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Semana Vocacional

“Vai àqueles que eu lhe enviar”

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Escrito por Secretariado Vocacional Redentorista

20 JUL 2026 - 07H10

A vocação do profeta Jeremias nos ajuda a compreender uma verdade profunda da vida cristã: quem encontra o Senhor, em verdade, não permanece no mesmo lugar. Está sempre em movimento. O encontro com Deus nos coloca a caminho, sempre nos conduz à missão.

Na narrativa do profeta Jeremias, o chamado acontece num diálogo íntimo com Deus, mas não termina ali. A escuta da palavra imediatamente se transforma no envio missionário. Deus chama Jeremias para uma missão concreta: ir ao encontro do povo e anunciar aquilo que o senhor lhe confiar. Quer dizer, o profeta Jeremias se coloca num estado de confiança e entrega, a partir da experiência que fez com Deus.

O convite de Deus é claro: "Vai àqueles que eu te enviar e anuncia tudo o que eu te mandar" (cf. Jr 1, 7). Essa palavra revela que a vocação não nasce de um projeto pessoal, antes nasce da iniciativa do próprio Deus. É ele quem chama, é ele quem envia e é ele quem conduz (pelo caminho). A missão, nesse sentido, não é fruto de um desejo individual e egoísta, a missão é resposta à voz que ressoa no coração daquele que é chamado.

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Diante do chamado, do convite de Deus, Jeremias reage de uma forma humana. Ele olha para si mesmo e, olhando para si mesmo, percebe suas limitações. Jeremias sente-se jovem, incapaz e despreparado para realizar aquilo para que foi chamado. Em vez de se considerar digno da missão, ele apresenta a Deus as suas fragilidades. A reação de Jeremias não é de arrogância, ao contrário, é de um homem temente diante da grandeza da sua tarefa e, mais ainda, é uma reação própria de quem é humilde.

Essa atitude de Jeremias nos aproxima dele. Quantas vezes também nós nos sentimos assim diante do chamado de Deus para uma missão? Ao percebermos que somos chamados a testemunhar a fé, muitas vezes nós pensamos estarmos despreparados. Sentimo-nos pequenos diante das exigências radicais do Evangelho. Tememos não saber falar, não ter palavras suficientes e adequadas ou não sermos compreendidos pelos nossos interlocutores.

O medo se torna um obstáculo para a missão a qual fomos enviados. Temos medo de errar, medo da rejeição, medo de não ser correspondidos em nossas expectativas, no entanto, Deus quem chama, assim como em Jeremias, não responde às objeções discutindo as limitações apresentadas. Deus simplesmente reafirma o chamado missionário concreto e nos oferece aquilo que é mais importante diante desta grande tarefa: sua presença.

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Desse modo, Deus realiza sua promessa: "não tenhas medo... Eu estou contigo". A palavra proferida àquele que é chamado muda completamente a perspectiva da sua vocação e missão. O envio missionário, ou seja, a missão que se é apresentada não depende apenas das capacidades humanas, mas da presença fiel de Deus que caminha, acompanha e conduz aqueles que ele envia. O verdadeiro missionário não confia apenas em si mesmo, antes, confia na força da graça que o sustenta.

Tal dinâmica percorre toda a nossa história. Deus escolhe, chama e envia pessoas concretas para realizar o seu projeto de amor no mundo. Por exemplo, os Patriarcas: Abraão foi chamado a deixar a sua terra; Moisés foi enviado para libertar o povo de Israel; os profetas foram enviados para recordar a fidelidade de Deus para com seu povo; tempos depois, Jesus, O Cristo, enviará os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus. Em todos estes casos, vemos que o chamado nunca se limita em uma experiência individualista. Aqueles que escutam a voz de Deus são enviados aos irmãos e irmãs. A fé sempre abre as possibilidades de encontro com o próximo, sobretudo, aqueles que mais precisam de escuta, de acolhida e de uma presença amiga.

Nós, que somos vocacionados pelo nosso batismo, participamos desta mesma dinâmica. Somos inseridos na missão de Cristo e da Igreja. Cada um de nós é chamado a ser testemunha do Evangelho, ou seja, da Palavra de Deus, onde estiver, em nosso contexto e cotidiano: no ambiente familiar, no trabalho, na comunidade e nos demais ambientes; tornando-se presença de Deus nos espaços onde ele continua a enviar seus mensageiros.

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O envio que Deus realiza não pressupõe que o seu mensageiro esteja pronto. Ele não escolhe apenas os fortes ou preparados. Deus chama pessoas com fragilidades e limites, mas espera que estejam dispostas para confiar em sua Palavra. Quando o vocacionado abre o coração ao Senhor, o próprio Senhor o capacita para aquilo que o pede e envia. Assim, a vocação cristã se torna um caminho de confiança e de entrega.

Como o profeta Jeremias, somos chamados a superar o medo diante da missão a qual fomos enviados e confiar que Deus caminha conosco. Quando acolhemos o envio do Senhor, nossa vida se transforma em sinal de sua presença no mundo e para aqueles que nos encontrarmos pelo caminho. E mesmo em meio às dificuldades, podemos repetir com confiança: se Deus me envia, ele também me acompanha.

Fr. Jônata Schneider
Missionário Redentorista

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