Por Elisangela Cavalheiro Em Notícias Atualizada em 04 DEZ 2018 - 08H31

Congresso Redentorista reflete comunicação em um “mundo ferido”

Shutterstock.
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Entre os dias 03 e 06 de dezembro, em Aparecida (SP), ocorre o 1º Congresso de Comunicadores Redentoristas e 3º Simpósio de Publicações Redentoristas, que tem como tema “Comunicação Redentorista em um mundo ferido - Evangelizar nas novas fronteiras das mídias”.

O evento é dirigido a padres, religiosos e religiosas afiliados ao carisma redentorista, além de lideranças de paróquias administradas pelos missionários.

A iniciativa tem como objetivo propiciar um espaço para conversar sobre comunicação e colocar em prática ações que possam auxiliar os trabalhos de mídias nas paróquias e comunidades redentoristas.

Com palestras, mesas redondas e laboratórios temáticos, o encontro vai contar com a presença de especialistas de renome no cenário nacional. Entre eles, o Prof. Dr. Jorge Cláudio, do departamento de Ciências da Religião da PUC São Paulo, abordando os acertos, retrocessos e perspectivas da Igreja frente às novas mídias, e do padre Nereu de Castro, da Arquidiocese de Belo Horizonte, trazendo sua reflexão sobre a Palavra e a Doutrina encarnadas nos meios de comunicação.

A palestra central do congresso, com o tema “Os Redentoristas e os Meios de Comunicação: práticas e possibilidades de evangelização em um mundo ferido”, será coordenada pelo Missionário Redentorista padre Rafael Vieira, que ocupa o cargo de assessor de imprensa da CNBB. Em sua fala, ele também trará informações do Documento de Estudos 111, intitulado “Orientações pastorais para as mídias católicas: Imprensa, Rádio, TV e novas mídias”.

Segundo padre Rafael, o tema central sugere um análise do passado, especialmente do dinamismo e audácia que os redentoristas sempre apresentaram na área de comunicação e como essa história interpela o momento presente. O assessor fala ainda sobre como o período de reflexão e “reestruturação” da congregação no mundo pode atingir a missão dos comunicadores redentoristas. Confira abaixo a entrevista.

Mais informações sobre o evento no endereço: A12.com/congressomidias

A12 – Como o tema “Os redentoristas e os meios de comunicação: práticas e possibilidades de evangelização em um mundo ferido” pretende interpelar os participantes do Congresso?

Padre Rafael – Nossa Congregação tem uma história bonita de comunicação no Brasil. Desde os primeiros missionários, que chegaram ao país no final do século XIX, até os redentoristas de hoje, temos procurado dar nossa contribuição nessa área. O Jornal Santuário de Aparecida foi fundado em novembro de 1900 e, em Goiás, foram os redentoristas bávaros que implementaram o primeiro telefone na cidade que viria a ser a capital do estado. Deste modo, o que temos que fazer hoje, para vislumbrar os desafios que nos são apresentados neste campo, é equalizar nosso compromisso, observando a realidade de comunicação dos nossos tempos para darmos uma resposta tão eficiente quanto deram nossos pioneiros.

As feridas do mundo atual abrangem largamente o mundo da comunicação e tem nele, talvez, alguns de seus maiores flagelos. A midiatização de tudo e de todos, por assim dizer, produz um mundo que sangra. Basta ver o que ocorre nas redes sociais digitais: as pessoas destilam ódio e vaidades, disseminam mentiras e calúnias, constroem personalidades ilusórias, propagam discriminação e creem que, desse modo, estão se comunicando. Há muito o que fazer na chamada cultura digital e vamos tocar nesse assunto durante nossa conversa no encontro.

CNBB Centro Oeste.
CNBB Centro Oeste.

Os redentoristas, em algumas unidades, têm grandes e competentes comunicadores – idosos e jovens – mas falta-nos uma maior união em vista da elaboração de projetos comuns. No campo das práticas e das possibilidades, iremos considerar nossa tradição na área da comunicação, a expertise dos nossos confrades e as grandes oportunidades que a cultura digital reinante nos oferece para atuarmos como missionários, fiéis ao nosso carisma e fazendo uma diferença no mundo de hoje.

A12 – O convite à “reestruturação” também deve atingir diversos veículos de comunicação redentorista e os próprios comunicadores em sua missão? Em que sentido?

Padre Rafael – Segundo a orientação que temos recebido da nossa Conferência Redentorista em nossa região, o processo de reestruturação se refere principalmente à nossa missão. Qualquer mudança que for realizada nesse processo parece apontar para a direção de ajudar a fortalecer a nossa missão redentorista no mundo dos nossos dias. Simplificando, Santo Afonso fundou a Congregação para anunciar o Evangelho aos pobres e abandonados e é essa nossa missão em todos os tempos. Por isso, a reestruturação precisará nos ajudar a cumprir essa tarefa de maneira criativa e atraente no campo da comunicação e em todos os outros que atuamos no mundo.

Os veículos de comunicação redentoristas e seus operadores têm, de algum modo, uma consciência clara do que caracteriza a nossa missão e, por isso, é sempre saudável repetir e aprofundar a razão da nossa existência na Igreja e no mundo. O mundo de hoje é um lugar até pequeno para abrigar todos os pobres e abandonados. Há gente destituída de sua dignidade e padecendo de necessidades básicas em todos os lugares da terra e o Brasil tem um cenário de pobreza e abandono capaz de escandalizar qualquer pessoa. Se a realidade está gritando, nossa missão permanece atual e extremamente necessária.

Para cumprir nossa missão, original e atual por meio de nossos veículos, e contando com nossos comunicadores, precisamos ficar atentos se os pobres e abandonados continuam tendo lugar de destaque em nossas pautas, em nossos projetos, no direcionamento dos nossos recursos e na vigilância de nossos coordenadores.

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