Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 29 MAR 2019 - 11H37

Causa indígena é missão do padre redentorista Válber Dias Barbosa

Grande agente na defesa da causa indígena, o Missionário Redentorista padre Válber Dias Barbosa, acaba de lançar seu terceiro livro que trata sobre os povos indígenas do Brasil. O padre carrega, por ascendência paterna, certa origem indígena da tribo Puri. Até ganhou um nome indígena - padre Valber Kontxà - por sua atuação junto às aldeias indígenas no Tocantins. O livro foi lançado pela Biblioteca Redentorista da Província do Rio, no último dia 23. 

“Missão Encarnada é Desafio do Evangelho”, é a terceira publicação do missionário depois de ter lançado “Os Krakô e a Questão Cultural Indígena” , em 2011, e “Missões, Sertões e Índios, em relatos e crônicas”, em 2012. O novo livro traz uma reflexão sobre o desafio do Evangelho, que "vai contra a maré do mundo" e até "contra a maré reinante na Igreja".

Reprodução.
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Padre Válber fala sobre sua experiência com os indígenas e os desafios dessa missão.


A história do padre Válber com os indígenas começou quando era diácono e pediu para fazer um estágio junto à Missão Anchieta dos Padres Jesuítas, no Mato Grosso. Após a ordenação sacerdotal, abraçou a vida entre os indígenas, morando primeiro com tribos na região norte de Goiás e, depois, Tocantins. Foi junto ao povo indígena Krahô, na Aldeia Rio Vermelho, que fica na região Nordeste de Tocantins, que Padre Valber ganhou o sobrenome indígena. Em 14 dos vinte anos vividos na região, morou inserido, sucessivamente, em quatro aldeias desse povo.

Em 2000, o missionário se voltou para outras atividades missionárias. Mas em junho de 2017, passou a morar no povoado de Helenópolis, no município de Carolina, no Maranhão.

Em entrevista à Província do Rio, padre Válber fala sobre sua atuação junto aos povos e pontua alguns desafios nessa missão. 

Como o senhor avalia a consciência da sociedade brasileira em relação às nações indígenas, no contexto dos Direitos Humanos?
Padre Valber -
Penso que, teoricamente, a sociedade brasileira, hoje em dia, não chega ao ponto de negar aos índios os direitos fundamentais da pessoa humana. Entretanto, são-lhe negados os direitos e o respeito enquanto povos e culturas.

Reprodução.
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Padre Válber é missionário redentorista da Província do Rio.


A questão indígena está incluída no repertório de responsabilidades cristãs? 
Padre Valber - Absolutamente, não está! Aos cristãos, em geral, é como se uma coisa nada tenha a ver com a outra. Há um distanciamento entre o Evangelho e a vida.

De que forma a comunidade indígena poderia ser incluída na vida da Igreja? Qual é a contribuição e os maiores desafios dessa inserção para o cristianismo?
Padre Valber -
Na minha opinião, somente uma inclusão na vida da Igreja Invisível, que é o Reino de Deus. A Igreja é constituída no Brasil das mesmas pessoas que formam a sociedade nacional brasileira, que não aceita a inclusão dos índios enquanto índios. A contribuição maior é que os indígenas, sendo identificados como pequenos no ensinamento evangélico, estão entre os preferidos, são os primeiros do Reino de Deus (os pastores rudes e fedorentos de Belém eram também desse grupo dos “pequenos”). Uma Igreja que inclui “pequenos do Reino” com certeza está se conformando ao seu Mestre Fundador. A inserção como tal já é o grande desafio, porque a missão não pode produzir a descaracterização ou desidentificação indígena – as Culturas Indígenas não comportam somente valores humanizantes e evangélicos, têm também impurezas e aspectos não tão bons e desejáveis, mas carregam muitíssimo menos maldades e horrores do que se vê na grande sociedade.

Sobre os povos indígenas que conheceu e com os quais conviveu, o que o senhor poderia dizer da consciência deles sobre serem integrantes da sociedade brasileira?
Padre Valber -
Os indígenas não se sentem integrantes da sociedade brasileira, enquanto ainda vivendo sob os padrões da própria cultura, situação em que a realidade é de perseguição e violência contra as populações indígenas. Como se sentir parte de uma sociedade que é historicamente contra si, que não os aceita?

O que quis dizer com a frase escolhida para intitular sua obra: “Missão encarnada é desafio do Evangelho”? 
Padre Valber - “Missão Encarnada” é a que leva a vestir o “traje” daqueles aos quais se destina, enquanto isso for possível – tal como Cristo, que veio como o enviado do Pai e se revestiu da condição humana, se fez carne. É seguir o exemplo de São Paulo: “Fiz-me judeu com os judeus, para ganhar os judeus...fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos... E tudo isso faço por causa do Evangelho” (1Cor 9,19-21) (pág. 43 do livro). Mas abraçar tal missão é um desafio do Evangelho, pois o Evangelho vai contra a maré do mundo e, às vezes, contra a maré reinante na Igreja, pelo fato de fraqueza na prática do ensinamento evangélico.

Reprodução.
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A obra da editora internacional Chiado Books teve seu lançamento na sala de eventos da Biblioteca Redentorista, em Juiz de Fora (MG), no dia 23 de março. Informações sobre a publicação pelo telefone: (32) 3321-2631.

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