Sinodalidade

Como fortalecer os conselhos paroquiais?

Os CPPs são organismos fundamentais no fortalecimento de uma Igreja Sinodal

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Escrito por Laís Silva

06 MAI 2026 - 08H00

Arquivo Pessoal / Laize Teixeira Marques

Em nossa caminhada sinodal, contamos com a participação de religiosos e leigos, em diferentes organismos e atividades em suas comunidades, os conselhos paroquiais fazem parte desses organismos da Igreja.

Fortalecer os conselhos paroquiais é essencial para cultivar uma Igreja mais participativa e alinhada com o espírito sinodal. Esses espaços não devem ser apenas consultivos ou burocráticos, mas verdadeiros ambientes de escuta, discernimento e decisão comunitária.

O Padre Antônio de Lisboa Lustosa, mestre em teologia pastoral, teologia prática, doutor em ciências da religião e professor, nos ajuda a compreender a importância dos conselhos paroquiais e como podemos fortalecê-los.

Os Conselhos Paroquiais de Pastoral (CPPs) são expressão concreta de uma Igreja Sinodal. Não são um ‘acessório organizacional’, mas um lugar teológico de escuta do Espírito que fala ao Povo de Deus. No horizonte do Vaticano II e do magistério pontifício recente, o CPP: torna visível a corresponsabilidade dos batizados na missão; ajuda a paróquia a passar de uma pastoral de conservação para uma Igreja em saída; favorece o discernimento comunitário sobre os desafios do território; impede o isolamento do pároco, inserindo-o num processo comunitário de decisão. Em chave sinodal, o CPP é mais um espaço de comunhão, participação e missão do que um órgão administrativo, afirma.

Para que o CPP funcione de maneira efetiva, é importante que padres e lideranças leigas compreendam o conselho como lugar de comunhão, onde diferentes carismas e experiências contribuem para a missão evangelizadora da paróquia.

É importante que o CPP não seja só algo bonito no papel, mas sim ações concretas nas comunidades.

“Dá para visualizar teoricamente um CPP ‘no papel’ que reúne-se de forma esporádica ou apenas formal; recebe decisões já prontas; limita-se a resolver questões imediatas; não escuta a comunidade nem lê a realidade; não gera processos, apenas reage a demandas.

Enquanto um CPP operante e sinodal é o que tem regularidade, método e finalidade missionária; pratica o ‘ver, julgar e agir’, iluminado pela Palavra; promove escuta real; participa do discernimento, não apenas da execução; acompanha processos e avalia caminhos; gera unidade pastoral, evitando fragmentações. A diferença está na passagem de um conselho consultado para um conselho envolvido no discernimento”, explica o Padre.

Arquivo Pessoal / Laize Teixeira Marques Arquivo Pessoal /  Laize Teixeira Marques


Laize Teixeira Marques participa da Paróquia São João Clímaco, na Arquidiocese de São Paulo. Dentro do Conselho Pastoral, ela contribui na missão de iniciação à vida cristã e na comissão Anúncio da paróquia.

Minha missão no Conselho Pastoral Paroquial é colaborar na construção de uma Igreja viva, participativa e missionária. Participo das reuniões representando a pastoral da qual faço parte e toda a comunidade, ajudando no planejamento das ações evangelizadoras da paróquia e, junto com os outros membros do conselho, discernimos sobre nossas ações pastorais, verificando o que precisamos fazer, o que precisamos melhorar para que Jesus e o Seu Evangelho seja anunciado. Também busco promover a comunhão entre as pastorais, incentivando a unidade e o compromisso com a missão da Igreja, conta.

Ela cumpre seu chamado de ser uma leiga participativa, contribuindo no fortalecimento da caminhada sinodal.

Acredito que a participação dos leigos no CPP contribui de forma essencial para o caminho sinodal. A sinodalidade nos chama a caminhar juntos, ouvindo uns aos outros e discernindo em comunidade. Quando os leigos participam ativamente, trazem suas realidades, experiências e percepções, enriquecendo as decisões e tornando-as mais próximas da vida do povo. Além disso, fortalece a corresponsabilidade na missão da Igreja, mostrando que todos têm um papel importante na evangelização e na construção do Reino de Deus”, pontua Laize.

Caminhos concretos para fortalecer conselhos pastorais

Existem inúmeros conselhos pastorais nas igrejas no Brasil, mas só a existência deles não garante uma ação efetiva, é preciso que eles sejam fortalecidos com ações e participantes engajados.

A tomada de decisão participativa também se fortalece quando há clareza nos processos e transparência nas informações. O processo de escuta, discernimento e compreensão da corresponsabilidade são partes fundamentais nesse caminho a ser percorrido.

Padre Antônio Lustosa explica que o pároco é chamado a exercer uma “autoridade serviço”, que não pode ser nem autoritária, nem omissa, mas sim serviço de comunhão. Ele indica alguns caminhos concretos para fortalecer os conselhos pastorais:

  • Criar espaços reais de escuta, onde todos possam falar com liberdade;
  • Valorizar a Palavra de Deus como ponto de partida (não apenas opiniões);
  • Promover processos, não decisões apressadas;
  • Saber integrar as contribuições no discernimento final;
  • Decidir, quando necessário, de modo claro, mas sempre em diálogo com o conselho.

Deste modo, o pároco não perde sua função, mas a qualifica: continua sendo o pastor próprio da comunidade; garante a unidade e a fidelidade eclesial; exerce o discernimento último, mas não isolado. É a passagem de “decidir sozinho”, isoladamente, para discernir com a Igreja que lhe foi confiada”, diz.

Conhecer a missão da Igreja, a realidade da paróquia, os documentos eclesiais e os princípios da sinodalidade ajuda a qualificar as discussões e decisões. Além disso, a formação humana e espiritual favorece relações mais fraternas, diálogo respeitoso e discernimento à luz do Evangelho, evitando disputas de poder ou decisões baseadas apenas em interesses pessoais.

:: Saiba mais sobre o caminho sinodal em a12.com/sinodalidade

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