No coração do Rio de Janeiro, um santuário mantém uma missão de um século de adorar Jesus Eucarístico 24 horas por dia.
No novo episódio do projeto “Em Teu Santuário”, do Portal A12, a viagem é até o Santuário Nacional do Coração Eucarístico de Jesus, localizado na Igreja de Sant’Ana, no Centro da capital fluminense.
A origem do santuário remonta ao início da década de 1920, quando o então Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, conheceu a Congregação do Santíssimo Sacramento e sua obra de Adoração Perpétua.
Naquele período, a congregação já atuava em países da América do Sul, como Argentina e Chile. Movido por sua devoção à Eucaristia e inspirado pelo carisma de São Pedro Julião Eymard, fundador da congregação e conhecido como o “Apóstolo da Eucaristia”, segundo o reitor do santuário, Pe. José Laudares, SSS:
“O sonho de Dom Sebastião Leme era que o Rio de Janeiro, naquela época capital federal do Brasil, fosse agraciado com este dom de ter um santuário nacional para adorar Jesus 24 horas por dia.”
Em 1922, o arcebispo convocou um Congresso Eucarístico Arquidiocesano para preparar os fiéis para a implantação da obra.
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Desde o início, a espiritualidade do santuário uniu a adoração eucarística à devoção mariana. Pe. José recorda que essa orientação vem do próprio fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento.
“Jamais separar o nosso amor, a nossa adoração a Jesus, do amor e da nossa devoção à Sua Mãe, a Santíssima Virgem Maria”, rezava São Pedro Julião Eymard.
Em 3 de maio de 1926, a Adoração Perpétua foi oficialmente iniciada na igreja de Sant’Ana. O local serviria inicialmente como sede provisória, mas a presença de Jesus Eucarístico permaneceu no local e atravessou gerações.
“Quis Nosso Senhor e Nossa Senhora e a Vovó de Jesus, a Senhora Sant’Ana, que o Seu Filho permanecesse aqui há 100 anos, como está até hoje, exposto dia e noite no altar-mor da nossa Igreja”, afirmou o Padre.
A título de curiosidade, Cardeal Leme também tem uma relação próxima com a Mãe Aparecida. Foi ele, que em 1929, apresentou aos Bispos durante o II Congresso Mariano a proposta para pedir à Santa Sé que declarasse Nossa Senhora Aparecida a Padroeira do Brasil, declaração que foi aceita e realizada em julho de 1930 pelo Papa Pio XI. |
Um centenário marcado pela renovação
O ano jubilar dos 100 anos também representa um momento de renovação para a comunidade. Durante a pandemia, a manutenção da Adoração Perpétua exigiu adaptações e apoio de comunidades religiosas contemplativas.
“Tivemos muitas dificuldades durante a pandemia por causa do isolamento total. Não podíamos ter os grupos aqui presentes”, contou o Pe. José Laudares.
Mesmo diante das restrições, a adoração foi mantida com o auxílio de transmissões online e da colaboração de religiosas carmelitas e beneditinas. Agora, o movimento voltou a crescer.
“Graças a Deus, aos poucos, estamos retomando e agora já temos a presença de adoradores de dia e de noite aqui no Santuário”, disse o Padre.
A prática da Adoração Perpétua recebeu forte apoio do Papa Bento XVI. Na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, publicada em 2007, o Pontífice destacou que a adoração e a contemplação são um prolongamento natural da celebração eucarística.
Para Bento XVI, a comunhão com Cristo conduz naturalmente à adoração. Por isso, incentivou paróquias e dioceses a ampliarem os espaços dedicados à presença eucarística, fortalecendo a vida espiritual dos fiéis.
Entre as riquezas espirituais e históricas do santuário está a presença dos restos mortais de Santa Prisciliana.
O precioso relicário chegou ao Rio de Janeiro como presente do Papa Gregório XVI à Paróquia de Sant’Ana, o Santuário do Coração Eucarístico de Jesus, por intermédio de Monsenhor Manoel Joaquim de Miranda Rego.
O corpo da santa recebeu um revestimento de cera que reproduz a aparência de uma jovem de aproximadamente 16 anos. Também acompanha a relíquia uma ampola contendo areia misturada ao sangue da mártir.
A transladação para a Igreja de Sant’Ana ocorreu em 16 de maio de 1846 e foi descrita pelos registros da época como uma das maiores solenidades religiosas já vistas na cidade.
Até hoje, Santa Prisciliana permanece como um dos tesouros mais valiosos do patrimônio religioso do Rio de Janeiro.
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