Neste 5 de maio, a Igreja no Brasil recorda com gratidão os nove anos de páscoa definitiva daquela que ensinou o povo a cantar o Mistério Pascal. Religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, Irmã Míria T. Kolling aliou sua formação pedagógica a uma sensibilidade artística ímpar, tornando-se uma das maiores referências da música litúrgica pós-Concílio Vaticano II no Brasil.
Olhando para o vasto conteúdo que ela construiu, tendo, inclusive, colaborado com o Portal A12, mergulhamos nos pontos fundamentais de seu pensamento para compreender que sua música não era apenas som, mas uma extensão do Evangelho.
Falar da Irmã Míria Kolling é falar de uma "mística do som". Ela não compreendia a música como um elemento externo que se encaixa na Missa para torná-la mais agradável; para ela, a música era parte integrante da ação sagrada (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 112). “A música na liturgia deve nascer e estar a serviço da Palavra”, costumava ensinar.
Para honrar sua memória e aplicar seus ensinamentos hoje, destacamos cinco pontos fundamentais de sua compreensão sobre o canto e o rito:
Irmã Míria foi uma das maiores difusoras do conceito de música ritual. Ela diferenciava o "canto religioso" (aquele que ouvimos no rádio ou em shows) da "música litúrgica".
Para a religiosa, a melodia deve estar estritamente a serviço do texto e do momento celebrado. Se o canto não ajuda a assembleia a mergulhar no mistério do altar, ele perde sua razão de ser.
Em uma era de ruídos, Míria era conhecida por destacar o valor do silêncio. “O silêncio se faz música, e a música se faz silêncio.”
Seus ensinamentos sublinham que o silêncio sagrado não é ausência, mas presença. É nele que a nota musical encontra sua ressonância e o fiel encontra espaço para a interiorização da Palavra proclamada.
Ela combatia o "estrelismo" nas equipes de música. Para Irmã Míria, o canto é o coração da liturgia, porque é a voz da Igreja que se dirige ao seu Senhor.
O músico não é um solista, mas um servidor que empresta sua técnica para que o povo cante. Por isso, suas composições, embora ricas harmonicamente, sempre prezaram por melodias acessíveis à assembleia.
Um dos pontos mais profundos de sua didática refere-se à Liturgia da Palavra. Ela ensinava que a função do salmista é exigente: é preciso ser transparência da Palavra.
O canto não é um intervalo, mas uma resposta orante ao que Deus comunica. “A missa não é show, mas sim envolvimento de toda a comunidade, de toda assembleia”.
A composição musical, para Irmã Míria, era um ato de amor à Virgem Maria. Ao tratar de Nossa Senhora Aparecida, sua busca era traduzir o afeto do povo brasileiro em notas que soassem como um abraço.
Em suas composições, Maria aparece como a primeira cristã, aquela que ensina a Igreja a cantar o Magnificat com a vida.
Recordar a Irmã Míria T. Kolling nove anos após sua partida é, sobretudo, um chamado à responsabilidade. Ela foi uma grande referência, que nos deixou um caminho; cabe a nós, músicos e agentes de pastoral, estudar e aplicar essa mística. Que saibamos fazer da nossa música um verdadeiro sacrifício de louvor que agrade a Deus e santifique o povo.
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Fonte: SC/ IGMR
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