Por Redação A12 Em Redentoristas Atualizada em 27 FEV 2018 - 17H11

São João Neumann

Para nós, os redentoristas, é uma alegria ter um santo pequeno na estatura, mas de muita importância para a Igreja e para a Congregação. São João Neumann foi o 4º bispo da cidade de Filadélfia. Ele nos revela uma face bonita de nosso carisma: dedicação aos pobres e capacidade de descobrir os caminhos mais acertados para a Igreja nos momento difíceis. Lembremos que o protestantismo era forte e agressivo nestes tempos. Os emigrantes, além de abandonados e sofridos, eram hostilizados por sua condição e por serem católicos. 

São João soube abrir um caminho importante que deu bases para o catolicismo americano: a formação nas escolas católicas. Foi um organizador da vida diocesana construindo em poucos anos uma catedral e 80 igrejas. Soube alimentar a vida espiritual com a introdução da Adoração das 40 Horas, devoção em voga no seu tempo.  

Foto: reprodução. 

São João Neumann

Foi o primeiro a entrar na Congregação do Santíssimo Redentor em terras americanas. Foi superior dos redentoristas. Foi nomeado bispo, ministério que realizou durante poucos anos. 

Um homem, uma história comum

João Nepomuceno Neumann, nasceu em Prachatitz na Boêmia (Atual República Tcheca) a 28 de março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. O pai era tecelão, fabricante de meias. O pai era um tanto autoritário, frio e distante. A mãe compensava em sua dedicação aos filhos. Ele é o terceiro de 6 irmãos. Duas irmãs se casaram, uma se faz religiosas e o irmão mais tarde vai para os Estados Unidos e se faz irmão redentorista. A irmã mais nova cuida dos pais. 

João era de pequena estatura (1,60m), calado, tímido, mais dado à reflexão, tendo um coração piedoso. No início de seus estudos não pensava na vocação sacerdotal. Julgava longe de suas possibilidades. Herdou do pai o gosto pela leitura. Faz os primeiros 7 anos do estudo e o pai quer tirá-lo da escola. Em 1823, com 12 anos, vai para Budweis, onde faz os estudos em um colégio de padres, sem pensar em vocação, morando em um alojamento, o que prejudicou seus estudos. Ao entrar para a universidade não tem ainda uma definição, A mãe o anima: “Se Deus te chama, vai te ajudar”. Fez dois anos de filosofia com os cistercienses. Havia um problema para entrar no seminário. Eram 20 vagas e 90 candidatos. Está com 20 anos. Como o seminário estava pequeno para os 170 seminaristas teólogos, mora na cada particular. Termina os estudos de teologia na Universidade Charles Ferdinand em Praga. Seu diário nos traz informações de seu interior justo e correto, sobretudo cheio de fé. Devia enfrentar também as doutrinas errôneas que penetravam todos os ambientes. 

Vocação missionária 

 

João estava certo do seu chamado ao sacerdócio, mas todas as portas para seguir esta vocação pareciam fechar-se à sua frente. 

Durante a teologia ouve a conversa de um colega sobre ser missionário. Havia uma fundação chamada Fundação Leopoldina, em memória da Imperatriz Leopoldina da Áustria, esposa de D. Pedro I para apoio das missões no estrangeiro. Neumann gostava de artigos e de revistas missionárias. Ele se decide e se prepara pelo estudo das línguas. Um dia vieram procurar no seminário jovens preparados para trabalha nas embaixadas. Um colega o anima a ir, pois é uma estrela. Neumann mostra no mapa da América: “lá vou ser sol”. Um sacerdote, Pe. Hermann Dichtl, procurava jovens seminaristas para irem para a América, para a diocese de Filadélfia. João estava certo do seu chamado ao sacerdócio, mas todas as portas para seguir esta vocação pareciam fechar-se à sua frente. 

Assim, terminados os estudos seria ordenado e depois iria para as missões. Acontece o pior. O superior do seminário decide adiar as ordenações por um motivo simples: havia padres demais. Para complicar o bispo não lhe dá as “cartas demissórias” (documentos para a ordenação). O dinheiro da organização Leopoldina não chegava nem os documentos ficavam prontos. O Pe. Hermann fez coletas para o pagamento da passagem. O grande problema é a dor da família com esta partida. Saiu de casa dia 8 de fevereiro de 1836. Não mais veria sua mãe. 

