Por Joana Darc Venancio Em Opinião Atualizada em 31 OUT 2019 - 09H54

A incomparável paz: consequência do comportamento virtuoso

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Está cada vez mais latente a necessidade de ações humanas virtuosas. Todos os dias, nas grades e pequenas situações do cotidiano social, nos deparamos com comportamentos, que nos fazem pensar que a virtude tem sido sufocada pelo vício, ou seja, pela ausência da ética. A ausência ou a presença da ética, nas ações humanas, se encontram no aprendizado. Se por um lado, o comportamento vicioso é consequência do aprendizado, por outro, dele é gerado o comportamento virtuoso. “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte. Mas tens que saber escolher” (Dt 30, 19).

A formação do comportamento ético está no aprendizado. Não somente um aprendizado teórico, mas um aprendizado de imitação. Um aprendizado de testemunho. Um aprendizado de querer fazer igual ao outro, de copiá-lo. O desenvolvimento do comportamento virtuoso somente é possível com o exercício do hábito. A repetição de hábitos virtuosos conduzirá o indivíduo à virtude. Ensina o Catecismo da Igreja Católica:

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1970. A Lei evangélica implica a escolha decisiva entre «os dois caminhos» (27) e a passagem à prática das palavras do Senhor; resume-se na regra de ouro: «Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também, pois nisso consiste a Lei e os Profetas»
(Mt 7, 12). Toda a Lei evangélica se apoia no «mandamento novo» de Jesus, de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.

A quem imitamos? O que imitamos? O que aprendemos e copiamos do outro? O que aprenderam e copiam de nosso comportamento? O grande Filósofo Aristóteles, em seu livro Ética a Nicômaco, afirma que “... é pela prática de atos justos que o homem se torna justo … e sem essa prática ninguém teria nem sequer a possibilidade de tornar-se bom. Porém, a maioria das pessoas não procede assim”. A condição da virtude é a superação da condição do vício. Uma ou outra somente pode ser adquirida pelo hábito, ou seja, pela vivência.

Santo Agostinho, um dos maiores Doutores da Igreja, em sua obra “A Cidade de Deus”, ensina que:

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Quando nós, mortais, entre a efemeridade das coisas, possuímos a paz que pode existir no mundo, se vivemos retamente, a virtude usa com retidão de seus bens; mas, quando não a possuímos, a virtude faz bom uso até mesmo dos males de nossa condição humana. A verdadeira virtude consiste, portanto, em fazer bom uso dos bens e males e em referir tudo ao fim último, que nos porá na posse da perfeita e incomparável paz.

Dessa forma, a pessoa virtuosa, em qualquer situação, em qualquer lugar, ocupando qualquer posição social, saberá o que escolher e como se comportar, exercitando a “incomparável paz”, sendo exemplo a ser imitado, assim como ensinou o Mestre Jesus: "Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós." 

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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