Santo Padre

Papa Leão XIV aproxima Igreja, arte e cultura pop na Espanha

Viagem Apostólica faz Leão XIV, Bad Bunny e Antonio Banderas cruzarem caminhos na Espanha e revelam uma reflexão atual sobre fé e cultura pop

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Escrito por Beatriz Nery

08 JUN 2026 - 11H06

Vatican News

A viagem do Papa Leão XIV à Espanha, de 6 a 12 de junho, tem chamado atenção por diversos motivos. Além dos compromissos ligados à migração, à espiritualidade e ao papel da Europa no cenário atual, a visita também deu o que falar a respeito de nomes conhecidos da cultura contemporânea, como o cantor Bad Bunny e o ator Antonio Banderas.

Como Bad Bunny vai ser rei do pop se tem o Papa?

Um dos assuntos mais comentados da viagem surgiu após o Papa responder a uma pergunta durante o voo sobre Bad Bunny.

Os shows do artista porto-riquenho acontecem nos mesmos dias em que o Papa está em Madri.

Veja a resposta bem humorada de Leão XIV:

Existe uma possibilidade de que o cantor porto-riquenho e o Santo Padre se encontrem. Por isso, autoridades civis e eclesiais passaram a considerar formas de aproximar os dois eventos. O cardeal José Cobo afirmou que um encontro entre ambos é possível e destacou que a iniciativa poderia ajudar a "construir pontes".

Segundo representantes da Arquidiocese de Madri, Bad Bunny também manifestou interesse em conhecer o Pontífice.

Entre as possibilidades estudadas está uma transmissão ao vivo ligando a vigília dos jovens presidida pelo Papa, na Plaza de Lima, a um dos shows do cantor na capital espanhola.

Embora nada tenha sido confirmado oficialmente, a expectativa continua alta.

As raízes católicas do astro porto-riquenho

Nascido como Benito Antonio Martínez Ocasio, Bad Bunny cresceu em uma família católica. O cantor já contou que a fé vivida por sua mãe marcou profundamente sua infância. Durante anos, participou do coral da igreja de sua comunidade.

Com o passar do tempo, afastou-se da prática religiosa institucional. Ainda assim, em entrevistas, reconheceu a importância da espiritualidade em sua história pessoal.

Essa aproximação possível com o Papa chama atenção justamente por reunir dois universos que muitas vezes parecem distantes: a cultura pop e a experiência de fé.

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Antonio Banderas fala sobre arte, fé e esperança

Outro momento marcante da viagem aconteceu durante o encontro "Tecendo Redes com o Mundo da Cultura, Arte, Economia e Esporte" no domingo (7). Diante de Leão XIV, Antonio Banderas compartilhou uma reflexão pessoal sobre a relação entre arte e espiritualidade.

Ao recordar sua infância em Málaga e as celebrações da Semana Santa, o ator que é também produtor, cantor e diretor de cinema espanhol explicou como nasceu nele uma das perguntas mais importantes da vida.

"A arte tem sido — e deve continuar a ser — o espelho que reflete vidas que passam despercebidas por nossos semelhantes feridos. É também uma denúncia de credos vazios que se esqueceram do amor. É um alerta para sociedades que se acostumaram à injustiça.”

A fala sintetizou a mensagem apresentada pelo artista: a arte possui a capacidade de levar as pessoas a olhar para dentro de si e buscar respostas para as grandes questões da existência.

Banderas também destacou que sua primeira experiência com o transcendente surgiu ainda criança, observando a devoção popular nas procissões espanholas.

“Para isso, preciso voltar no tempo às celebrações da Semana Santa na minha amada Málaga, na década de 1960. E foi ali, Santo Padre, dentro desse contexto de arte popular anônima, quando eu tinha apenas 4 ou 5 anos, nasceu em mim uma pergunta que continha apenas uma palavra: Deus?”.

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Um chamado à profundidade em tempos acelerados

Ao abordar os desafios atuais, o ator refletiu sobre a necessidade de preservar o humano em uma sociedade envolvida pela velocidade e pelas novas tecnologias.

"Num mundo acelerado, fragmentado e, por vezes, excessivamente simplificado, a arte ajuda-nos a recuperar a profundidade e a alma que nos são roubadas pelas inteligências artificiais."

Para Banderas, a arte continua sendo um caminho capaz de despertar perguntas essenciais sobre identidade, amor, sofrimento e transcendência.

Ele também ressaltou que artistas e cristãos compartilham uma responsabilidade comum: olhar com atenção para a realidade humana e suas feridas.

"Precisamos continuar criando e compartilhando. Precisamos continuar fazendo perguntas. Continue buscando a beleza, sim, mas também a verdade."

Ao encerrar seu discurso, Banderas afirmou estar ali diante de "Godspell", uma peça de teatro musical criada nos Estados Unidos, país de origem de Leão XIV. A tradução de Godspell para o espanhol é "El Hechizo de Dios" (O Feitiço de Deus). E parafraseou:

"Estou aqui hoje confessando ter sido vítima do feitiço de Deus."

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Fonte: Vatican News/Instituto Humanitas Unisinos

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