A Igreja é chamada a viver a sinodalidade, mas nesse processo existe a necessidade de viver uma verdadeira conversão sinodal; por isso, é necessário saber que devemos compreender o que isso significa.
Em nossa caminhada de conteúdos sobre sinodalidade neste mês, vamos percorrer três conteúdos voltados para a explicação e compreensão da conversão sinodal. Para isso, convidamos o Padre José Carlos Pereira, CP, sacerdote passionista.
O religioso possui pós-doutorado em Antropologia Social, doutorado em Sociologia, mestrado em Ciência da Religião, bacharelado em Teologia e licenciatura plena em Filosofia, além da vivência em comunidades, que contribui para nos ajudar no caminho sinodal.
Ao explicar sobre o assunto, Pe. José Carlos mencionou que o Documento de Aparecida, já falava sobre uma necessidade de conversão na Igreja.
“Quando Aparecida fala de 'conversão pastoral' está, de certa forma, falando de 'conversão sinodal', já que foi constatado naquela ocasião que as paróquias estavam carecendo de ser mais missionárias, ter mais unidade, caminhar juntos numa mesma direção pastoral. Assim, a conversão sinodal já estava no âmago da V Conferência e o saudoso Papa Francisco tratou de evidenciar essa necessidade no Sínodo sobre a sinodalidade e, nesse ínterim, aplicar o Documento de Aparecida para a Igreja no mundo e não apenas na América Latina e Caribe, como a princípio se pretendia.”
Papa Francisco convocou os cristãos a percorrerem esse caminho com o Sínodo sobre a Sinodalidade, que continua seu processo hoje, no pontificado do Papa Leão XIV, que segue exortando a importância da sinodalidade na Igreja.
Pe. José Carlos destaca ainda que, apesar dos esforços, ainda existem obstáculos nesta jornada:
“O maior desafio continua a ser como experimentar a comunhão com Deus e com os irmãos num mundo de tantos conflitos e numa Igreja que ainda se mostra polarizada por questões de cunho político que afeta a missão pastoral.”
Uma forma simples de experimentar a comunhão com Deus e com os irmãos é “não desviar da proposta de Jesus que encontramos nos evangelhos”, explicou o padre; e completou: “A proposta de Cristo não pode ser manipulada de acordo com interesses pessoais ou ideológicos.
A palavra conversão significa mudança de rumo e direção; e quando trazemos ela para a realidade da Igreja no sentido de unidade “significa, na prática, saber separar as coisas, respeitando as diferenças e nos unindo naquilo que é comum.”
Pe. José Carlos afirmou que a comunidade católica não pode se dividir no seguimento de Cristo, não pode escolher qual líder religioso quer ser discípulo, porque nós somos discípulos de Cristo.
“Quem diz que é fiel a Deus, mas não comunga com a comunidade dos fiéis, com as propostas pastorais e doutrinais da Igreja, não está sendo sinodal. Da mesma forma que não dá para ser sinodal, isto é, caminhar junto enquanto grupo de pessoas, sem uma verdadeira comunhão com Deus, na pessoa de Jesus Cristo e de seus ensinamentos.”
O Padre afirma que os maiores obstáculos “continuam sendo as rivalidades políticas, as correntes dissonantes das propostas da Igreja do Concílio Vaticano II e movimentos de influência pentecostal que primam pelo individualismo, por uma fé ensimesmada, sem compromisso com a comunidade.”
Ele também aponta como obstáculo: líderes religiosos que abusam de poder, os que decidem quem pode ou não participar da Igreja; grupos fechados, conhecidos como “panelinhas”; paróquias que, mesmo após 60 anos do Concílio Vaticano II, ainda não têm conselhos pastorais e nem conselhos de assuntos econômicos, ficando somente o pároco tomando conta de tudo.
Esses são pontos que fazem a diferença para uma conversão e um caminho sinodal, para que todos possam juntos ter participação e corresponsabilidade dentro da Igreja.
Pe. José Carlos ainda cita exemplos que contribuem para essa caminhada sinodal na qual somos chamados a percorrer.
“Um dos maiores exemplos de comunhão que tenho visto é a gestão participativa, através de Conselhos em algumas paróquias. Os três principais pilares de uma paróquia, que promovem a comunhão, a participação e, consequentemente, a missão, são: Conselho Paroquial de Pastoral, Conselho de Assuntos Econômicos e Conselho Missionário. Paróquias que têm esses três Conselhos, e que os párocos seguem seus estatutos e caminham com as orientações da sua Diocese, são paróquias sinodais, que vivem a verdadeira comunhão pastoral. Essas mostram, na prática, a conversão em ação.”
“Humildade é a palavra-chave para viver a sinodalidade. Cada cristão precisa cultivar essa humildade que é resultado da fé”, explicou o Padre. Ele ainda recordou que Maria e José receberam o anúncio e se firmaram na obediência e no silêncio, seguindo este exemplo, a Escuta e Conversação no Espírito são tão importantes nesse caminhar para a sinodalidade.
Em entrevista ao A12, ele citou atitudes concretas que os cristãos devem cultivar:
Ser mais tolerantes;
Ser mais humano;
Ser mais fraterno;
Ser mais humilde.
add_circle Saiba mais sobre o Caminho Sinodal, acessando nossa página especial a12.com/sinodalidade
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