Padroeiro de: Padroeira do Pará e Rainha da Amazônia
Localização: Belém (PA)
Por: Luciana Gianesini
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré possui uma longa tradição em Portugal e ganhou uma expressão especialmente marcante no Brasil, sobretudo em Belém do Pará. A tradição portuguesa está ligada à imagem venerada no Sítio da Nazaré, enquanto, no Pará, a devoção se desenvolveu a partir do achado de uma pequena imagem por Plácido José de Souza, em 1700, às margens de um igarapé próximo ao local onde hoje está a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.
A origem portuguesa da devoção está envolta em antigas tradições. Uma delas relaciona a imagem de Nossa Senhora de Nazaré ao período das perseguições às imagens sagradas no Oriente e à sua posterior chegada à Península Ibérica. Outra tradição portuguesa, preservada pela Igreja e pela devoção popular, está ligada ao episódio de Dom Fuas Roupinho, que teria invocado a proteção de Nossa Senhora quando seu cavalo se aproximou perigosamente de um precipício durante uma caçada, no século XII. A tradição conta que, após o livramento, o nobre mandou construir uma capela no local, onde a imagem passou a ser venerada. A própria Arquidiocese de Belém apresenta essa narrativa como parte da história tradicional da devoção portuguesa.
No Brasil, a história de Nossa Senhora de Nazaré assumiu uma identidade própria. Por volta do ano 1700, Plácido José de Souza encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora às margens do igarapé Murutucu, em Belém. Segundo a tradição, ele levou a imagem para sua casa, mas, no dia seguinte, percebeu que ela havia desaparecido. Ao retornar ao lugar onde a encontrara, encontrou novamente a imagem. O fato teria se repetido outras vezes, levando Plácido a construir uma pequena ermida para abrigá-la.
A história do achado possui diferentes versões transmitidas ao longo dos séculos. O próprio Círio de Nazaré reconhece que pesquisadores e documentos apresentam relatos distintos sobre as circunstâncias em que Plácido encontrou a imagem. Um manuscrito atribuído ao Convento de Santo Antônio dos Capuchos, em Portugal, e transcrito pelo bispo Dom Frei João Evangelista registra o relato de Plácido sobre o achado. Por isso, os detalhes que pertencem à tradição devocional devem ser compreendidos nesse contexto histórico, sem que sejam apresentados como fatos documentais incontestáveis.
A devoção cresceu ao redor da pequena ermida e atraiu cada vez mais fiéis. Em 1793, aconteceu a primeira procissão do Círio de Nazaré, realizada em 8 de setembro, depois de autorização para a realização da festividade. A procissão foi organizada pelo governador Francisco de Souza Coutinho, que havia feito uma promessa relacionada à recuperação de uma enfermidade. Depois de restabelecido, cumpriu o voto e levou a imagem em procissão, acompanhado por autoridades e por uma multidão de devotos.
Com o passar dos anos, o Círio se tornou uma das maiores manifestações de fé católica do Brasil. Atualmente, a grande procissão é realizada no segundo domingo de outubro, dentro de uma programação que reúne diversas romarias e celebrações. A Festa de Nazaré inclui, entre outras, a Trasladação, a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial, o Círio das Crianças e o Recírio.
A imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, encontrada por Plácido, é uma pequena escultura de madeira, em estilo barroco, com aproximadamente 28 centímetros de altura. Ela permanece na Basílica Santuário e é apresentada à veneração dos fiéis em ocasiões determinadas, especialmente durante a Festa de Nazaré. Ao longo dos séculos, a imagem passou por restaurações e recebeu, em 1953, manto e coroa pontifícia por determinação do Papa Pio XII.
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré está, portanto, profundamente ligada à experiência de fé do povo paraense. No Círio, os devotos expressam agradecimento, fazem pedidos, cumprem promessas e caminham pelas ruas de Belém em oração. Para a Igreja, essa manifestação popular encontra seu centro em Cristo: Maria é venerada como Mãe e discípula que conduz os fiéis ao encontro com seu Filho. A Arquidiocese de Belém destaca justamente essa dimensão evangelizadora do Círio, como uma celebração que reúne o povo em torno de Jesus e do “sim” de Maria.
Ao longo do tempo, diversos elementos passaram a fazer parte dessa manifestação de fé, como a berlinda, a corda, os carros de promessas, o manto e as diferentes romarias. Cada um deles expressa de maneira própria a relação dos devotos com Nossa Senhora. O Círio também foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan e como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
A imagem original de Nossa Senhora de Nazaré encontrada por Plácido é uma escultura de madeira que representa Maria com o Menino Jesus ao colo. Segundo informações da Basílica Santuário, a peça possui características de uma senhora portuguesa e foi confeccionada em estilo barroco. A representação da devoção inclui ainda a coroa e o manto, elementos que passaram a integrar a imagem ao longo de sua história.
A devoção brasileira possui também uma forte relação simbólica com a Imagem Peregrina, utilizada nas procissões do Círio. É ela que percorre as ruas de Belém e participa das diversas romarias da Festa de Nazaré, enquanto a imagem original permanece preservada na Basílica Santuário, sendo descida do Glória em momentos específicos da programação.
Boleto
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página: