Por Elisangela Cavalheiro Em Santo Padre

Papa atende jornalistas em voo de regresso a Roma

papa_vooDurante a viagem de regresso a Roma, nesta segunda-feira, 26, o Papa Francisco concedeu entrevista a jornalistas de diversos veículos internacionais. Por mais de uma hora o Santo Padre respondeu a perguntas que na maior parte não diziam respeito à sua peregrinação para a Terra Santa mas sobre assuntos pontuais da Igreja Católica.

Sobre os gestos manifestados na Terra Santa, o Papa recordou o convite feito aos presidentes de Israel, Shimon Peres e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas para um encontro no Vaticano, encontro que ainda não tem data definida.

“Os gestos mais autênticos são os que não se pensam, mas os que acontecem. Algumas coisas, por exemplo, o convite aos dois presidentes à oração, isto estava sendo pensado, mas havia muitos problemas logísticos, muitos, porque é preciso levar em consideração o território onde se realiza, e não é fácil. Isso já se programava, mas no fim saiu o que espero que seja bom. Será um encontro de oração e não para fazer mediação”, disse aos jornalistas.

A respeito da relação com os ortodoxos, o Pontífice destacou que a unidade não se constrói discutindo questões teológicas.

“Com Bartolomeu falamos de unidade, que se faz em caminho, jamais poderemos fazer a unidade num congresso de Teologia. Ele confirmou-me que Atenágoras realmente disse a Paulo VI: ‘vamos colocar todos os teólogos numa ilha e nós prosseguiremos juntos’. Devemos nos ajudar, por exemplo, com as igrejas, inclusive em Roma, onde muitos ortodoxos usam igrejas católicas. Falamos do concílio pan-ortodoxo, para que se faça algo sobre a data da Páscoa. É um pouco ridículo: ‘Quando ressuscita o seu Cristo? O meu na semana que vem. O meu, ao invés, ressuscitou na semana passada’. Com Bartolomeu falamos como irmãos, nos queremos bem, contamos as dificuldades do nosso governo. Falamos bastante da ecologia, de fazermos juntos um trabalho conjunto sobre este problema".

O Santo Padre respondeu ainda a diversos temas. Confira alguns pontos:

Abusos contra menores “Neste momento, há três bispos sob investigação e um deles, já condenado, tem a pena em estudo. Não há privilégios neste tema dos menores. Na Argentina, chamamos os privilegiados de ‘filhos de papai’. Pois bem, sobre este tema não haverá filhos de papai. É um problema muito grave. Um sacerdote que comete um abuso, trai o corpo do Senhor. O padre deve levar o menino ou a menina à santidade. E o menor confia nele. E ao invés de levá-lo à santidade, abusa. É gravíssimo. É como fazer uma missa negra! Ao invés de levá-lo à santidade, o leva a uma problema que terá por toda a vida. Na próxima semana, no dia 6 ou 7 de julho haverá uma missa com algumas pessoas abusadas, na Santa Marta, e depois haverá uma reunião, eu com eles. Sobre isto se deve prosseguir com tolerância zero.”

Celibato dos padres “Há padres católicos casados, nos ritos orientais. O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que eu aprecio muito e creio que seja um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, há sempre uma porta aberta.” Eventual renúncia “Eu farei o que o Senhor me dirá de fazer. Rezar, buscar a vontade de Deus. Bento XVI não tinha mais forças e, honestamente, é um homem de fé, humilde como é, tomou esta decisão. Setenta anos atrás os bispos eméritos não existiam. O que acontecerá com os Papas eméritos? Devemos olhar para Bento XVI como uma instituição, abriu uma porta, a dos Papas eméritos. A porta está aberta, se haverá outros ou não, somente Deus sabe. Eu creio que um Bispo de Roma, ao sentir que lhe faltam forças, deva fazer as mesmas perguntas que o Papa Bento fez.”O Papa Francisco confirmou ainda que além da viagem à Coreia do Sul em agosto, voltará à Ásia em janeiro de 2015, para visitar o Sri Lanka e as regiões afetadas pelo tufão nas Filipinas. Já sobre a beatificação de Pio XII, disse ter sido informado de que ainda não há o milagre reconhecido para que a causa avance.

Nesta terça-feira, 27, o Papa repetiu o mesmo gesto que fez antes de viajar para a Terra Santa, e dirigiu uma prece na Basílica de Santa Maria Maior em Roma, onde está exposto o ícone de Maria ‘Salus Populi romani’, que significa ‘Protetora do Povo romano’. Aos pés da Imagem colocou um ramo de flores.

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