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O relógio de Santo Afonso de Ligório e seu valor espiritual

Objeto pessoal do santo fundador dos Missionários Redentoristas revela sua simplicidade, o cuidado com os mais vulneráveis e sua profunda espiritualidade.

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Escrito por Redentoristas

31 AGO 2026 - 14H32

Instituto Histórico Redentorista

Na ocasião do processo de sua beatificação, o Pe. Antonio Maria Tannoia testemunhou que, em 1762, durante sua estadia em Roma para a ordenação episcopal, Santo Afonso havia gasto cerca de 16 escudos na compra de um relógio, que foi "obrigado” pelo padre Villani para que pudesse regular suas horas.

Naquela ocasião, a fim de ajudar os pobres de sua diocese, Afonso "começou a vender o que tinha de melhor e mais valor", incluindo a carruagem e as duas mulas, que foram compradas de volta e devolvidas por seu irmão Hércules. Ele decidiu então vender também o relógio, sendo desestimulado por seus colaboradores, que lhe apontaram que "por falta do relógio, todas as horas de sua programação diária ficariam desordenadas”.

O mencionado não era o único relógio pertencente à Santo Afonso, pois no inventário das coisas que foram levadas para a diocese havia dois relógios de bolso, um comprado em Roma e outro em Nápoles.

O relógio-relíquia

Entre os objetos que Pe. Antonino Lauria levou, havia também algumas "relíquias" na forma de objetos que pertenceram ao nosso santo, incluindo seu relógio. Isso resulta de uma declaração emitida, em data não especificada, pela Irmã Gabriella Naselli, que foram entregues por Casimiro Lauria. É provável que a religiosa os tenha dado como presente aos guanelianos de Naro, e que eles os tenham enviado aos seus confrades de Como.

Instituto Histórico Redentorista Instituto Histórico Redentorista Relógio de Santo Afonso Maria de Ligório exposto no Museu Dom Guanella, em Como, Itália

No Museu Dom Guanella, em Como, o relógio de Santo Afonso está colocado sobre uma almofada, com uma fita cruzada diametralmente, fixada com cera de selamento, como se faz com relíquias. Para tentar superar essa dificuldade, a foto do relógio foi mostrada ao renomado especialista Luciano Meloni, proprietário da Antica Orologeria, um laboratório de reparos e reconstruções de relógios antigos de todas as épocas localizado em Roma, segundo o qual o relógio é de prata, dotado de serpentina para dar corda, e de origem provavelmente inglesa, da metade do século XVIII.

Utilidade do relógio

A posse de um relógio era particularmente útil para aqueles que não queriam correr o risco de comer ou beber depois da meia-noite para não quebrar o preceito do jejum, não podendo, dessa forma, de celebrar ou receber a Eucaristia no dia seguinte. Isso às vezes aconteceu até mesmo com Santo Afonso, que por isso costumava jantar com o relógio bem à vista. Aqueles que não possuíam um relógio se ajustavam com os sinos da torre cívica ou do campanário.

Os moralistas chegam a afirmaram que era "lícito, entre muitos relógios, seguir o último, que marca a meia-noite". Um detalhe que não é negligenciável, dado que, como Santo Afonso relatou, "a meia-noite não termina com o último toque do relógio, mas sim no primeiro”. Mas também acrescentou que, em dúvida sobre se o "jejum foi ou não quebrado, a pessoa não possui ainda a proibição, mas a liberdade daqueles que desejam receber a comunhão". Essa afirmação é totalmente consistente com sua orientação moral e espiritual, comprovada pelo fato de que em suas obras somente em italiano, ele menciona a palavra "liberdade" 811 vezes.

Autor: Pe. Giuseppe Orlandi, C.Ss.R.

Fonte: Tradução livre: Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

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