Na ocasião do processo de sua beatificação, o Pe. Antonio Maria Tannoia testemunhou que, em 1762, durante sua estadia em Roma para a ordenação episcopal, Santo Afonso havia gasto cerca de 16 escudos na compra de um relógio, que foi "obrigado” pelo padre Villani para que pudesse regular suas horas.
Naquela ocasião, a fim de ajudar os pobres de sua diocese, Afonso "começou a vender o que tinha de melhor e mais valor", incluindo a carruagem e as duas mulas, que foram compradas de volta e devolvidas por seu irmão Hércules. Ele decidiu então vender também o relógio, sendo desestimulado por seus colaboradores, que lhe apontaram que "por falta do relógio, todas as horas de sua programação diária ficariam desordenadas”.
O mencionado não era o único relógio pertencente à Santo Afonso, pois no inventário das coisas que foram levadas para a diocese havia dois relógios de bolso, um comprado em Roma e outro em Nápoles.
O relógio-relíquia
Entre os objetos que Pe. Antonino Lauria levou, havia também algumas "relíquias" na forma de objetos que pertenceram ao nosso santo, incluindo seu relógio. Isso resulta de uma declaração emitida, em data não especificada, pela Irmã Gabriella Naselli, que foram entregues por Casimiro Lauria. É provável que a religiosa os tenha dado como presente aos guanelianos de Naro, e que eles os tenham enviado aos seus confrades de Como.
Relógio de Santo Afonso Maria de Ligório exposto no Museu Dom Guanella, em Como, Itália
No Museu Dom Guanella, em Como, o relógio de Santo Afonso está colocado sobre uma almofada, com uma fita cruzada diametralmente, fixada com cera de selamento, como se faz com relíquias. Para tentar superar essa dificuldade, a foto do relógio foi mostrada ao renomado especialista Luciano Meloni, proprietário da Antica Orologeria, um laboratório de reparos e reconstruções de relógios antigos de todas as épocas localizado em Roma, segundo o qual o relógio é de prata, dotado de serpentina para dar corda, e de origem provavelmente inglesa, da metade do século XVIII.
Utilidade do relógio
A posse de um relógio era particularmente útil para aqueles que não queriam correr o risco de comer ou beber depois da meia-noite para não quebrar o preceito do jejum, não podendo, dessa forma, de celebrar ou receber a Eucaristia no dia seguinte. Isso às vezes aconteceu até mesmo com Santo Afonso, que por isso costumava jantar com o relógio bem à vista. Aqueles que não possuíam um relógio se ajustavam com os sinos da torre cívica ou do campanário.
Autor: Pe. Giuseppe Orlandi, C.Ss.R.
Fonte: Tradução livre: Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.
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