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Família Silva transforma fé em acolhimento aos romeiros na Dutra

Há seis anos, uma família de Guarulhos transforma a caminhada dos romeiros em uma experiência de fé, acolhimento e solidariedade.

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Escrito por Beatriz Nery

07 OUT 2026 - 16H09

Beatriz Nery/A12

Há seis anos, uma família de Guarulhos, na Grande São Paulo, transforma a peregrinação dos romeiros em uma experiência de acolhimento e fraternidade. Durante a Novena da Padroeira, a família Silva mantém um ponto de apoio às margens da Rodovia Presidente Dutra.

A iniciativa começou durante as celebrações pelos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na época, Adelaide, tia de Angela Maria da Silva, decidiu distribuir água aos peregrinos que seguiam pela rodovia em direção ao Santuário Nacional.

O gesto despertou algo maior na família. “Quando ela falou que ia, a gente resolveu abraçar a causa com ela”, conta Angela.

A família foi para a rodovia e percebeu uma necessidade entre os peregrinos. Muitos precisavam de um lugar para descansar, comer e receber cuidados durante o caminho.

“Ali nós sentimos a necessidade de montar algo, porque apareceu muito romeiro e aqui Guarulhos tem pouco ponto de apoio”, recorda Angela.

Saiba mais: Romeiros terão rota segura na Dutra até Aparecida

Beatriz Nery/A12 Beatriz Nery/A12

Uma tenda que nasceu da fé

Depois daquela experiência, Angela começou a procurar um espaço para criar um ponto de apoio. O local escolhido foi o Posto Farol, que acolheu a proposta da família.

“Na realidade Deus encaminhou e Nossa Senhora deu aquela força”, relata.

A primeira estrutura era pequena. Ainda assim, foi suficiente para reunir voluntários e romeiros em torno de um mesmo propósito.

“Começamos com uma tendinha bem pequenininha, que um dia choveu e os romeiros seguraram ela com a gente, eles ficaram aqui até o vento passar, mas ela não voou”, lembra Angela.

Com o passar dos anos, o ponto de apoio cresceu. Uma empresária conheceu o trabalho e decidiu doar uma nova tenda.

“Eu acredito que foi um anjo que Deus colocou no meu caminho”, afirma Angela.

Beatriz Nery/A12 Beatriz Nery/A12 Angela Maria da Silva, uma das organizadoras do ponto de apoio

Doações transformam o ponto de apoio

Desde o início, o ponto de apoio conta com a solidariedade dos amigos da família. Os alimentos oferecidos aos peregrinos chegam por meio de doações.

“Hoje eu acho assim, meus amigos acreditaram em mim e tudo que eu tenho dentro da tenda de alimento é doação deles”, explica Angela.

O cardápio tem um sabor especial. Café, bolos e outros alimentos são preparados ou levados pelas tias de Angela, mas o acolhimento vai além da comida e, acima de tudo, a fraternidade.

Beatriz Nery/A12 Beatriz Nery/A12

O ponto também oferece suporte na área da saúde. A Prefeitura da cidade disponibilizou uma equipe médica e profissionais de enfermagem para atender os romeiros.

A estrutura permanece ativa durante alguns dias da novena. Neste ano, o atendimento começou no dia 4 e segue até o dia 10 de outubro.

Um lugar para descansar e se sentir acolhido

Para quem percorre quilômetros a pé, encontrar um ponto de apoio pode fazer diferença. É o caso de Bruno Lourenço Silva, também de Guarulhos, que vem em caminhada com a Romaria Mãe Divina, em um grupo de aproximadamente 20 pessoas.

Peregrino de primeira viagem, ele havia percorrido cerca de 20 quilômetros quando chegou à tenda da família Silva.

O sobrenome semelhante ao da família responsável pelo espaço é mais do que uma coincidência, e sim uma providência, mas o encontro tornou a experiência ainda mais especial.

“Desde a hora que a gente chegou aqui, até agora, eles deram a maior atenção, tratando a gente super bem, com a comida e tudo, foi surreal mesmo”, afirma Bruno.

Para ele, a acolhida surpreendeu. A experiência também mostrou que a peregrinação pode ser marcada por gestos simples de solidariedade.

“Eu nem esperava que tinha algo assim parecido pelo mundo que a gente vive hoje, mas surreal, eu estou maravilhado ainda com tudo que está acontecendo”, relata.

Bruno também destaca a importância do ponto de apoio para quem percorre longas distâncias.

“Este foi o primeiro apoio nas tendas que a gente teve, da família Silva, é muito importante para todo mundo que vem, que vem de mais longe ainda que a gente veio”, afirma.

Beatriz Nery/A12 Beatriz Nery/A12 Bruno Silva (à direita) com companheiro de romaria, Cleidson Avelino (à esquerda)

Acolhimento que fica na memória

Além dos alimentos e do atendimento aos romeiros, Angela mantém um registro de quem passa pelo local.

Cada peregrino pode deixar seu nome em um caderno. Ao final da ação, ele será levado ao Santuário Nacional de Aparecida.

O gesto representa uma memória da caminhada. São nomes de pessoas que passaram pela tenda em busca de descanso, alimento, cuidado e companhia.

Que a Mãe Aparecida acompanhe todos eles!

Arquivo Pessoal Arquivo Pessoal

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