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Tradição das romarias equestres em Aparecida são demonstração de fé há séculos

Escrito por Beatriz Nery

29 JAN 2024 - 11H47 (Atualizada em 30 JAN 2024 - 10H58)

sherwood/Shutterstock

As romarias equestres estão entre as mais tradicionais em Aparecida, cidade do estado de São Paulo. No século XVIII, surgiu esse costume que, ao longo dos anos, se tornaria parte de sua identidade.

Esse fenômeno histórico destaca o papel fundamental que os cavalos desempenharam na sociedade da época, não apenas como meio de transporte, mas como símbolos de devoção e receptividade aos romeiros e peregrinos.

As primeiras grandes romarias a cavalo são datadas de 1733, com a construção do primeiro oratório para Nossa Senhora Aparecida, no Porto Itaguaçu. A partir da construção da primeira capela para Nossa Senhora Aparecida em 1745, atualmente onde está localizada a Basílica Histórica, era grande o número de romeiros que vinham a pé e a cavalo.

No livro “História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, Pe. Júlio Brustoloni, C.Ss.R, menciona como chegavam e se instalavam os romeiros e seus cavalos:

“As caravanas de peregrinos em 1757 chegavam com seus cavalos e cargueiros; pais e filhos, parentes e amigos vinham unidos no mesmo propósito de honrar e venerar a querida Imagem”.

A cidade de Aparecida se torna o elo entre a promessa da intercessão de Nossa Senhora Aparecida e os cavaleiros. Personagens ilustres como Princesa Isabel, em 1869 e o pintor e desenhista Jean-Baptiste Debret, em 1827, foram alguns que aqui passaram a cavalo, registrando a devoção e o meio de locomoção da época.

Jean-Baptiste Debret
Jean-Baptiste Debret
Imagem pintada por Jean-Baptiste Debret, artista plástico que esteve em Aparecida em 1827


Na obra, Pe. Brustoloni confirma que os documentos do século XVIII são poucos, mas são citadas referências como as casas dos romeiros no Largo da Capela, o ‘pasto da Santa’, onde eram recolhidos os animais de montaria e a Capela edificada ‘com grandeza e fervor dos devotos’.

Segundo a historiadora Tereza Pasin, esse grande pasto tem a localização de onde, atualmente, se encontram a Rádio e TV Aparecida: “Ali era um campo enorme e já era costume dos cavaleiros deixarem seus cavalos para o descanso, tudo muito bem organizado”.


Anos depois, a partir de 2012, o Santuário Nacional viu a necessidade de acolher as cavalgadas, como uma forma de valorizar e cuidar da história das romarias a cavalo que aqui chegavam desde o século XVIII. Por essa razão foi criado o Receptivo Equestre, local acessível pelo Porto Itaguaçu para acolher os cavalos que chegam a Aparecida.

Thiago Leon
Thiago Leon


Com o passar dos anos, a forma do romeiro deslocar-se até o Santuário de Aparecida se modificou. Os cavalos não são mais considerados meios de transporte e se tornaram animais de estimação, também usados em competições, uso recreativo e terapêutico. Os cuidados são inúmeros com veterinários específicos e há leis que fiscalizam sua locomoção pelas ruas.

Carros, ônibus e bicicletas se tornaram os meios modernos e mais seguros, utilizados como meio para o encontro tão esperado com a Padroeira do Brasil. No estacionamento do Santuário, há mais de 5 mil vagas para carros e ônibus para melhor acolhê-los em sua visita.

Contudo, se ainda assim, você planeja visitar o Santuário com cavalos, mulas e burros, atenção: O Santuário Nacional acolhe este tipo de romaria entre os meses de abril e agosto, estações mais agradáveis para os animais, e com agendamento prévio no site a12.com/receptivoequestreAcesse e confira todas as orientações!

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