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Santo Afonso e a devoção redentorista a São Miguel Arcanjo

A peregrinação de Santo Afonso ao Monte Gargano revela a devoção ao Arcanjo São Miguel, presente na história e na espiritualidade da Congregação Redentorista.

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

23 OUT 2026 - 08H19

Bruno Novais/Núcleo Redentorista

Existem muitas cidades, lugares históricos e igrejas ligados à vida e às decisões vocacionais de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação Redentorista. Um desses lugares é o Santuário de São Miguel, localizado no Monte Gargano, na Itália.

Santo Afonso foi batizado em 29 de setembro, dia em que a Igreja celebra os santos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Em seu registro de batismo, recebeu 11 nomes, entre eles, Miguel.

Ao longo de sua vida, Afonso cultivou uma devoção especial aos arcanjos, levando consigo uma imagem que recebeu de Dom Tomás Falcoia, seu orientador espiritual.

Em 1731, um ano antes da fundação da Congregação Redentorista em Scala, Santo Afonso peregrinou ao Santuário de Monte Gargano para venerar o Arcanjo São Miguel, a quem dedicava especial devoção. São Miguel era um dos padroeiros de seu batismo e se tornou também padroeiro da Congregação que fundaria. Essa devoção foi transmitida aos seus filhos espirituais e permanece viva entre os redentoristas até hoje.

Adobe Stock Adobe Stock Santuário de São Miguel Arcanjo, em Monte Sant’Angelo, na Itália, local de peregrinação construído em torno de uma gruta natural.

De uma gruta natural a um santuário

O Santuário de São Miguel Arcanjo está situado no Monte Sant'Angelo, também conhecido como Monte Gargano, na província de Foggia, região da Puglia, na Itália. Sua história remonta ao século V, quando uma gruta calcária se tornou local de veneração após relatos de aparições do Arcanjo Miguel, transformando-se em importante destino de peregrinação.

Construído sobre a gruta das aparições, o santuário tornou-se um dos locais de culto cristão mais conhecidos da região. Desde 2011, o conjunto faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO.

A “Basílica Celestial”

O Santuário de Monte Sant’Angelo é considerado um dos locais mais antigos de culto cristão do Ocidente. Também é conhecido como “Basílica Celestial”, pois, segundo a tradição, não teria sido consagrado por mãos humanas, mas pelo próprio Arcanjo Miguel.

De acordo com o Liber de apparitione, em 490, após um episódio extraordinário envolvendo um touro que havia fugido, o bispo Lorenzo Maiorano realizou três dias de oração e penitência. Ao final desse período, São Miguel Arcanjo apareceu-lhe em sonho e revelou que a gruta do Monte Sant’Angelo era um lugar sagrado, consagrado pelo próprio céu.

A expansão da devoção

Segundo a tradição, novas aparições ocorreram nos anos seguintes, em 492 e 493. A notícia da proteção de São Miguel e da consagração celestial da gruta se espalhou, dando origem a numerosas peregrinações.

No século VII, os lombardos conquistaram a região e escolheram São Miguel como seu protetor, identificando suas virtudes guerreiras com as de sua antiga divindade protetora, em um processo associado à conversão ao cristianismo.

Entre os séculos XIII e XIV, os soberanos angevinos promoveram obras na gruta e no santuário para acolher os peregrinos. Nesse período, foram construídos a monumental escadaria de acesso e o conjunto arquitetônico que conduz à entrada da caverna subterrânea.

Do lado de fora, destaca-se a torre sineira octogonal, erguida no século XIV e posteriormente modificada. A estrutura do santuário combina a rocha natural com as marcas de séculos de devoção.

A devoção a São Miguel também está presente na tradição redentorista. Ainda hoje, a imagem do Arcanjo pode ser encontrada na entrada de diversas casas da Congregação, como no pórtico do Seminário Santo Afonso, em Aparecida (SP).

Thiago Leon/Santuário Nacional Thiago Leon/Santuário Nacional Pórtico do Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida (SP), onde a imagem de São Miguel Arcanjo recorda a devoção presente na história e na espiritualidade da Congregação Redentorista.

A redescoberta da força da devoção a São Miguel, observada atualmente na Igreja do Brasil, não é uma novidade para os redentoristas. Essa tradição faz parte da história da Congregação e de sua espiritualidade, embora tenha sido vivenciada em outros contextos e sem os apelos emocionais que, por vezes, acompanham suas manifestações atuais.

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