Quando falamos de vocação estamos nos referindo ao que há de mais profundo no ser humano, isto é, a busca pelo sagrado e por um sentido na vida.
Antes mesmo de nascermos, Deus nos escolheu (Cf. Jr 1,5); somos frutos de seu amor! Ele nos contemplou apaixonadamente e nos deu o dom da vida. Depois, pelo batismo, fomos inseridos na dinâmica de seu discipulado. Ele ainda nos apresenta caminhos específicos para colaborarmos na construção de seu Reino. Por tudo isso, vocação é graça! Porém, para um bom discernimento e perseverança no chamado é preciso que permaneçamos com Ele.
A passagem de Emaús (Lc 24,13-35) é a luz que nos orientará em nossa reflexão. Os discípulos se encontram desolados, o Messias esperado havia fracassado e a esperança estava abalada. Jesus se aproxima e começa um diálogo com eles. A noite chega e, de maneira singela, os discípulos pedem para aquele forasteiro ficar, isto é, permanecer com eles. Ao abençoar, partir e dar o pão, gesto feito e ensinado (Mt 26,26-28); (Mt 14,16), eles o reconhecem.
Uma das frases e constatações mais belas da Sagrada Escritura se segue: “Não é que o nosso coração ardia, enquanto Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). A partir de então, partem e anunciam tudo aquilo que ouviram, viram e experimentaram.
Quão bela é a experiência dos discípulos! Mas ela não se difere muito da nossa. Quantas e quantas vezes nos encontramos tristes e abatidos? O amor redentor de Deus nos parece distante, sendo apenas uma ideia ou teoria bonita. A nossa vocação perde o sabor. Tudo vai se tornando um peso para nós.
Porém, contemplemos a experiência daquelas duas pessoas: elas quiseram permanecer com Jesus, ou melhor, deixaram que Ele permanecesse. Quando entendemos e vivenciamos isso descobrimos o grande segredo da vocação.

Para tanto, duas são as atitudes a serem tomadas. A primeira é a abertura de nosso coração. Todos sabemos que é muito difícil atravessar muralhas. Quanto mais muros, mais distantes ficamos uns dos outros. Quando, porém, construímos pontes, nos tornamos próximos. Assim também é a nossa relação com Deus-Trindade. Para que Ele possa permanecer conosco é preciso que nos despojemos da nossa autossuficiência e prepotência; sem a Graça de Deus nada somos! Na medida em que dilatamos nosso coração e esvaziamos nosso ego, mais espaço há para Jesus caminhar conosco (cf. Lc 24,15).
A segunda atitude é deixarmos que Jesus entre em nossa intimidade. Vejamos bem! Os discípulos conheceram o Mestre quando fizeram refeição com Ele, ou seja, partilharam suas vidas ao redor da mesa. Jesus não pode ser alguém distante de nossa realidade e lidas diárias. Ele é o Deus Conosco! (Mt 1,23). Sendo assim, quer manter relação e diálogo com todos e cada um de nós em três realidades distintas, nas quais Ele próprio viveu.
Em primeiro lugar, na Montanha, em nossos momentos espontâneos, profundos e pessoais com sua Pessoa. Em segundo lugar, na Sinagoga, quando formamos um corpo orante, sendo comunidade fraterna. Em terceiro lugar, na Estrada, isto é, na vida e na missão do dia a dia. Abramos, pois, nossa casa interior, e deixemos que a Trindade entre e faça família conosco.
Que Maria, Mãe das vocações e do Caminho, nos ajude a ser íntimos de Jesus, a fim de discernirmos nossa vocação e sermos perseverantes na resposta dada. “Com os corações ardentes e os pés a caminho”, vivamos nossa vocação como graça e missão!
Para refletir:
1. Quais são os espaços e momentos cotidianos em que percebo a presença de Deus?
2. Crio muros que me impedem de ser preenchido pela graça de Deus? Se os crio, por quê?
3. Como comunidade-Igreja, estamos sendo rosto de um Jesus distante e intocável, ou o do peregrino de Nazaré e profeta da ternura e do amor?
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