Sinodalidade

Como a inclusão fortalece o caminho sinodal

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Escrito por Laís Silva

11 AGO 2026 - 14H45 (Atualizada em 11 AGO 2026 - 16H20)

Arquivo pessoal

Falar sobre inclusão parece ser algo óbvio nos dias atuais, quando temos campanhas e informações sobre diversos diagnósticos e as dificuldades que cada pessoa enfrenta. Mas será que todos temos a consciência de que essa inclusão precisa sair da teoria e passar a ser praticada?

Nós vemos cada vez mais shoppings, lojas, restaurantes, clínicas e hospitais pensando nessa acessibilidade, mas e as igrejas? Como têm lidado com essa necessidade de incluir a todos?

A Igreja no mundo é convidada a percorrer o caminho sinodal, um processo em que estamos percorrendo juntos. Esse processo já passou por algumas etapas, a que hoje vivemos é a da implementação, a que movimenta e provoca as comunidades a aplicarem as diretrizes e os resultados do documento do Sínodo da Sinodalidade.

Em algumas paróquias espalhadas no Brasil e no mundo, encontramos a Pastoral da Inclusão, que acolhe pessoas com deficiência; esse é o caso da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Macaé (RJ), que faz parte da Diocese de Nova Friburgo.

Ariana do Sacramento Andrade Valadão, coordenadora diocesana da pastoral da inclusão na Diocese de Nova Friburgo e que também é uma mãe atípica, contou em entrevista ao A12 como a pastoral ajuda a concretizar o princípio de “caminhar juntos”, proposto pela sinodalidade.

“A Pastoral da Inclusão nos lembra que caminhar juntos significa não deixar ninguém para trás. Não basta dizer que a Igreja é para todos, é preciso criar condições para que todos realmente possam participar. Quando escutamos as pessoas com deficiência e suas famílias, conhecemos suas necessidades e buscamos formas de incluí-las na vida da comunidade, estamos vivendo esse 'caminhar juntos' de forma concreta”.

O saudoso Papa Francisco já dizia em muitos de seus discursos e homilias: “A Igreja é para todos”, uma verdade que aprendemos no ato de ser cristão. E a sinodalidade complementa essa ideia de uma Igreja que acolhe a todos, pois ela não só nos convida a acolher todas as pessoas, mas também a caminharmos juntos, lado a lado.

Infelizmente ainda encontramos dificuldade em fazer com que a inclusão aconteça em todos os lugares, e, de acordo com Ariana, isso acontece por falta de conhecimento em relação a saber como acolher.

“Acredito que um dos maiores desafios ainda seja a falta de conhecimento. Muitas vezes existe boa vontade, mas as pessoas não sabem como acolher ou como adaptar uma atividade. Também encontramos barreiras físicas, de comunicação e até de atitude. Às vezes, a pessoa com deficiência está presente na Igreja, mas não participa de fato. Inclusão não é somente permitir que ela esteja ali, mas fazer com que ela se sinta parte daquela comunidade”.

Os impactos da inclusão e do acolhimento

Ariana explicou que, desde que iniciaram as atividades de inclusão na comunidade, é possível perceber uma mudança de mentalidade nas pessoas, e isso influencia cada vez mais famílias a perceberem a necessidade de estar pronto para acolher a todos.

“Hoje existe mais interesse em aprender sobre inclusão e uma preocupação maior em acolher as pessoas com deficiência e suas famílias. Um sinal muito positivo é perceber que a inclusão deixou de ser uma preocupação apenas das famílias que vivem essa realidade. Outras pessoas começaram a compreender que essa é uma responsabilidade de toda a comunidade”.

Arquivo pessoal Arquivo pessoal

As ações vão desde Missa inclusiva, acolhimento na catequese, acolhimento da família até a possibilidade da pessoa com deficiência assumir seu protagonismo na Igreja. Todas essas ações contribuem para fortalecer o caminho sinodal.

“A Missa Inclusiva é uma delas, mas acredito que o mais importante seja quando a inclusão começa a fazer parte da vida comum da Igreja. Quando uma criança com deficiência participa da catequese com os apoios necessários, quando pensamos em diferentes formas de comunicação, quando uma família atípica é acolhida e quando a pessoa com deficiência também encontra espaço para servir, participar e exercer seu protagonismo dentro da comunidade. Para mim, isso é caminhar juntos”.

Para as paróquias que ainda não sabem como acolher as pessoas com deficiência, Ariana incentiva a dar o primeiro passo e se abrir ao diálogo.

“Eu diria que o primeiro passo é escutar as pessoas com deficiência e suas famílias. A partir daí, cada paróquia pode começar com ações simples: formar catequistas e agentes de pastoral, melhorar a acessibilidade, oferecer recursos de comunicação, adaptar a catequese quando necessário e preparar a comunidade para acolher melhor. Não é preciso esperar ter uma grande estrutura para começar. Muitas vezes, pequenas mudanças já fazem uma grande diferença”.

Ela ainda contou sua experiência como mãe atípica, vivendo a realidade da necessidade da inclusão nas igrejas e na comunidade.

“Como mãe atípica, eu vejo a inclusão de uma maneira muito concreta. Para uma família atípica, conseguir estar na Igreja já pode representar um grande desafio. Quando encontramos uma comunidade que acolhe nossos filhos como eles são, sem olhares de julgamento e sem exigir que eles se comportem como todas as outras pessoas, nós também nos sentimos acolhidos. A Igreja precisa ser esse lugar onde uma mãe não tenha medo de entrar com seu filho e onde ela saiba que existe espaço para ele”.

Ela completou relatando que muitas famílias sentem que estão incomodando e destacou que é preciso ver na pessoa com deficiência uma pessoa que é capaz de contribuir com a igreja.

Precisamos avançar principalmente na compreensão e na acolhida. Muitas famílias acabam se afastando porque já viveram situações de julgamento ou porque sentem que seus filhos incomodam. Precisamos de comunidades que conheçam essas realidades, que estejam dispostas a ouvir e que não vejam a pessoa com deficiência apenas como alguém que precisa receber cuidado. Ela também tem dons, pode participar, servir e contribuir com a Igreja”.

Ainda é preciso avançar muitos passos para conquistarmos um espaço ideal para todos, mas as pequenas iniciativas já incentivam iniciativas maiores. O caminho longo e por isso é necessário que todos continuem caminhando lado a lado.

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