Por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R. Em Notícias

Missões e Religiosidade Popular: Fundamentos da Espiritualidade Redentorista

Missões Redentoristas em Bujaru, Pará. As expressões contidas no universo que os estudiosos chamam de Religiosidade Popular permitem que as pessoas vivam sua fé de uma forma afetiva ou renovada e, por isso mesmo, tornam-se muito incentivadas nas Missões Redentoristas. 

A religiosidade ou Piedade Popular tem a capacidade de levar as pessoas à vivência das Verdades de Fé ouvidas na pregação missionária, pois faz parte da “alma” do povo brasileiro, como expressão de uma religião mais afetiva e menos racional, onde pode expressar seus sentimentos de forma livre, facilitando o seu contato com Deus.

Pela religiosidade ou Piedade Popular com expressões recebidas dos portugueses, dos africanos e outras surgidas de uma mistura dessas influências, as pessoas podem expressar a alegria e a “festa” que representam a Missão Popular e com ela se pode realizar uma catequese em termos mais suscetíveis (Puebla, 959 a 963).

 

"A missão é a Festa da Fé!"

Em algumas regiões do Brasil canta-se um cântico missionário que diz exatamente assim: "Só nas Santas Missões nós temos, uma festa bonita assim; um começo de lá do céu, onde a festa não mais tem fim".

As Missões e a Religiosidade Popular

O início. Desde que as Missões Redentoristas foram introduzidas no Brasil, através dos missionários alemães e holandeses que para cá vieram no final do século XIX, um dos pontos chaves de sua atividade pastoral e de seus exercícios espirituais foi exatamente a valorização da religiosidade popular.

Desde o início a Religiosidade Popular, em suas diversas expressões, teve um lugar muito importante nas missões e isto logo foi percebido, pois ela, em suas diversas manifestações, permitia que as pessoas, sobretudo as mais simples e humildes, pudessem expressar a sua fé, exteriorizando-a em gestos concretos. 

No final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, havia a necessidade de se catequizar o povo, purificando sua fé, livrando-a de princípios ligados à supertições e outras formas de impurezas. Pela celebração da Religiosidade Popular foi possível ir formando o povo, renovando a sua fé, sem violenta-lo, purificando tantas expressões inúteis ou desnecessárias de fé e devoção.

Nas Santas Missões a religiosidade popular sempre significou a possibilidade de vivência e complementação das verdades ouvidas na pregação. Ex: se na pregação se falava de Maria como nossa mãe e modelo do cristão, pelas renovação da consagração com o uso de flres, de velas ou outro sinais exteriores, as pessoas se comprometiam em seguir seu exemplo, renovando suas vidas. Portanto, a religiosidade completava e levava à vivência da pregação.

Nos dias atuais. Dentro da psicologia das missões como evangelização de massa ou de Pastoral Popular, a religiosidade torna-se também fator de atração das pessoas. Pela religiosidade popular é possível motivar as pessoas a participar, congregando e trazendo-as para a Igreja. Dificilmente o brasileiro seria atraído por uma religião fria, racional, onde não pudesse expressar os seus sentimentos e exteriorizar a sua fé. Isto tornou-se possível pela celebração da religiosidade popular. Nos dias atuais, a religiosidade contribui para dar um sentido ao viver das pessoas num mundo carregado de contradições como é o mundo da Pós-Modernidade.

Quando os redentoristas chegaram ao Brasil em 1894 já encontraram aqui muitas formas pelas quais o povo expressava sua religiosidade, seja nos santuários como nas paróquias onde eram pregadas as missões. Aquilo que era ligado à Religiosidade Popular como as rezas, as ladainhas, promessas, caminhadas, bênçãos e outras expressões eram momentos e expressões privilegiadas de manifestação de fé popular.

Foto de: arquivo. 

Missionário em Ação

As Santas Missões sempre ajudaram o povo a purificar as expressões de sua fé.

 

Aos poucos os missionários foram aproveitando as muitas formas de religiosidade que aqui já havia, foram purificando as formas mais impuras e foram criando e acrescentando outras expressões mais próprias da espiritualidade afonsiana e redentorista que hoje fazem parte do dia a dia das Santas Missões.

Um missionário que muito fez neste sentido foi o Padre Estevão Maria. Ele,  percebendo o que ia de encontro com a “alma” do povo brasileiro, criou cerimônias e celebrações nas quais o povo podia expressar sua religiosidade. Ate hoje as cantorias fazem parte deste universo popular e algumas músicas religiosas do início ainda hoje são cantadas com gosto pelas pessoas das comunidades que recebem a graça das Santas Missões.

