Por Redação A12 Em Santo Padre Atualizada em 18 JAN 2018 - 10H17

Francisco mantém discurso de proximidade e atenção aos sofrimentos do povo chileno

Desde que chegou ao Chile na última segunda-feira (15) Francisco tem mantido um discurso de proximidade e atenção aos problemas enfrentados pelo povo chileno.

Uma das questões evidenciadas pela grande mídia, a questão dos abusos sexuais por membros da Igreja, foi tema de um discurso do Papa e também de um pedido de perdão às vítimas.

“Não posso deixar de expressar o pesar e a vergonha que sinto perante o dano irreparável causado às crianças por ministros da Igreja. Desejo unir-me aos meus irmãos no episcopado, porque é justo pedir perdão e apoiar, com todas as forças, as vítimas, ao mesmo tempo que devemos nos empenhar para que isso não volte a se repetir", disse o pontífice a autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, no Palácio La Moneda, na terça-feira (16).

Francisco ainda quis manifestar sua proximidade, em um encontro na Nunciatura Apostólica de Santiago, com um pequeno grupo de vítimas de abusos sexuais. Com eles, "conversou, rezou e chorou", informou a Sala de Imprensa da Santa Sé, já que o encontro foi realizado de forma privada.

Vatican Media
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Papa no Aerodrómo de Maquehue, em Temuco.

Francisco também falou com o povo Mapuche, a etnia mais importante do Chile, na quarta-feira (17), na missa realizada no aeroporto de Maquehue, em Temuco. Os povos desta terra reivindicam a restituição de territórios ancestrais.

Foi nessa missa que Francisco pediu unidade diante do conflito e da divisão ao comentar a passagem em que Jesus pede ao Pai que "todos sejam um só" (cf. Jo 17,21):

"Hoje queremos agarrar-nos a esta oração de Jesus, queremos entrar com Ele neste horto de dor, também com as nossas dores, para pedir ao Pai com Jesus: que também nós sejamos um só. Não permitais que nos vença o conflito nem a divisão", exortou.

Em uma parte da homilia, ele citou ainda uma canção de Violeta Parra - a mais importante folclorista chilena - "Arauco tiene una pena", que retrata a opressão sofrida pelos mapuches no sul do país.

"Esta terra, se a virmos com olhos de turista, deixar-nos-á extasiados, mas depois continuaremos a nossa estrada como antes, recordando-nos das lindas paisagens que vimos; se, pelo contrário, nos aproximarmos do solo, ouvi-lo-emos cantar: 'Arauco tem uma pena que não posso calar, são injustiças de séculos que todos veem aplicar'", disse.

Francisco quis também pontuar que a celebração no aeroporto de Maquehue, que já abrigou um centro de detenção e tortura durante os anos da ditadura de Augusto Pinochet, era dedicada a memória dos que ali sofreram.

"Neste aeródromo de Maquehue, onde se verificaram graves violações de direitos humanos. Oferecemos esta celebração por todas as pessoas que sofreram e foram mortas e pelas que diariamente carregam aos ombros o peso de tantas injustiças", enfatizou. 

Vatican Media.
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Francisco coloca fita vermelha na Cruz do Chile, sinal do sangue derramado por Cristo.

A visita do Santo Padre ainda guardou momentos de profunda alegria, como o encontro com os jovens, onde pediu uma maior protagonismo deles na Igreja de seu país.

"Quanta necessidade tem a Igreja chilena de vós, para nos ‘sacudirdes’ e ajudardes a estar mais perto de Jesus!".

Francisco parte nesta quinta-feira (18) para Iquique, onde presidirá uma missa em Campos Lobito. No final do dia, a comitiva papal parte para o Peru, onde de sexta a domingo mantém uma agenda que tem como destaque, o encontro no Coliseu Regional Madre de Dios com os povos da Amazônia, na cidade fronteiriça de Puerto Maldonado.


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