Por Pe. Leo Pessini Em Opinião Atualizada em 05 OUT 2017 - 09H19

O suicídio: superando os mitos, atenção aos sinais de alerta e ação preventiva

Uma verdade que precisamos torna-la mais conhecida em nosso meio é que podemos prevenir o suicido, em muitas circunstancias através de uma serie ações e cuidados para com as pessoas em crise ou em situações de abalo de sua saúde mental. Como vimos anteriormente, dados das Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 90% das pessoas que se suicidam possuem transtornos mentais. Elas poderiam ser tratadas e cuidadas terapeuticamente. Antes de tudo temos que nos livras dos mitos sobre o suicido, conhecer alguns sinais de alerta, e depressão em adolescentes, para viabilizar uma ajuda eficaz.

Alguns mitos que temos de prestar atenção:

* Se eu perguntar sobre suicido, poderei induzir uma pessoa a isso. Questionar sobre ideias suicidas de maneira sensata, franca e ética, fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida, aceita e respeitada. Além disso gera conscientização a respeito do problema.

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Ele (a) ameaça com o suicídio somente para chamar a tenção e manipular a gente. Muitas pessoas que tiram a própria vida, dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para os amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência deste risco. A regra geral é levar a sério ameaças suicidas, e ao mesmo tempo, não se sentir refém delas.

* Quem deseja se matar, vai se matar mesmo, não tem nada a fazer. Esta ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenir é impedir os casos que são evitáveis.

Uma vez suicida, sempre suicida. A elevação do risco de suicídio costumas ser passageira. Pessoas que já tentaram o suicídio podem viver uma longa vida saudável.

Leia MaisSuicídio entre os profissionais da saúde é situação críticaSuicídio: um drama mundial e silenciado que clama aos céusO suicido é hereditário. Não existem fatos científicos que provem este fato. No entanto, uma história familiar de suicídio é um fator de risco importante, bem como a existência de tentativas anteriores. Isso pode estar relacionado com um luto inacabado infância, um comportamento aprendido diante de situações limite ou a existência de um tabu familiar sobre o tema.

* As pessoas que se suicidam são egoístas e covardes. Em geral as pessoas que tiram a própria vida é para acabar com um sofrimento intenso, do qual não vê outra saída quem não seja a morte. Trata-se na maioria das vezes, de um ato de desespero, condição que reduz opções, vínculos com pessoas queridas e esperança no futuro.

* Quem tenta se suicidar sempre em um distúrbio mental. Estudos mostram que cerca de 90% das pessoas que se matam, sofrem de algum transtorno mental. Por outro lado, a maioria das pessoas que sofrem de problemas deste tipo não colocam fim à própria vida. Portanto, os distúrbio mentais tem um papel fundamental na grande maioria dos casos, mas o que pode levar ao suicido é a fatal combinação com outras circunstâncias pessoas e ambientais adversas.

* Quando a pessoa sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo. O período após a tentativa é muito perigoso, uma vez que existe maior possibilidade de a pessoa tentar novamente. Existem muitas pessoas que após uma tentativa de suicida, conseguem se reestrutura, aceitando um acompanhamento psiquiátrico e ou psicológico, e aprendem a lidar e a conviver com o sofrimento. Em casos de depressão, estima-se que entre 35% e 50% das pessoas com comportamento suicida têm a doença, o momento inicial de tratamento requer muito cuidado, já que a pessoa ainda está doente, não curada, mas volta a ter iniciativa, que pode levar ao suicídio. (continua)


Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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