja

Fraternidade e Moradia: o desafio que atravessa gerações

A Campanha da Fraternidade 2026 retoma o tema da moradia na Igreja do Brasil mais de trinta anos depois, em busca do direito a um lar digno a todas as pessoas

Escrito por Beatriz Nery

22 DEZ 2025 - 09H18 (Atualizada em 22 DEZ 2025 - 15H03)

ArtushFoto/Adobe Stock

No Advento e no Natal, a liturgia recorda que Cristo escolheu nascer no meio de nós e, ainda assim, dificuldades foram vividas. Não havia local para receber Maria e José na hospedaria, apenas uma estrebaria foi o local livre onde uma manjedoura acolheu o Menino Jesus.

A Campanha da Fraternidade 2026, que acontecerá durante a Quaresma (de 18 de fevereiro a 2 de abril), falará sobre “Fraternidade e Moradia”, iluminada pelo lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

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Em 1993, a Igreja no Brasil já havia refletido o mesmo tema. Hoje, essa escolha retoma uma conversa que não parece ter visto grandes melhoras, e faz uma convocação à Igreja e toda a sociedade para refletir sobre o direito à moradia digna como direito fundamental e expressão concreta da fé.

O assessor do Setor de Campanhas da CNBB, Pe. Jean Poul Hansen, explicou em entrevista ao site da CNBB, que a escolha do tema foi motivada por um pedido da Pastoral da Moradia e Favela e acolhida pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (Consep). O lema, segundo ele, ilumina teologicamente o debate, a partir do mistério da encarnação.

Deus veio morar entre nós, e isso fundamenta a dimensão social da nossa fé. A Campanha da Fraternidade nos convida a construir aqui, entre nós, sinais do Reino de Deus, promovendo dignidade, especialmente nas realidades onde ela é negada”, afirmou.

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Moradia no Brasil: dados que apontam desafios atuais

O Brasil registra mais de 90 milhões de unidades habitacionais, segundo o Censo 2022 do IBGE, um aumento de 34% em relação a 2010. No entanto, essa evolução na quantidade de moradias não resolve as desigualdades, nem para que tenham acesso a uma qualidade dessas habitações.

O déficit habitacional ainda é expressivo: cerca de 6,2 milhões de domicílios não atendem às condições adequadas de moradia, o que representa mais de 8% das habitações ocupadas no país. Esse número se agrava especialmente entre famílias de baixa renda, que muitas vezes enfrentam coabitação forçada, moradias precárias ou compromissos excessivos com aluguel.

A moradia inadequada nem sempre aparece apenas como falta de teto. Em 2022, um quinto dos brasileiros vivia em domicílios alugados, o que também reflete vulnerabilidades, pois muitos dedicam grande parte da renda para pagar aluguel.

Outro dado que chama atenção é a vulnerabilidade documental: 13,5% das moradias privadas não têm documentação formal, o que fragiliza os direitos de quem vive ali, sobretudo entre grupos mais pobres e historicamente marginalizados.



Déficit de moradia em 30 anos: o que mudou?

Em 1993, a Campanha da Fraternidade destacou o direito à terra e à moradia como condição essencial para a vida digna. A mensagem do Papa João Paulo II à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) daquele ano lembrava que o ser humano precisa de um lugar para viver, ser acolhido pela família e participar da vida social com dignidade.

Mais de três décadas depois, a realidade brasileira de moradia continua sua busca por mudanças significativas. O crescimento do número de unidades residenciais não eliminou as desigualdades no acesso à moradia digna. O Brasil ainda enfrenta um déficit habitacional que afeta milhões de domicílios e, consequentemente, milhares de famílias.

Assim como nos anos de 1990, o direito de “morar” ainda ecoa como um pedido por justiça social e humanidade. Para a Igreja no Brasil, a reflexão se mantém atual porque, embora o país tenha avançado em alguns indicadores, muitas pessoas ainda vivem em condições precárias ou lutam para manter um lar.

Joa Souza/Adobe Stock Joa Souza/Adobe Stock

Advento e o Deus que “veio morar entre nós”

O Advento nos lembra que Deus veio habitar entre nós. Jesus, nascido em Belém, entrou na história humana de forma completamente diferente de um rei, mas como alguém que compartilhou a vida de um lar simples, dependente de Maria e José. Essa realidade desafia os fiéis a olharem para todas as pessoas que vivem na fragilidade da moradia.

Mesmo ainda distantes da Quaresma, faça uma reflexão durante o Advento, um tempo de espera e reflexão, para que o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) seja um movimento de acolher o Cristo que vive nos irmãos e uma motivação para trabalhar por uma moradia digna para todos.

add_box  O Advento é diferente da Quaresma? Entenda!

Fonte: CNBB/IBGE/Conlutas

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