As dificuldades continuam. O dinheiro prometido para viagem não aparece, as cartas demissiórias o bispo não dá. Começa sua viagem indo para Paris. Em Strassburgo recebe do bispo local uma carta de recomendação que lhe será muito útil. Em Paris não recebe um dinheiro prometido. Depois de muitos percalços chega ao porto de Havre. O navio Europa está ancorado e ele consegue do capitão um bom preço na passagem, mas sem cabine nem comida. Ele compra umas coisas e faz a longa viagem de 41 dias, chegando a Nova Iorque dia 1º de junho. Para seguir a vocação divina ao sacerdócio, teve de deixar sua terra para sempre e viajar através do oceano para um país novo e primitivo. 

Finalmente, chegando de Nova York  o bispo consentiu em ordená-lo. Neumann diz: ‘mas não tenho as cartas demissórias’. O bispo responde que as dispensava. Deu-lhe 10 dias para se preparar.  É ordenado no dia 25 de junho de 1836. Tinha 25 anos. 

Em Nova York, João era um dos 36 padres para 200.000 católicos. A sua paróquia, Búfalo, a oeste de Nova York ia do Lago Ontário até Pensilvânia. Ali fervilhavam os emigrantes. Trabalha uns dias em Rochester ajudando um padre irlandês. Por este tempo conhece o Pe. Prost, um redentorista alemão, muito alegre. Dele ouviu a frase: “Ai de quem vive sozinho”. Assumiu uma zona rural de 2.000 km quadrados. Sua igreja não tinha torre nem piso, mas isto não importava, porque João passava a maior parte do tempo viajando de cidade em cidade, subindo montanhas para visitar os doentes, detendo-se em pensões ou tavernas para ensinar e celebrando missas sobre mesas de cozinha. Depois de 3 anos, sem contato com a família, aparece seu irmão Wenceslau que vem ajudá-lo. Por causa do isolamento da sua paróquia, João desejava uma comunidade e assim entrou para os Redentoristas, Congregação de padres e irmãos dedicados a ajudar os pobres e os mais abandonados. 

O primeiro redentorista do Novo Mundo 

Depois de quatro anos de duros trabalhos, vai repousar uns dias na casa dos redentoristas, decide ser redentorista. Seu irmão vai junto e decide ser irmão, apesar de o Pe. Prost oferecer aceitá-lo como candidato ao sacerdócio. Neumann entra para o noviciado, que na verdade foi especial, pois fazia muito trabalho apostólico, estando às vezes sozinho em casa e mesmo indo para longe a serviço da comunidade. Ele é o primeiro a entrar para a Congregação na América do Norte. Fez os votos em Baltimore no dia 16 de Janeiro de 1842. Tinha 31 anos. 

 

O seu conhecimento de seis línguas modernas tornou-o particularmente capacitado para trabalhar na sociedade cosmopolita americana do século XIX.

O seu conhecimento de seis línguas modernas tornou-o particularmente capacitado para trabalhar na sociedade cosmopolita americana do século XIX. Era muito culto. Além do grego, latim e hebraico, falava com facilidade 7 línguas modernas, o que ajudavam no atendimento das confissões:alemão inglês, francês, boêmio, grego moderno, italiano, o gaélico e um pouco de espanhol que aprendeu nos Estados Unidos. 

Depois de trabalhar em Baltimore e em Pittsburgh, em 1847 foi nomeado Visitador ou Superior maior dos Redentoristas nos Estados Unidos. O Pe. Frederick von Held, Superior da Província belga, à qual pertenciam as casas americanas, disse dele: "É um grande homem, que combina a piedade com uma personalidade forte e prudente". Ele precisou dessas qualidades durante os dois anos que exerceu o cargo de superior regional, pois a fundação americana estava passando por um penoso período de adaptação. Quando ele passou o cargo para o Pe. Bernard Hafkenscheid, os redentoristas dos Estados Unidos se preparavam para se tornarem uma província autônoma, o que ocorreu em 1850. 

