“Durante décadas, pareceu que o mundo tinha aprendido com tantas guerras e fracassos e, lentamente, ia caminhando para variadas formas de integração. [...] Mas a história dá sinais de regressão. Reacendem-se conflitos anacrónicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma certa noção de unidade do povo e da nação, penetrada por diferentes ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social mascaradas por uma suposta defesa dos interesses nacionais.” (Fratelli Tutti, 10-11)
O saudoso Papa Francisco, na Encíclica Fratelli Tutti, buscou traduzir de forma magnânima os ensinamentos de Jesus e de São Francisco de Assis sobre a fraternidade universal.
O mundo pós-Guerras Mundiais e Guerra Fria, infelizmente, não aprendeu a lidar com a diferença do outro. Mesmo na pandemia de COVID-19, que pensávamos que mudaria a humanidade, vimos que não foi o suficiente para criar esse sentimento na humanidade.
Nos Evangelhos, Jesus sempre buscou estar próximo daqueles que não são queridos pela sociedade. Devolveu algo tão caro ao ser humano, que é sua dignidade.
Quando Jesus devolve a saúde ao enfermo na piscina de Betesda (cf. Jo 5,1-18), quando estende a mão para reerguer a pecadora caída (cf. Jo 8,1-11), quando curou o cego de nascença (cf. Jo 9,1-41), quando curou o leproso (cf. Mt 8,1-4) ou quando curou o servo do centurião (cf. Mt 8,5-13) e, em tantos outros momentos, Jesus buscou não só curar ou perdoar os pecados, mas devolver a dignidade da pessoa e trazê-la de volta à comunidade.
Falar sobre a fraternidade e os Evangelhos é ter sempre em mente que as ações de Jesus, todas, foram em prol da dignidade da pessoa. Devolver a dignidade dos caídos, para que pudessem se reerguer e voltar ao convívio da comunidade.
O que não podemos fazer é transformar as ações de Jesus em ideologias políticas que justifiquem qualquer lado; nem fazer uma ideologização do Evangelho. É preciso agir conforme o Evangelho, sem associar as ações a lados da política ou da teologia.
Ser irmão é o que o Papa Francisco sempre nos recordou: estender a mão e reerguer o caído, sem se importar se a pessoa é partidária política deste ou daquele lado, ou se segue determinada linha teológica. Isso não importa. Quem somos nós para julgar? O que importa é ser irmãos e irmãs em prol do Reino.
Portanto, viver a fraternidade social à luz dos Evangelhos não é uma opção, mas uma exigência do seguimento de Jesus. Em tempos de divisão, intolerância e indiferença, somos chamados a ser instrumentos de comunhão, de paz e de cuidado mútuo.
O Reino de Deus se constrói quando reconhecemos no outro um irmão, independentemente de sua origem, pensamento ou crença, e estendemos a mão para reerguê-lo, como fez Jesus.
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