Muito se fala sobre a necessidade de sermos uma Igreja em saída, uma igreja missionária, mas será que estamos nos movimentando para tornar esse chamado uma realidade nas comunidades?
Nos últimos conteúdos de sinodalidade que produzimos, abordamos a conversão sinodal, que é um passo necessário para que a comunidade cristã seja uma comunidade verdadeiramente sinodal. O Padre José Carlos Pereira, CP, sacerdote passionista, segue nos ajudando a refletir sobre esse tema.
Ele afirma que ser uma Igreja em saída é “ser uma Igreja que não fique apenas na sacristia, isto é, preocupada exclusivamente com as rubricas litúrgicas e a tradição.”
E explica:
“A tradição é a identidade da Igreja, mas a Igreja não pode ficar presa à tradição, sem viver sua missão. Quando a liturgia (que reúne ritos e tradição), que é fonte e ápice da vida cristã (SC. n.10) não cumpre o seu papel, que é de unir o céu e a terra, e se resume em si mesma, nos rituais, ela se empobrece e empobrece a missão da Igreja, porque se fecha, se encrusta, e a Igreja se torna uma espécie de museu.”
O saudoso Papa Francisco convocou cada um de nós na missão de sermos uma Igreja em Saída e, quando ele nos pedia isso, queria que fôssemos ao encontro dos que estavam afastados da Igreja, e até mesmo aqueles que nunca nem entraram em uma. Ou seja, que chegássemos aos confins do mundo, sendo verdadeiramente missionários.
“Preocupar-se com essas pessoas é ter a mesma preocupação que Jesus teve e ser fiel a Ele. Jesus se voltou para os pobres e excluídos.” Pe. José Carlos nos lembra que o sinal mais evidente de que uma igreja alcançou a conversão sinodal é quando ela começa a ampliar seus horizontes para além de seus muros e estruturas. E isso não quer dizer que esse seja um caminho fácil, mas sim, necessário.
O Papa Francisco publicou no início de seu pontificado a Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium", e neste documento dizia que preferia “uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças.”
Com base nesse documento, o Padre explica que ali Francisco “já nos mostrava os caminhos da conversão estrutural necessária para a conversão sinodal.”
Pe. José Carlos ainda conta sobre sua experiência de ver bispos empenhados em fazer esse caminho de conversão pastoral, mas que infelizmente esse “desejo esbarra na dificuldade de atingir as bases, porque nem sempre os padres colaboram.”
“Há padres muito empenhados em caminhar juntos com a sua Diocese, se esforçando para aplicar na sua paróquia as orientações da diocese, porém, ainda há um número significativo deles que não tem essa mesma visão, que não se esforçam para a comunhão, e caminham de modo dissonante das propostas diocesanas.”
“Os frutos já começam a ser colhidos. Alguns deles foram supracitados, mas muitos ainda estão por vir. No entanto, o maior deles é a unidade nessa grande diversidade que consiste a nossa Igreja. Nosso país tem dimensões continentais, e conseguir a unidade num território tão vasto, com culturas, inclusive religiosa, tão diversificadas, não é nada fácil. Mas ninguém disse que seria fácil, nem Jesus. Ele disse, ‘quem quiser me seguir, tome sua cruz e me siga’", explica o padre.
Ele também fala que as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora funcionam como uma luz que orienta todas as comunidades e mostram a busca pela unidade. Depois do Sínodo, surgiram novas diretrizes que consideram seus resultados e também os desafios e esperanças do mundo atual, como o Jubileu da Esperança.
O Padre observa que nesse cenário, existem sementes que estão sendo plantadas, outras já estão crescendo e algumas até sendo colhidas. Isso mostra que há esperança:
“Enquanto houver quem semeia e cultiva, haverá colheita na certa, por mais árido que seja o solo. É certo que algumas sementes caem à beira do caminho e se perdem, que outras são sufocadas por pedras ou espinhos, mas é certo também que muitas caem em terra boa e geram muitos frutos.”
E finalizou sua contribuição com nosso projeto afirmando que as sementes do Sínodo foram semeadas.
“Muitas dioceses ainda estão semeando, outras já estão cultivando e muitas já estão colhendo, e a safra promete ser boa, porém, não sem desafios.”
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