Por Academia Marial Em Títulos de Nossa Senhora Atualizada em 24 AGO 2018 - 12H19

Nossa Senhora do Silêncio (Knock – Irlanda)

Apesar de Maria não ter dito uma palavra nesta aparição, não se pode dizer que ela não fala ao coração de cada um de nós.

A aldeia de Knock está situada a oeste de Dublin e a norte de Galway, no condado de Mayo, Irlanda. Em 1829, foi aí construída uma pequena e pobre igreja paroquial, onde não cabiam mais de 30 pessoas. Foi dedicada a São João Batista. Em torno da Igreja havia uma pequena escola para rapazes e outra para as mulheres. O terreno da igreja era rodeado por um muro de pedra.

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Durante todo o século XIX, a Irlanda sofreu uma depressão da sua economia por causa das más colheitas, sobretudo da batata. No ano de 1879, os agricultores quase não tinham o que comer. Nesse ano, houve mais uma desastrosa colheita de batata, o que anunciava mais miséria. As pessoas morriam de fome e de doenças, minadas por uma vida muito dura.

Bartholomew Cavanah foi nomeado prior da igreja, em 1867. Era um santo homem, profundamente devoto de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Era de bom grado que sacrificava os seus bens materiais para ir em auxílio dos pobres e famintos, e nunca teve conta bancária. Também assim considerava as pobres almas do Purgatório. Tendo a Virgem Maria como Mãe de Deus e de todos os filhos de Deus, recorria à sua intercessão por todos os que estavam no Purgatório. Na verdade, alguns meses antes da aparição em Knock, o Padre Cavanah começou a rezar 100 missas pelas pobres almas do Purgatório que Nossa Senhora mais desejasse ver libertas. Surpreendentemente, foi no dia da centésima missa que Nossa Senhora visitou Knock, ao final da tarde de 21 de Agosto de 1879. Foi um dom maravilhoso, que exprimiu a gratidão de Nossa Senhora e das almas que foram para o Céu.

Nesse dia, o céu estava coberto de pesadas nuvens. O Padre Cavanah tinha ido visitar paroquianos em regiões vizinhas. Na mesma tarde, uma chuva cerrada encharcou-lhe a roupa e a aldeia ficou toda molhada pela noite a fora. Mary McLoughlin, sua empregada, acendeu a lareira para lhe secar as roupas e depois foi-se embora visitar uma amiga, Mary Beirne, que ali morava próximo.

Ao passar junto à igreja, deu conta de estranhas figuras e de um altar junto à igreja voltada ao sudoeste. Parecia haver uma luz estranha em volta daquelas figuras, mas pensou que era um efeito da luz brilhando através da bruma. Depressa, achou que talvez o prior tivesse encomendado algumas imagens novas.

Mais ou menos ao mesmo tempo, um outro membro da família Beirne, Margaret Beirne, chegou à igreja para fechá-la durante a noite. Também ela deu conta de um brilho estranho,que vinha do lado sudoeste da igreja. Mas, com pressa de se abrigar, não olhou mais, nem disse nada a ninguém sobre o brilho naquela noite. Quando terminou a visita, a amiga Mary Beirne acompanhou Mary McLoughlinde de volta, em direção à igreja. Diziam que as figuras eram imagens iluminadas pela luz. Mas quando se aproximaram, Mary Beirne exclamou:

“Mas não são imagens, estão a mexer-se. É a Santíssima Virgem!”

Por baixo da parede da igreja, voltada ao sudoeste, três imagens estavam de pé, por cima da erva crescida e não cortada. As duas mulheres tomaram consciência que não podiam ser imagens, porque aqueles seres passeavam por cima do monte de erva por baixo delas. Todos vestiam branco e brilhavam como prata. Uma luz dourada e brilhante as envolvia, bem como um altar que estava colocado um pouco por trás delas, virado a oeste. Sobre o altar estava um cordeiro e por cima do cordeiro erguia-se uma grande cruz branca. Seis anjos com asas que se moviam, rodeavam o altar e a cruz.

A certa altura, Mary Beirne correu para os vizinhos mais próximos e disse-lhes para virem ver “a visão maravilhosa!” Rapidamente, outros se juntaram a elas para ver e rezar diante da aparição do céu. Todos os que testemunharam o acontecimento, afirmaram que se tratava da Virgem Maria com São José à sua direita e São João Evangelista à esquerda.

