Opinião

Pensamento crítico e seguimento da Doutrina: são conciliáveis?

Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)

Escrito por Júlio Egrejas

03 DEZ 2021 - 14H59 (Atualizada em 03 DEZ 2021 - 17H03)

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Leia MaisComo saber a hora dar fim a um relacionamento?Gerando uma cultura do agradecimentoAlgumas pessoas dizem que, se alguém desenvolvesse o hábito do pensamento crítico, não encontraria sentido em seguir uma doutrina e, consequentemente, também não veria sentido em seguir uma determinada religião. Será que faz sentido um raciocínio desses? Vejamos.

O que é uma doutrina? A palavra está relacionada com o verbo latino docere, que quer dizer ensinar, demostrar com argumentos. A doutrina seria o conjunto de conhecimentos que são aprendidos, interiorizados e logo demonstrados por quem é doctus, ou seja, conhece a verdade do assunto de maneira certa e profunda. Não à toa, nos graus de formação acadêmica, o de Doutor ocupa um lugar elevado, não é mesmo?

Ora bem, é correto ou incorreto acudir e prestar a nossa atenção a quem é realmente douto em um assunto? É algo que nos favorece ou nos contraria como pessoas? Lamentavelmente no mundo de hoje, através de um constante bombardeio que busca subverter o que vale pelo que não vale, somos lentamente manipulados a desconfiar do que é douto. Será porque é muito difícil? Será porque pode nos levar a nos confrontar com o que é verdadeiro? Ou será porque exige tempo, dedicação, estudo, confrontação, leitura e, sobretudo, humilde abertura para reconhecer o que ainda não sei? Parece que mais fácil é mesmo etiquetar o que é douto de opressor, dogmático (como se fosse um insulto), fundamentalista e outros nomes para disfarçar nosso terror moderno a tudo que significa conhecimento certo e seguro.

O fato é que nem sempre é fácil ser discente, ou seja, aprendiz, aluno, e me confrontar com o doutor e sua doutrina. É mais fácil etiquetá-lo e “matar a aula”, não é mesmo? Não fomos mesmo, nesta nossa era, levados a uma velada, porém real, rejeição desconfiada do professor/doutor?

Portanto, o termo “seguir uma doutrina”, se quer dizer escutar a quem é douto, e fazer as contas com a verdade que ele transmite, não tem nada de errado. Pelo contrário, assegura que o caminho de aprendizado seja fecundo.

.:: O que tem me escravizado hoje? Eu me dou conta disto?

E o pensamento crítico? Crítica vem do substantivo grego krísis que quer dizer eleição, decisão, e de seu verbo krínein que quer dizer distinguir, decidir. Ora, desde quando sentar-se a escutar o douto, seja uma pessoa douta ou um livro douto, significa não discernir? É bem verdade que outro valor subvertido, nos nossos tempos atuais, é o da razão e sua capacidade de conhecer a verdade.

Se formos considerar o itinerário de quem conquistou o conhecimento de um assunto, de quem é douto, vamos ver que não lhe faltou exercício de discernimento, de análise, de crítica séria segundo uma razão reta. Por que tudo isto faltaria ao aprendiz no seu igual caminho de abrir-se à verdade das coisas?

Busca da doutrina e pensamento crítico são irmãos, aliados no único caminho de discernir o que é certo do que é errado, discernir a verdade da ilusão. Por que querem nos fazer pensar que estes dois estão separados? Quem se beneficia desta errada e artificial separação inventada?

Escutar quem é douto, acolher seu conhecimento e doutrina, aplicando o pensamento crítico: eis aqui pedras fundamentais de uma fecunda formação de vida.

Escrito por
Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)
Júlio Egrejas

Júlio Egrejas nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1975, é membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1993. Desde 2012 mora em Petrópolis, e participa do Movimento de Vida Cristã, onde realiza diversos serviços de evangelização e formação Cristã, com destaque para o Curso Católico de Oração e Espiritualidade. Atualmente está terminando a dissertação em vistas ao Mestrado em Direito Canônico.

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