Estudando os muitos escritos de Santo Afonso, em particular olhando os princípios que, segundo seu próprio testemunho, o orientavam na composição de seus livros, percebe-se que, de alguma forma, ele fez de tudo para extrair de suas obras literárias as qualidades brilhantes que atraem a atenção do leitor. Em termos de estilo, a simplicidade dificilmente poderia ter ido mais além!
Quanto à base de suas obras, Santo Afonso costumava preferir tomar emprestado de outros e emprestar a palavra a eles mesmos do que afirmar por conta própria. Sua grande obra, São Paulo, a princípio, parecia nada mais do que um comentário sobre o livro de Busembaum.
Suas próprias adições ou comentários, na verdade, são consideráveis e muito sábios. No entanto, geralmente não possuem a marcha magistral encontrada nos grandes escolásticos que escreveram após o Renascimento; uma observação que também pode ser aplicada a suas outras obras sobre teologia moral.
Suas obras dogmáticas se distinguem mais pela clareza de exposição do que pelo aparato científico. Além disso, ele não tinha o diferencial de ter sido formado em filosofia escolástica que, na sua época, não gozava de domínio exclusivo nas escolas de Nápoles.
Em suas obras ascéticas, o coração fala mais do que o espírito; a tendência prática habitualmente deixa em segundo plano o método e a organização lógica dos pensamentos. Os demais escritos, da mesma forma, geralmente não têm a amplitude que se admira em grandes escritores.
Se o estilo de seus escritos é tão simples, sem pompa científica, isso deve ser atribuído à sua profunda humildade. Afonso tinha o desejo de ser ignorado tanto quanto a glória de Deus e a utilidade sobrenatural do próximo lhe permitiam. Para comprovar, encontramos provas autênticas disso em algumas de suas palavras.
Página de rosto de uma das obras de Santo Afonso Maria de Ligório
Quando, escrevendo sua dissertação sobre livros proibidos, utilizou alguns dos materiais coletados pelo erudito Padre Alessandro Di Meo, foi questionado por que não havia incluído em sua obra todas as anotações cheias de erudição do Padre Alessandro. Ele respondeu: "Você quer que eu me apresente aos olhos do mundo como um cientista?"
Em outras palavras, era como dizer com São Paulo: "Quando vim entre vocês, irmãos, também não vim proclamar a vocês o mistério de Deus pela excelência da palavra ou sabedoria. Pois eu pensava não apresentar nada entre vocês além de Jesus Cristo e Cristo crucificado. Vim até vocês na fraqueza e com muito medo e apreensão. Minha palavra e pregação não se baseavam em palavras persuasivas de sabedoria, mas na manifestação do Espírito e de seu poder, para que sua fé não fosse fundada na sabedoria humana, mas no poder de Deus" (I Cor II, 1-2-4.).
Santo Afonso escreveu suas obras exclusivamente para a glória de Deus e para a salvação das almas, em um estilo simples que ainda as torna claramente legíveis, à distância de séculos ou de dois séculos e meio após sua composição.
Leia também: Obras de Santo Afonso alcançaram mais de 70 idiomas
Revista L’Ami du Clergé
Fonte: Tradução livre: Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.
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