Maria tinha um manto de um branco puro e uma coroa dourada na cabeça. Ao meio da coroa, acima da testa, brilhava uma rosa de ouro plenamente aberta. Tinha as mãos erguidas, como se rezasse. São José tinha uma barba grisalha e a cabeça inclinada para a frente. São João segurava o livro dos Evangelhos. Estava vestido com traje de bispo e parecia estar a pregar. No entanto, nenhum deles disse uma palavra durante as duas horas que durou a aparição.

A mais velha das videntes era Bridget Trench, de 75 anos. Caminhou em direção à visão e, sob a chuva, tentou beijar os pés de Maria, mas não conseguiu: parecia que Maria se afastava um pouco. Quando as mãos e a cabeça inclinada de Bridget entraram na área da visão, ela caiu de joelhos na erva seca. Nessa área, nenhuma gota de chuva lhe caiu. Mais tarde, disse:

”Não percebo porque não consegui palpá-los com as minhas mãos, da mesma forma que os via com os olhos.”

Os quinze videntes permaneceram fixados à visita luminosa durante duas boas horas. Rezaram o terço em conjunto. Mais tarde, a aparição desvaneceu-se.

Durante as semanas e meses que se seguiram à aparição, toda a aldeia continuava a perguntar: “Porque é que Nossa Senhora lhes tinha aparecido?” Multidões de pessoas começaram a afluir a Knock. Deram-se numerosas curas e várias delas foram relacionadas com a aplicação de terra retirada da parede da empena. Tanta terra foi retirada que a parede estava em perigo de cair. Nos primeiros três anos que se seguiram à aparição de “Nossa Senhora do Silêncio”, o Padre Cavanah registrou aproximadamente 300 curas milagrosas associadas com o santuário de Knock.

Reconhecimento da Igreja

Em 1880, a primeira comissão eclesiástica aprovou o testemunho de todas os 15 videntes como “digno de confiança e satisfatório”. Em 1936, provas confirmadas e centenas de curas milagrosas foram enviadas para Roma. A aparição de Knock teve a sua aprovação total e o reconhecimento da Igreja Católica. 

Cem anos depois da aparição, em 1979, o papa João Paulo II abençoou o local com sua presença na celebração do centenário. Meio milhão de peregrinos se juntaram no Santuário onde o Papa declarou a passagem da Igreja de Nossa Senhora, Rainha da Irlanda, a Basílica.

Oração à Senhora do Silêncio
(Frei Ignacio Larrañaga)

Mãe do Silêncio e da Humildade,
tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do Mistério do Senhor.
Tu és disponibilidade e receptividade.
Tu és fecundidade e plenitude.
Tu és atenção e solicitude pelos irmãos.
Estás revestida de fortaleza.
Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual.
És senhora de ti mesma antes de ser nossa Senhora.
Em ti não existe dispersão.
Em um ato de simples e total, tua alma, toda imóvel, está paralisada e identificada com o Senhor.
Estás dentro de Deus, e Deus dentro de ti.
O Mistério total te envolve e te penetra e te possui, ocupa e entrega todo o teu ser.
Parece que em ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo:
o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus.
Tudo ficou assumido em ti, e divinizado.
Jamais se viu figura humana de tamanha doçura, 
se voltará a ver nesta terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.
Entretanto, teu silêncio não é a ausência, mas presença.
Estás abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Caná.
A comunicação nunca é tão profunda como quando não se diz nada, 
o silêncio nunca é tão eloquente como quando nada se comunica.
Faze-nos compreender que o silêncio não é desinteressante pelos irmãos,
mas fonte de energia e de irradiação, não é encolhimento mas projeção.
Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso preencher-se.
Afoga-se o mundo no mar da dispersão, e não é possível amar os irmãos com um coração disperso.
Faze-nos compreender que o apostolado, sem silêncio, é alienação, e que o silêncio, sem apostolado, é comodidade.
Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua fé, a altura de tua Esperança e a profundidade de teu Amor.
Fica com os que ficam e vem com os que partem.
Ó Mãe Admirável do Silêncio!

Amém.


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