Os festejos populares, como romarias, novenas e festas religiosas, ocupam um lugar central na vida das comunidades, pois vão além da expressão da fé, são experiências coletivas que fortalecem vínculos e pertencimento.
Quando reunimos pessoas de diferentes idades e histórias em torno dessas bonitas tradições, promovemos o fortalecimento da fé.
Pe. Jair Costa, presbítero da Diocese de Guarulhos-SP, e assessor de música na Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, nos ajuda a compreender melhor o que os festejos populares representam para cultura da nossa fé cristã.
“Piedade popular e liturgia são fontes para a vida da fé. Antes de chegar aos livros rituais, a liturgia foi vivida em comunidades concretas. Na piedade popular encontramos respostas espontâneas às experiências de Deus vividas de modo individual ou comunitário, por isso carregadas de elementos das culturas, e também de questões que não estão totalmente alinhadas com o Evangelho.”
Além disso, essas manifestações populares preservam e transmitem valores culturais e sociais de geração em geração. Cada canto, gesto, caminhada ou celebração carrega significados que ajudam o povo a compreender sua própria história e missão no território em que vive. Assim, romarias, novenas e festas não apenas mantêm viva a tradição, mas também fortalecem a vida comunitária, renovando a esperança, a solidariedade e o sentido de caminhar juntos.
“Nos festejos populares, podemos constatar muitas experiências de fé e religiosidade, em nível pessoal e comunitário. Por exemplo, a letra do canto 'A nós descei divina luz / em nossas almas acendei o amor de Jesus' traz mais do que poesia, carrega teologia em oração simples. É preciso ter ouvidos atentos e sensibilidade pastoral para ouvir como o Espírito Santo derrama luzes na vida das pessoas e comunidades. O Espírito está sempre mais além de nossos raciocínios e esquemas pastorais.”
A América Latina possui culturas diversas e, em cada uma delas, uma maneira diferente de expressar sua fé, com procissões, músicas, festas, entre tantos outros costumes.
“O Documento de Aparecida reconhece a religiosidade popular como um verdadeiro “tesouro” da Igreja na América Latina, pois ela expressa a fé viva do povo, especialmente dos mais simples e pobres. É exemplo de um caminho de inculturação do Evangelho, quando manifesta profundo amor a Jesus Cristo, à Virgem Maria e aos santos. É lugar de encontro com Deus e ponto de partida para a evangelização.”
Esses festejos fortalecem o pertencimento dos cristãos em suas comunidades, tanto para aqueles que participam das atividades quanto para aqueles que se envolvem na organização e preparação dos festejos.
A sinodalidade, como já falamos outras vezes, significa “caminhar juntos”, com participação e corresponsabilidade na missão. Os festejos populares são a confirmação de uma participação ativa do Povo de Deus e isso mostra na prática aquilo que o Sínodo propõe como estilo de Igreja: comunhão, participação e missão.
“Os momentos celebrativos se revelam um importante caminho de vivência e recepção da sinodalidade na Igreja, quando são integrados e acompanhados do ponto de vista pastoral. Estão presentes as várias dimensões do processo, no qual as conquistas surgem com as imperfeições. Numa dimensão pastoral, sintonizada com o caminhar da Igreja local, os momentos celebrativos se tornam um retrato de como a Igreja se compreende, e o sonho de como quer se tornar. Desta maneira, são uma riqueza para as lideranças locais, coordenações laicas, ministros ordenados, para sintonizar o que já existe de piedade popular nos momentos celebrativos e a caminhada proposta para a Igreja local”, explica Padre Jair.
Camille Poltroniere Santana, coordenadora da equipe de Liturgia do Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda, fala sobre sua experiência na organização dos festejos no santuário, algo que ela considera ser uma ação sinodal.
“A Festa de Nossa Senhora D’Ajuda que acontece no dia 15 de agosto, são nove dias de novena mais o dia da festa, ao todo são 10 dias de festividades e a minha atuação é de todo o corpo da liturgia. Eu preparo toda a liturgia, da novena a noite e das missas, são muitas missas, dependendo de quantos domingos pegam a novena, então dá entorno de 22 a 25 missas. Com a liturgia a gente também faz a organização da equipe de música, do ministério de música.”
A coordenadora da equipe de Liturgia também conta que a comunidade é bem participativa, mas infelizmente não o ano todo, somente na festa da padroeira.
“A comunidade é participativa, só que as pessoas têm um devocionismo muito grande. Então tudo está em torno da santa, tudo está em torno de Nossa Senhora. E esse devocionismo, às vezes, atrapalha um pouco, porque a participação da comunidade fica muito restrita aos dias da festa. [...] Passada a festa, o empenho e dedicação das pessoas não são mais a mesma coisa, entendeu? Então, uma coisa muito forte que se vive, porém, se vive nos dias da festa. Depois, no dia a dia do santuário, a gente tem missa o ano todo, outras festividades, então a gente já vê o empenho menor das pessoas. É como se elas estivessem 100% dispostas para ajudar nesses dias de Nossa Senhora D’Ajuda. Como se nos demais dias a Nossa Senhora D’Ajuda não estivesse aqui.”
É preciso compreender que no caminho sinodal somos convidados a ocupar nosso lugar na Igreja, asumir nossas corresponsabilidades, ser participativos, colaborar com nossas comunidades, e isso deve ser o tmepo todo, não somente em festas de seus padroeiros.
O padre também conta sobre uma experiência sinodal vivida na paróquia Nossa Senhora Aparecida da Cocaia, diocese de Guarulhos-SP.
“Nas festas dos padroeiros das comunidades, as equipes que organizavam os tríduos convidavam outras comunidades para participar e colaborar na preparação da liturgia e dos demais festejos tipo quermesse. Da paróquia São Judas Tadeu de Torres Tibagi: equipes das barracas da quermesse se tornaram espaços de espiritualidade e oração. Nestas equipes atuam pessoas que não estão nas pastorais costumeiras e se integram à comunidade paroquial, e se tornam pertencentes à comunidade, pela via das festas do padroeiro, seja a festa anual, seja a memória mensal.”
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