Santo Padre

Papa: “caridade deve orientar o progresso”

Na Audiência Geral, Leão XIV refletiu sobre o progresso humano, a fé, o trabalho e a proteção de crianças migrantes.

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Escrito por Redação A12

23 SET 2026 - 08H43

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Cerca de 25 mil pessoas participaram da Audiência Geral desta quarta-feira (23) na Praça São Pedro, no Vaticano. Durante o encontro, o Papa Leão XIV deu continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II.

Desta vez, o Pontífice refletiu sobre o valor da atividade humana no mundo. O tema envolve também os avanços científicos, tecnológicos e sociais.

A catequese teve como base o terceiro capítulo da Constituição Pastoral Gaudium et spes, intitulado “A atividade humana no mundo”.

O ser humano é agente de progresso

Segundo Leão XIV, a capacidade humana de transformar a realidade está ligada à inteligência e à liberdade recebidas de Deus.

“Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é um agente de progresso. Com a liberdade e a inteligência, ele amplia os seus conhecimentos, fazendo assim progredir toda a sociedade”, afirmou o Papa.

O Pontífice destacou que esse desenvolvimento pode ser percebido nas mudanças ocorridas ao longo das gerações. Entre elas estão as melhorias nas condições de vida e o avanço do conhecimento.

A partir da reflexão do Concílio Vaticano II, Leão XIV também ressaltou que Deus e o ser humano não estão em lados opostos. “O ser humano e Deus não são rivais”, reiterou.

Fé cristã e progresso científico

Durante a catequese, o Papa explicou que o desenvolvimento científico e tecnológico não precisa ser visto como uma ameaça à fé cristã.

A Gaudium et spes apresenta uma compreensão positiva da atividade humana. Para o Concílio, as conquistas da humanidade podem revelar a grandeza de Deus.

Nesse sentido, a criação não aparece como uma realidade concluída. Ela está in statu viae, expressão em latim que significa “em caminho”.

De acordo com essa perspectiva, homens e mulheres participam do desenvolvimento do mundo por meio de suas ações. Essa responsabilidade exige inteligência, liberdade e atenção ao bem comum.

Trabalho também pode ser caminho para Deus

Leão XIV também abordou a relação entre a vida cotidiana e a busca por Deus.

O encontro com Deus não exige o abandono das atividades do mundo. O trabalho e as responsabilidades diárias podem fazer parte da vocação de cada pessoa.

Para o Papa, o cotidiano também pode ser vivido como espaço de santificação.

Dessa forma, há a valorização do trabalho humano dentro da própria realidade social. As tarefas de cada dia podem ganhar um sentido mais amplo quando realizadas com responsabilidade e atenção ao próximo.

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Caridade deve orientar o progresso

Outro ponto central da catequese foi a relação entre desenvolvimento e dignidade humana.

O progresso científico e tecnológico precisa estar a serviço das pessoas. Para Leão XIV, a caridade deve orientar esse processo.

O objetivo é promover condições de vida dignas para todos. A atenção deve alcançar de modo especial as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Assim, o desenvolvimento humano não pode ser medido apenas pelos avanços técnicos. Ele também envolve a capacidade de colocar conhecimento e recursos a serviço do bem de toda a sociedade.

Ao concluir a catequese, o Papa destacou a importância de compartilhar conhecimento e capacidades.

“Queridos irmãos e irmãs, o Concílio Vaticano II convida-nos a partilhar o pão do conhecimento e do saber-fazer, para que cada homem e cada povo possa desenvolver o seu potencial e, juntos, possamos construir, com a ajuda de Deus, um futuro melhor.”

Papa recorda crianças migrantes e refugiadas

Ao final da Audiência Geral, Leão XIV também recordou o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. A data será celebrada no domingo, 27 de setembro. Com o tema “Mesmo uma só destas crianças”, o Papa chamou atenção para a situação de menores forçados a deixar suas casas.

Segundo ele, crianças e adolescentes enfrentam “violência, tortura, exploração” e, em muitos casos, “não raro perdem a vida ao longo das rotas migratórias”. Diante desse cenário, fez um apelo à responsabilidade coletiva: “que cada um se sinta envolvido na vida destas crianças”.

A mensagem do Pontífice destaca ainda a necessidade de proteger a dignidade e os direitos dos menores durante os deslocamentos. O tema deste ano busca colocar as crianças no centro da atenção diante dos fluxos migratórios.

Em sua mensagem para a data, publicada em agosto, Leão XIV também defendeu a proteção, a reunificação familiar e o respeito à identidade cultural. O Papa pediu uma “mudança de perspectiva”, com prioridade para “a proteção e a dignidade de cada criança e adolescente” e para o “princípio do interesse superior do menor”.

Reze: Oração pelo migrante

Fonte: Vatican News

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