Na Festa do Batismo do Senhor, celebrada neste domingo (11), a Igreja conclui o Tempo do Natal contemplando o início da vida pública de Jesus e o chamado de todos os cristãos a viverem a própria identidade batismal.
No Santuário Nacional, a Santa Missa das 8h foi presidida por Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, e contou com a animação do missionário redentorista Pe. Reinaldo Beijamim, C.Ss.R.
Logo no início da celebração, Dom Orlando destacou que o Batismo é o fundamento de toda vocação cristã, pois por meio dele todos se tornam filhos de Deus e irmãos entre si. Em seguida, convidou o povo de Deus a renovar suas promessas batismais.
Ao aprofundar o sentido bíblico da festa, em sua homilia, Dom Orlando recordou as palavras de Deus Pai no batismo de Jesus no Rio Jordão: “Este é o meu Filho muito amado”. Para ele, essa declaração revela também a missão do Servo sofredor: “Esse Filho amado é o Servo. Servo que vai dar a vida, vai dar o seu sangue”.
Assim, explicou que, pelo Batismo, participamos desse mistério pascal: “Nós somos batizados no seu sangue, sepultados com Ele e ressuscitados com Ele”.
A reflexão conduziu cada um de nós a um exame de consciência sobre a vivência concreta do Batismo. Dom Orlando nos questionou sobre a coerência entre fé e vivência, chamando atenção para uma realidade presente em muitas comunidades:
“Tanta gente batizada, mas vive como pagão. Tanta gente batizada, mas não vem mais à Igreja. Será que vivi bem o meu Batismo? Como estamos vivendo o nosso Batismo?”
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Segundo o arcebispo de Aparecida, viver o Batismo é assumir, na prática, a dignidade recebida como filhos e filhas muito amados do Pai e permitir que essa graça transforme a vida pessoal e social. Dom Orlando destacou que o Batismo não é apenas um rito do passado, mas uma missão permanente confiada a cada cristão.
“O nosso Batismo vai nos ajudar, se for vivenciado, a sermos sal da terra, luz do mundo. E se a gente viver o Batismo, nós vamos nos santificar, porque o Batismo trouxe a santidade original, apagou o pecado original.”
O arcebispo ressaltou ainda que uma vivência autêntica do Batismo tem consequências diretas na transformação da sociedade. Para ele, combater o mal faz parte do compromisso assumido no dia em que se recebe o sacramento. “Se nós vivermos o nosso Batismo como batizados, sal da terra e luz do mundo, nós vamos combater o mal, o mal social. E o mundo será melhor se nós vivermos o nosso Batismo.”
Nesse contexto, o arcebispo reforçou a dimensão solidária do Batismo, que une todos como irmãos e irmãs em Cristo, especialmente os mais pobres e sofredores.
“Se tem um irmão sofrido, ele é meu irmão pelo Batismo. E eu, como batizado, vou estar do lado dos pobres, dos pequenos, dos sofredores, dos doentes e dos presos, se eu viver um pouco o meu Batismo.”
Ao recordar os sinais do Batismo, como a vela acesa, a veste branca e o óleo da consagração, o arcebispo destacou que a fé precisa ser alimentada ao longo da vida. A veste branca, segundo ele, pode ser purificada no sacramento da Reconciliação, que definiu como um verdadeiro prolongamento da graça batismal.
Dirigindo-se aos padrinhos e madrinhas, Dom Orlando fez um apelo direto à responsabilidade assumida no dia do Batismo, convidando-os a serem presença missionária na vida dos afilhados. “Padrinho, você é missionário daquele teu afilhado? Você ajuda o seu afilhado a viver o seu Batismo?”
Ao encerrar a homilia, Dom Orlando convidou todos a redescobrirem a beleza e a grandeza do Batismo, recordando o ensinamento dos Padres da Igreja: “Cristão, reconhece a tua dignidade”.
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