Opinião

Crescimento do turismo no pós-pandemia gera renda e movimentação de pessoas

Em vários países surgem reações aos excessos provocados pelo turismo. Confira!

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

30 ABR 2026 - 10H21 (Atualizada em 30 ABR 2026 - 10H58)

Kirk Fisher/Adobe Stock

O turismo vem se consolidando nos últimos anos como uma das principais atividades econômicas do Brasil e do mundo. No conjunto da atividade turística, um dos ramos que mais cresce é justamente o turismo religioso.

Num processo de expansão global, o turismo religioso representa mais de 300 milhões de visitantes por ano e um valor de mercado que ultrapassa 18 bilhões de dólares, impulsionado pela busca da espiritualidade e cultura. Na Itália, por exemplo, o ano de 2025 registrou um novo "boom" graças ao Jubileu, com um aumento de 9% na frequência de visitantes.

Hoje o turismo religioso se transformou num segmento em rápida expansão, representando 30% do turismo mundial. A melhoria da infraestrutura de transporte, tornando locais sagrados isolados mais acessíveis, e a oferta de novas atrações são fatores que têm contribuído para esse crescimento.

No Brasil, o turismo religioso também está em franca expansão, movimentando anualmente mais de R$ 15 bilhões, atraindo milhões de fiéis, consolidando-se como um dos segmentos turísticos mais resilientes e de maior crescimento no país.

Impulsionado por grandes romarias que buscam lugares estratégicos como o Santuário Nacional de Aparecida, a movimentação relacionada ao Círio de Nazaré e outros, o setor combina devoção com desenvolvimento econômico regional. O setor movimenta cerca de 18 milhões de viagens anualmente, impactando setores de transporte, hospedagem e comércio, além de representar mais de 13% da movimentação econômica do turismo nacional.

.: Centro de informações turísticas em Aparecida 

Pesquisas indicam que o segmento é de alto interesse, sobretudo, para o público acima de 60 anos, sendo a segunda opção de viagem mais desejada por essa faixa etária. O crescimento também é favorecido pela melhoria na infraestrutura de destinos religiosos, pela promoção de rotas integradas como o Caminho da Fé e pela busca por experiências espirituais pós-pandemia.

Soleg/Adobe Stock  Soleg/Adobe Stock Turistas tirando foto de um bando de pombos na Croácia

O crescimento do turismo gera tensões em várias regiões

O turismo internacional cresceu 4% em 2025, atingindo o recorde histórico de 1,52 bilhão de viagens, gerando US$ 1,9 trilhão em receitas. A recuperação pós-pandemia se consolidou com o aumento do movimento de pessoas, inclusive no Brasil, que registrou um aumento de 37% na chegada de turistas estrangeiros, atingindo mais de 9 milhões de turistas internacionais.

Apesar do impacto econômico positivo, o crescimento tem provocado reações mistas. Se, por um lado, impulsiona a economia local e a infraestrutura, por outro lado tem gerado o chamado overturism, poluição, congestionamentos e tensão nas comunidades locais, exigindo medidas de sustentabilidade.

O overtourism (ou sobreturismo) se dá justamente pelo excesso de turistas em um determinado destino, quando o volume de visitantes supera a capacidade de carga da infraestrutura local, afetando negativamente a qualidade de vida dos moradores e a experiência dos turistas. Isso resulta em superlotação, aumento do custo de vida, danos ambientais, aumento da insatisfação, reclamações e conflitos sociais.

Kieferpix/Adobe Stock  Kieferpix/Adobe Stock Imagem de passaporte

Cidades populares espalhadas pelo mundo são as que estão enfrentando mais sobrecarga e, para diminuir isso, os países estão tomando medidas que variam do aumento do preço dos ingressos para turistas estrangeiros até a criação de incentivos para pacotes em baixa temporada. Mas em diversas realidades são notadas formas diversas de maus-tratos, agressões verbais e fechamento dos moradores locais, com a crescente insatisfação contra as autoridades que são acusadas de omissão.

Medidas impopulares

Em 2025, o Japão recebeu cerca de 43 milhões de visitantes, o maior número da história. Paralelamente, a Europa recebeu mais da metade dos voos internacionais, estimados em 1,5 bilhão. As projeções indicam que este número deva atingir 1,8 bilhão em 2030. Por essa razão, os governos estão lutando para gerenciar as pressões, tomando, inclusive, medidas bastante impopulares que seriam consideradas extremas até poucos anos atrás.

Elas incluem o controle das multidões por inteligência artificial, construção de barreiras físicas e cobrança de ingressos pelo triplo do valor para estrangeiros, além do cancelamento de atividades culturais e festivais famosos, como foi o caso do Japão, que cancelou o festival de Fujiyoshida ligado à florada das cerejeiras.

Os Estados Unidos assumiram uma postura declaradamente voltada para o lado financeiro. Seu vasto sistema de parques nacionais compreende 433 unidades, com área total de 34 milhões de hectares, oferecendo incontáveis atrações para os visitantes. Mas a metade das visitas se concentra nos 25 parques mais conhecidos, gerando superlotação, longas filas e produção de lixo em excesso.

Para tentar reduzir o problema, os Estados Unidos criaram em 2026 uma sobretaxa de US$ 100 (cerca de R$ 520) por pessoa para visitantes internacionais, em 11 dos parques nacionais mais populares do país.

O passaporte anual "America the Beautiful", que cobre todos os locais federais de recreação, custa agora US$ 250 (cerca de R$ 1,3 mil) para não moradores do país, três vezes mais que os US$ 80 (cerca de R$ 416) cobrados dos cidadãos americanos.

Esta política segue uma ordem executiva que orientou o Departamento do Interior dos Estados Unidos a aumentar os ingressos para estrangeiros para tentar mediar a superlotação e as consequências que dela são decorrentes.

Todos os países desejam continuar recebendo visitantes, mas querem que os turistas se espalhem mais, se comportem melhor ou façam suas visitas em outras épocas do ano. Há, porém, o empecilho das férias escolares, período em que aumenta consideravelmente a procura por pacotes de viagens

.: VISITE: O Museu de Nossa Senhora no Santuário Nacional 

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