Por Leonardo C. de Almeida Em Palavra do Associado Atualizada em 27 JUN 2018 - 09H09

Lançar-se nos braços de Maria

“Vosso olhar a nós volvei, / Vossos filhos protegei...” (Canto Mariano Tradicional)

Não são raros os Santuários dedicados à Virgem Santíssima sob o glorioso e afamado título de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO – muitos deles sob os cuidados dos zelosos missionários redentoristas, tal como o belíssimo e artístico templo localizado no Jardim Paulistano, na cidade de São Paulo. Também é bastante comum encontramos, em diversas igrejas paroquiais ou capelas, dedicadas a Maria ou não, a efígie do Perpétuo Socorro em algum altar lateral ou num nicho. Seus devotos, por sua vez, costumam ter, nos próprios lares, fixada em uma das paredes principais, uma cópia ou estampa do quadro original da Virgem.

Shutterstock.
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Curiosamente começaram a ser confeccionadas, inclusive, imagens (esculturas) da Senhora do Perpétuo Socorro, muito embora essa devoção tenha sua origem e seu fundamento no ícone primitivo e tradicional. Convém, aqui, ressaltar que a invocação “Nossa Senhora do Perpétuo Socorro” não deve ser confundida com “Nossa Senhora do Socorro” ou “Nossa Senhora da Defesa”, que são títulos marianos distintos e com outras origens, histórias e representações iconográficas.

A Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro acontece no dia 27 de junho. O referido ícone da Senhora do Perpétuo Socorro é honrado como verdadeira relíquia por cidades inteiras, que A têm como Padroeira não só da paróquia local, mas do próprio município. É o caso, por exemplo, da bela cidade de Socorro, no interior paulista, batizada com o título da Virgem e que se reveste com as suas cores, o vermelho e o azul, durante a grandiosa Festa da Padroeira. Em vários lugares, milhares de romeiros acorrem às igrejas ou aos altares dedicados a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para celebrar os louvores da Mãe de Deus, render graças e apresentar seus pedidos e suas súplicas.

Leia MaisPerpétuo Socorro, de nossa perpétua misériaA riqueza simbólica do Ícone de N. S. Perpétuo SocorroEssa devoção mariana espalhou-se por todo o planeta, particularmente a partir da Novena Perpétua de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que se realiza semanalmente mesmo nas igrejas que não A têm por titular. Trata-se uma prática devocional muito difundida pelos Missionários Redentoristas, grandes guardiães, divulgadores e incentivadores da devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no mundo todo.

É uma invocação bastante antiga, oriunda da ilha de Creta, onde o ícone teria sido confeccionado por artista incerto entre os séculos XIII e XV, o qual se inspirou num ícone antiquíssimo atribuído, pela tradição, a São Lucas. A história do quadro do Perpétuo Socorro é envolvente e repleta de feitos extraordinários e mistérios, como roubo e esquecimento do quadro, aparições de Maria Santíssima, entrega do ícone aos Redentoristas...

Esse ícone de características orientais bizantinas retrata a Mãe de Deus com o Filho nos braços, chamada pelos estudiosos da Iconografia Cristã como a “Virgem da Paixão”. Isso porque o Menino Jesus, assustado, corre para o regaço acolhedor de sua Mãe, onde encontra refúgio e proteção. Ele lança-se para o colo de Maria porque sente medo. Na parte superior do quadro estão representados os Arcanjos Miguel e Gabriel, os quais carregam os instrumentos da Paixão de Cristo, que são mostrados ao Menino: a lança, a vara com a esponja, o cálice da amargura, os cravos e a cruz. Naturalmente, Jesus, ainda criança inocente, não compreende sua missão salvadora e redentora e amedronta-se diante de elementos tão cruéis. Maria, como sua boa Mãe e Mestra, é quem vai educando-o a respeito da vontade divina e do plano salvífico do Pai.

Poderíamos tratar de uma série imensa de elementos teológicos e simbólicos muito ricos e de grande profundidade sintetizados nesse prodigioso ícone, como as cores das vestes e do fundo, as estrelas, a sandália desatada do Menino, as abreviaturas... Mas vamos nos ater a uns poucos aspectos, que já rendem uma grande reflexão, impossível de ser esgotada nestas linhas.

Voltemos, pois, nossas atenções ao Menino, Filho de Deus, amedrontado que corre para os braços da sua amada Mãezinha. Por meio de Cristo, tornamo-nos também filhos adotivos do Altíssimo e participantes da filiação divina (cf. Rm 8,17). No drama do Calvário, Jesus concede Maria como Mãe de sua Igreja, comunidade dos seus discípulos, ali representados por João (cf. Jo 19,27-27). Como sinal de sua aceitação da maternidade eclesial, Nossa Senhora está com os discípulos durante o episódio de Pentecostes, quando o Espírito gera e impulsiona a Igreja, já profetizada no Antigo Testamento e gestada por inúmeros fatos fundantes durante o ministério de Jesus (At 2,1-11).

Por essas e outras razões, podemos nos reconhecer em Jesus, no ícone do Perpétuo Socorro: como herdeiros(as) de Deus, co-herdeiros(as) e irmãos(ãs) de Cristo, filhos e filhas da Virgem Mãe do Senhor, somos nós que, agora, nos desesperos da vida, lançamo-nos nos braços carinhosos de Maria. Tal como as de Jesus, Ela segura as nossas mãos enquanto, assustados, olhamos para os símbolos de nossa “Paixão”: a enfermidade; a fome; a violência em suas mais variadas formas; o desemprego e a exploração no mundo do trabalho; a guerra; a injustiça social; a corrupção na esfera política e nos demais seguimentos da sociedade; o descaso com os refugiados e abandonados; a falta de terra e moradia; a infidelidade em qualquer tipo de relação humana; os vícios que degeneram a juventude; a falta de consciência ecológica e o desrespeito às plantas e aos animais; qualquer espécie de preconceito e exclusão; a carência de políticas públicas compromissadas com a promoção da dignidade humana; a proliferação de notícias difamatórias e descomprometidas com a verdade; a solidão e o esquecimento dos que estão fragilizados; os desastres naturais; os dramas urbanos e rurais; a perseguição à Igreja e toda forma de intolerância religiosa por parte daqueles que baniram a fé das suas vidas... As cruzes de dias incertos e repletos de expectativas negativas nos amedrontam e intimidam. Contudo, apesar de seus lábios discretos e cerrados, Maria nos diz, no seu silêncio, que após a cruz, vem a ressurreição, a vida nova em Cristo sempiterno; que não tem nada a temer aquele confia no seu SOCORRO maternal, que é PERPÉTUO – expressão do amor, da misericórdia e da bondade maternais e paternais do Senhor, que dura de geração em geração e para sempre!

Ora, não é à toa que, no ícone do Perpétuo Socorro, o olhar de Maria está voltado para aquele(a) que o observa e contempla. Como Mãe amorosa, a Virgem nos olha, compreende, acolhe no seu colo e dá o acalento de que necessitamos: ELA é nosso PERPÉTUO SOCORRO! E nos aponta o Menino, nosso Irmão e Salvador, que junto conosco está também nos seus braços, e que, mesmo sendo Deus, quis ter um colo de Mãe para poder aconchegar-se...

Leonardo C. de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida




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