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Santuário Nacional acolheu a 37ª Romaria dos Aposentados

Escrito por Rafael Gurgel

25 JAN 2026 - 10H23 (Atualizada em 25 JAN 2026 - 11H45)

Rafael Diniz

Neste domingo (25), em que celebramos o Domingo da Palavra de Deus, o Santuário Nacional de Aparecida reuniu milhares de fiéis na Celebração Eucarística das 8h, presidida por Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Neste 3º Domingo do Tempo Comum, a Casa da Mãe acolheu a 37ª Romaria dos aposentados.

Logo no início da celebração, os fiéis foram acolhidos como parte viva da Casa da Mãe. A procissão de entrada, acompanhada por um coral formado por romeiros e devotos, deu o tom de uma Igreja reunida pela fé, tanto no Santuário quanto nas transmissões pela TV Aparecida, Rádio Aparecida, Portal A12, redes sociais do Santuário e TV Cultura.

Durante o rito penitencial, os fiéis foram convidados a reconhecerem suas fragilidades diante Daquele que é “o caminho, a verdade e a vida”. O canto do “Glória” ecoou como resposta de gratidão pela misericórdia de Deus.

A Palavra proclamada

A Primeira Leitura, do Livro do Profeta Isaías, apresentou a figura do Servo do Senhor, chamado desde o nascimento e destinado a ser luz para as nações, para que a salvação alcance os confins da terra. O Salmo responsorial reforçou a atitude de entrega confiante: “O senhor é a minha luz e salvação, o senhor é a proteção da minha vida”.

Na Segunda Leitura, São Paulo recordou a vocação à santidade, afirmando que os cristãos são chamados a viver em comunhão com Jesus e a caminharem juntos uns com os outros, para permanecerem unidos.

O Evangelho, proclamado segundo Mateus, apresenta um Jesus em movimento, que deixa Nazaré e se estabelece na Galileia, região marcada por estar distante da vida religiosa.

Ao retomar a profecia de Isaías, o texto revela que é justamente ali onde o povo “vivia nas trevas” que a luz começa a brilhar. A pregação de Jesus sintetiza o coração de sua missão: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”, não como ameaça, mas como anúncio de proximidade e esperança.

A homilia: luz e trevas

Na homilia deste Domingo da Palavra de Deus, Dom Orlando Brandes agradeceu a presença de padres, diáconos, religiosos, peregrinos e, de modo especial, a Romaria dos Aposentados, acolhida com carinho e aplausos.

Em seguida, conduziu sua reflexão a partir do contraste entre luz e trevas. Iniciou recordando que “a Palavra é a nossa luz”. Para o arcebispo, a pergunta que atravessa a liturgia é direta e atual: “Queremos a luz ou preferimos caminhar nas trevas?"

Ao percorrer as leituras, Dom Orlando explicou que as trevas mencionadas na Escritura aparecem sempre ligadas à exclusão e à exploração, fato que acaba causando a divisão das pessoas. Recordou que a Galileia era vista como terra de pagãos, “um povo explorado, não amado”, realidade que, segundo o Bispo, se repete hoje em muitas partes do mundo.

O Arcebispo apontou outra forma de escuridão: a divisão dentro da própria comunidade cristã. “Uns dizem: Eu sou do grupo de Apolo, e não te aceito, você que é do grupo de Paulo, também não será aceito. Eu sou do grupo de Jesus. Nós na igreja hoje estamos sofrendo por causa desses grupos fechados. Nós somos de Jesus Cristo e vamos viver a unidade, a concórdia” alertou Dom Orlando.

Destacou também que Jesus responde às trevas com gestos concretos de luz. Mesmo diante da prisão de João Batista e da rejeição que enfrentou, Ele anuncia o Reino, chama discípulos e percorre a Galileia curando e ensinando.

O Reino de Deus é luz porque traz justiça, vida e a presença de Deus”, afirmou, lembrando que essa luz exige conversão diária.

A vocação dos primeiros discípulos também foi recordada, ao dizer que eram homens simples, chamados para levar esperança a quem vive nas sombras. “Quem ama o irmão está na luz”, repetiu com a assembleia, reforçando o ato de fraternidade.

Ao finalizar a homília, o arcebispo fez um último apelo ao amor pela Palavra de Deus, lembrando que muitos cristãos ainda não conhecem as Escrituras. “Você sabe abrir a Bíblia como sabe abrir o celular?”, questionou. Para ele, a Palavra é “uma carta de amor de Deus” que não pode permanecer fechada.

Romaria dos Aposentados

Posteriormente, Dom Orlando dirigiu-se de modo especial aos participantes da Romaria dos Aposentados, acolhendo-os com palavras de proximidade e reconhecimento. O arcebispo destacou a dignidade, a história e a contribuição dos aposentados e idosos para a construção do país, lembrando que muitos seguem sustentando famílias e comunidades inteiras com o pouco que têm.

Dom Orlando incentivou os aposentados a permanecerem como sinais de luz, confiando suas lutas e sonhos à proteção de Nossa Senhora Aparecida.

Ao final da celebração, representantes da Romaria dos Aposentados apresentaram uma Carta, intitulada “Carta de Aparecida”. No texto, dirigiram-se à sociedade brasileira e às autoridades políticas para pedir reconhecimento e garantia de direitos, lembrando, que milhões de beneficiários seguem sendo responsáveis por auxiliarem suas famílias e, também, sendo importantes para sustentar a economia das cidades.


Veja como foi a celebração:


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