"Vinde pais, vinde mães, vinde filhos, vinde todas às Missões; são dias de misericórdia, são dias de consolação".

Basicamente assim podemos dividir as formas mais expressivas da religiosidade presentes nas Santas Missões, por influxo da Espiritualidade Redentorista.

Espiritualidade ligada a Encarnação de Cristo

Alguns exemplos: Na procissão das crianças e em sua catequese ordinária usa-se muito a imagem do menino Jesus como modelo de crescimento integral de todo ser humano. Nas pregações, nas procissões e nos cânticos reforça-se muito a participação de Maria no mistério de Cristo como mãe de Deus, imaculada e nossa coredentora. 

Espiritualidade ligada a Paixão se Cristo

Dentro da programação da 3ª fase das missões antes havia a reza da Via-Sacra e a meditação da Paixão de Cristo como incentivo para a VIDA DEVOTA. Além disso, ainda hoje se usa muito o crucifixo nas procissões, com destaque para a grandiosa Procissão Luminosa. Nos exercícios penitenciais também se exalta o amor de Deus por nós.

Foto de: arquivo. 

Andor do Crucificado

Ele não poupou seu próprio Filho,
que morreu na cruz pela nossa redenção.

Toda missão sempre termina com o levantamento do Cruzeiro Missionário e, em algumas comunidades ainda se propõe a entronização do crucifixo nos lares como sinal de compromisso e de perseverança. Outra cerimônia que também marca muito é a recepção da cruz missionária no primeiro dia da missão, além de seu uso em todos os exercícios da missão. A Cruz Missionária apresentada e aceita pelo povo, é sinal de seu compromisso com as Santas Missões.

Espiritualidade ligada a Eucaristia

Além da centralidade da celebração eucarística em todas as comunidades e em todos os dias das missões, antes se fazia a Comunhão Geral das diversas classes de pessoas. Ainda hoje se faz as Visitas ao Santíssimo, rezando-se a oração idealizada por santo Afonso. O povo ama receber a bênção do Santíssimo Sacramento e fazer seus atos de desagravos pelas injúrias e ofensas que o Santíssimo recebe em tantos lugares do mundo.

Ainda hoje se tem na quinta feira da última semana da 3ª fase das missões a Tarde Eucarística, onde possível se faz uma  Procissão Eucarística  e o povo se deixa tocar pela graça que provém deste sacramento.

Espiritualidade Mariana

São riquíssimas as expressões de Religiosidade Popular e as muitas expressões de devoção mariana entre nossa gente e entre os próprios missionários:

- Toda pregação missionária sempre é concluída com o missionário falando de Nossa Senhora.
- O sábado é dedicado à Nossa Senhora.
- No segundo dia das missões sempre se faz a recepção festiva da Imagem missionária e em muitos lugares é organizada uma guarda de honra a sua imagem.

Muitas vezes se renova a consagração, são realizadas procissões e se fala sobre o verdadeiro significado as promessas.

Simbolismo como expressão de fé e compromisso

Além das formas de expressão da religiosidade próprias da Espiritualidade Redentorista, como as que foram acima citadas e que são propagadas, nas missões também foram aproveitadas outras formas ou modos de expressão que já existiam no Brasil. Inclusive algumas formas antes consideradas como coisas “Profanas” foram e ainda são aproveitadas como o uso de foguetes na recepção dos missionários, na recepção da Imagem Missionária de Nossa Senhora, nas procissões, no dia do levantamento do Santo Cruzeiro, sempre dentro das mais estritas normas de segurança.

Nos dias das missões acontece um intensivo uso de bandeiras, de estandartes, fitas, balões coloridos e tantas outras formas de manifestação. Outras expressões de grande apelo junto as pessoas foram também aproveitadas como o uso de velas nas procissões, a aspersão com água benta nos momento de celebração dos sacramentais da Igreja.

Ainda hoje procede-se à benção de objetos religiosos e celebra-se outros momentos de bênçãos como das casas, água, doentes, medalhas e objetos de devoção, plantações, veículos e seus condutores. Algumas destas expressões da religiosidade popular tornaram-se decisivas para o sucesso das Missões Populares, especialmente aquelas que relacionavam-se com Nossa Senhora Aparecida. Por isso desde 1902 foi instituído o dia de Nossa Senhora nas missões e ela atrai atrás de si pessoas sedentas de uma palavra amiga, de perdão e de cura para seus males espirituais e temporais.

Foto de: arquivo. 

Altar da Graça

Ela continua atraindo a todos para a vivência do Evangelho de seu filho Jesus.

 

Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R. 
Equipe de Comunicação Santas Missões

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