Em Pagani, existe uma época do ano em que o passado parece não querer morrer. É quando chega a festa de Santo Afonso, nosso padroeiro. Então, toda a cidade se transforma num teatro ao ar livre.
Antes era um evento aguardado com a feliz ansiedade da infância. Não havia criança que não contasse os dias e as ruas, de repente eram adornadas com arcos luminosos que pareciam saídos de um conto de fadas. Cada bairro queria fazer o seu arco mais bonito e colorido.
Nas calçadas, as barracas eram uma atração irresistível. E o torrone branco e perfumado, que a família De Riso preparava como se fosse feito de ouro, reinava absoluto. Mas também nunca faltava os amendoins americanos que crepitavam nas embalagens; as castanhas do padre que cheiravam a inverno; os vendedores de figos da Índia; as fatias frescas de coco; e ele, o "Chippichiappe".
O dia da festa
A festa começava cedo. Na manhã da vigília, Pagani era despertada por estrondos de granadas. Um som seco e alto que fazia as janelas tremerem. Depois vinham as bandas marciais, em um ritmo lento, mas solene, com metais polidos e tambores vibrantes.
Na Praça Sant'Afonso, aparecia a caixa de som, uma maravilha de madeira e luzes, onde as melhores bandas operístico-sinfônicas se desafiavam entre árias de ópera e marchas triunfais.
Bandas operístico-sinfônicas durante a festa de Santo Afonso em Pagani
O destaque da festa era, claro, o dia 2 de agosto – não o 1°, como hoje. Ainda me lembro dos cheiros, das vozes, da procissão que cruzava as ruas como um rio de devoção.
Entre outras coisas, num ano houve um evento muito importante que foi sentido por todos nós de Pagani: a procissão jubilar com os restos mortais de Sant'Afonso Maria de Ligório, que acontecia a cada 25 anos. Nessa ocasião, o corpo do Santo saía em procissão solene, e naquela época a cidade parava.
Procissão jubilar com os restos mortais de Sant'Afonso Maria de Ligório em Pagani
No início do século, foi erguido um artístico arco, posicionado entre o Corso e a Via Marconi, onde havia uma varanda de onde se podia ver a imagem do santo observando e abençoando a cidade.
A noite sempre terminava com um espetáculo, que nos mantinha todos com os olhos voltados para o alto: os fogos de artifício. Eles eram preparados por renomados foguistas, verdadeiros mestres do céu noturno, que faziam as estrelas brilharem acima de Pagani. Havia também uma certa rivalidade, bem-humorada, mas sincera, com os fogos de São João in Angri, que, no entanto, eram inimitáveis. Uma explosão de luzes, barulhos e orgulho que deixava a todos sem palavras.
Hoje, é claro, a festa mudou. Mas aqueles que a vivenciaram com os olhos de uma criança, nos anos mais vívidos, trazem consigo uma lembrança de sons, cheiros, cores e sentimentos que nenhuma modernidade pode jamais apagar.
A festa de Santo Afonso, para nós, não era apenas uma tradição, era o coração ou o centro do verão, por trazer a magia de um bairro que ainda sabia sonhar.
Autor: Salvatore Donato
Fonte: Tradução livre: Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.
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