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A “infiorata storica” romana: os tapetes de São Pedro e São Paulo

Tapetes de flores colorem a entrada do Vaticano unindo arte efêmera, fé e tradição popular

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Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

29 JUN 2026 - 09H03 (Atualizada em 29 JUN 2026 - 10H09)

Reprodução/ Vatican News

A conhecida Infiorata Histórica de Roma é um evento anual realizado quase sempre no dia 29 de junho, por ocasião da festa de São Pedro e São Paulo, transformando a Praça Pio XII e a Via della Conciliazione, que se abre diante da Basílica de São Pedro, no Vaticano, num majestoso tapete de flores.

Nessa ocasião acontece uma grande manifestação de arte e de fé, com pinturas e tapetes formados de flores multicoloridas, dedicados ao tema escolhido. Em 2025, por exemplo, o tema foi relacionado com o Jubileu da Esperança. Para 2026, o tema é a paz, em referência ao contexto atual marcado por conflitos.

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A iniciativa é organizada pelo Pro Loco de Roma Capital em colaboração com a UNPLI, União Nacional de Pro Loco da Itália, envolvendo delegações regionais que, juntamente com os anfitriões, dão vida a magníficas composições feitas com flores, aparas, frutas, açúcar, sal, areia e outros materiais.

O Pro Loco de Roma é uma associação local, sem fins lucrativos, dedicada à valorização histórica, cultural, turística e artística da capital italiana. A expressão latina pro loco significa “em favor do lugar” e identifica, na Itália, entidades que promovem tradições, festas populares, eventos culturais e iniciativas de preservação da memória e da identidade dos territórios.

A exemplo dos tapetes de Corpus Christi, que são feitos em muitas cidades do Brasil, as obras são criadas a partir do final da tarde do dia 28 de junho, num trabalho intenso que continua durante toda a noite e madrugada, até ser concluído e inaugurado na manhã do dia seguinte.

Reprodução/ Vatican News Reprodução/ Vatican News

História e tradição

A tradição dos tapetes de flores nasceu em 1625, na Basílica de São Pedro. Tempos depois deixou de ser coberta pelo Pro Loco de Roma. Hoje o trabalho envolve mestres floristas de toda a Itália que atuam na criação de verdadeiras obras de arte, ainda que passageiras. Graças às fotografias, filmes e visualizações nas redes sociais, porém, permanecem para sempre. E as pessoas que puderam visualizar essas preciosas obras já ficam aguardando as novidades do próximo ano.

A primeira Infiorata da história foi criada por ocasião da festa patronal em 1625, pelo gerente da Floreria do Vaticano, Benedetto Drei, e por seu filho Pietro, no pontificado do Papa Urbano VII. Na ocasião, a Praça de São Pedro foi coberta de "flores picadas e dispostas de tal forma para imitar as obras de um mosaico", dedicado aos Santos Pedro e Paulo.

Quando Benedetto Drei morreu, foi sucedido pelo grande Gian Lorenzo Bernini, principal arquiteto das festas barrocas. Nesse período, "essa arte floral se espalhou de Roma" para os Castelos Romanos, depois para Genzano e Genazzano. A tradição de exposições de flores começou, assim, a se espalhar a partir de Roma, mesmo tendo deixado de ser feita lá, desaparecendo no final do século XVII.

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A Infiorata Storica de Roma, com seus tapetes multicoloridos e vivos, é uma expressão extraordinária de arte efêmera: tão clara quanto fugaz, a beleza de suas pinturas se desvanece após um dia, deixando uma lembrança indelével e irrepetível nos olhos dos espectadores que tiveram a sorte de presenciá-las.

A Infiorata continua sendo realizada como uma iniciativa para valorizar a criatividade, o artesanato floral e o patrimônio histórico e cultural da capital. Além disso, o evento une diferentes realidades do território italiano ligadas à paixão pela arte floral, criando um significativo momento de partilha e redescoberta de raízes.

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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