Dois santos amigos: Quando Neumann era pároco e superior, teve como confrade jovem outro grande homem: Francisco Xavier Seelos, agora beato. Os dois eram amigos e Seelos aprendeu dele a vida espiritual e a prática pastoral. Dois santos deveriam se entender bem. 

Bispo de Filadélfia 

Como bispo, foi o primeiro a organizar um sistema diocesano de escolas católicas. Fundador da educação católica na sua região, aumentou o número das escolas católicas na sua diocese de 2 para 100. Fundou as irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinar nas escolas. Escreveu numerosos artigos em revistas e jornais católicos e também publicou dois catecismos e em 1849 uma história bíblica para as escolas. As escolas paroquiais são a base do catolicismo americano. 

Institui a Adoração das 40 horas para o bem da diocese. Entre as mais de oitenta igrejas construídas durante o seu episcopado, que durou, deve ser mencionada a catedral de São Pedro e São Paulo. Outra realização de Neumann é a construção de escolas paroquiais em todas as paróquias. Seu lema: “Uma igreja e, ao lado, uma escola paroquial”. Entre suas grandes dificuldades encontrou a agressividade dos protestantes. Não era bispo de escritório. Viajava pela diocese. Teve que lutar contra as comissões de finanças das paróquias que abusavam e se aproveitavam. Até processos teve que suportar. 

 

Teve a grata alegria de poder participar da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição dia 8 de dezembro de 1854, em Roma.

Teve a grata alegria de poder participar da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição dia 8 de dezembro de 1854, em Roma. Seu nome está marcado em uma das lápides comemorativas, dentro da Basílica de S. Pedro. Tem uma entrevista com o Papa que lhe sugere de fundar uma congregação de irmãs para suprir as necessidades das escolas paroquiais. Foi o que fez, criando a congregação das Irmãs da Terceira Ordem de S. Francisco. Nessa viagem passa pela terrinha. Seu pai ainda vive e tem 80 anos. Festa calorosa! 

Em uma reunião dos bispos de sua região propôs sugerir ao Papa a criação do feriado do dia da Imaculada Conceição. Lutou pela fundação de um seminário nacional americano em Roma, o que se realizou mais tarde. Pediu também a divisão de sua diocese em duas, pois era muito grande. Não conseguiu, mas ganhou um bispo coadjutor, na pessoa do Padre Jaime Frederico Wood, seu amigo. Neumann cuidaria do interior e o Frederico cuidaria do centro e da construção da catedral. Ele entendia do assunto. 

Neumann, mesmo sendo bispo, continua um redentorista em sua vida e em sua prática espiritual e pastoral. Todo mês fazia o retiro na comunidade, ajudava a arrumar a cozinha. No último retiro de 1859 prometeu celebrar a missa da noite no Natal na igreja redentorista. Veio, confessou muita gente, celebrou a missa da meia noite. Alguns perceberam que ele não estava bem. Neumann, como bispo, continuava usando a batina redentorista, colocando a cruz peitoral e a faixa roxa.  

Vida breve com muitas realizações 

Dando sinais de não estar bem, iniciou com animo o novo ano. No dia 5 de Janeiro de 1860 (aos 48 anos), saiu depois do almoço para ir ao correio para despachar um cálice ao um sacerdote de Bellefonte. O relógio do correio marcava 15,30 h. Andando pela rua Vine, cambaleia e cai. É levando para a casa nº 1218, logo em frente, onde termina sua vida sobre o tapete da sala.

Seu funeral foi grandioso. Foi enterrado na igreja São Pedro, dos redentoristas. O bispo disse: “Que ele descanse onde sempre morou seu coração: entre seus confrades redentoristas”. Seu túmulo tornou-se lugar de peregrinação. Quatro milagres foram reconhecidos para a beatificação e canonização. 

Foi beatificado pelo Papa Paulo VI dia 13 de outubro de 1963 e canonizado pelo mesmo Papa dia 19 de junho de 1977. Assim e expressou Paulo VI na sua canonização: “Estava junto aos doentes, gostava de se encontrar com os pobres, era amigo dos pecadores e hoje é a honra de todos os emigrantes”. “Neumann foi sensível aos sofrimentos, à opressão, à pobreza e a todas as necessidades do próximo. A primeira das quais é a necessidade da verdade”.

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