Por Leonardo C. de Almeida Em Artigos Atualizada em 27 MAR 2019 - 11H27

Jubileu de Aparecida

300 Anos de Encontros

O Jubileu enfim!!! Deus, nosso Pai, Senhor do Tempo e da História, privilegiou-nos ao nos permitir ser a geração dos devotos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que vamos celebrar e testemunhar o seu histórico Jubileu tricentenário, o qual motivou a proclamação do Ano Nacional Mariano, que ora se encerra e durante o qual os devotos da Virgem Aparecida puderam lucrar indulgências plenárias concedidas por nosso querido Papa Francisco, além de prestar inúmeras homenagens a Maria, reavivando sua fé e confiança na Mãe de Deus e aprofundando-se no conhecimento da missão de Maria na vida da Igreja e de sua história de devoção. O presente Jubileu de bênçãos e graças faz memória do encontro milagroso da imagem de Nossa Senhora nas águas do Paraíba. Mas em que implica o termo “encontro”? Acaso a imagem da Senhora estava “perdida” para ser encontrada, isto é, achada? O encontro terá sido meramente ocasional? A significação da palavra “encontro” é muito ampla no âmbito da fé e vai além de um simples achado ou de outros conceitos objetivos, como poderíamos encontrar no verbete de algum dicionário de nossa língua materna.

Thiago Leon
Thiago Leon
Nicho especial abriga a imagem da Padroeira durante novena.

O encontro da imagem nos desperta profundas reflexões acerca da ação divina naquele feito miraculoso ocorrido num Brasil colonial, explorado e escravocrata em pleno curso do século XVIII. São trezentos anos decorridos desde a pesca milagrosa da imagem bendita da Senhora da Conceição, acontecida em outubro de 1717. Por tradição, ainda que sem certezas, atribui-se a autoria da pequena e modesta imagem esculpida em barro paulista cozido de cor bege claro e posteriormente policromado a Frei Agostinho de Jesus, residente muitos anos no extinto Mosteiro Beneditino da cidade paulista de Santana de Parnaíba.


A devoção mariana surgida pelas mãos privilegiadas dos pescadores, dá um novo título à Senhora da Conceição, a quem os primeiros devotos passaram a se referir como “aparecida” das águas, cristalizando, mais tarde, a consagrada invocação “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. Curiosamente, então, foi do agrado dos primeiros devotos nomear Nossa Senhora, a partir da imagem pescada prodigiosamente, como “Aparecida” e não como “Achada” ou “Encontrada”. Ainda assim, o fato milagroso, isto é, a “pesca” do corpo e da cabeça da imagem nas redes, ficou eternizado pelo termo “encontro”, do qual decorre a presente reflexão.

Maria, na verdade, não é passivamente encontrada (=achada) em sua imagem ao acaso. Ela deixa-se encontrar e quer ser encontrada, vindo para junto de nosso povo sofrido, ali representado pelos humildes e benditos pescadores, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Martins Garcia. A Providência Divina agiu naquela curva do rio e tudo reorientou para que encontro fabuloso acontecesse. Queremos, dessa forma, conceituar o encontro como reunião entre pessoas, ato ou efeito de encontrar-se. Temos aí algo além da simples descoberta ou achado de uma imagem barroca fragmentada. A imagem é símbolo do encontro legítimo, providente e desejado entre Mãe e seus filhos amados, uma vez que a humanidade, reconciliada por Cristo no madeiro, recebeu, em João, aos pés da Cruz, Maria por Mãe, oferecida pelo Divino Agonizante. Assumindo em plenitude a maternidade universal, a Virgem Maria, solidária aos sofrimentos humanos, sente no seu coração materno a aflição dos pescadores em busca de peixes para o banquete que seria oferecido ao Conde de Assumar e o consequente desejo da alma daqueles três homens que aspiravam à ação divinal em benefício de sua pesca até então frustrada. Ora, assim, nos seus sentimentos e em sua mente, ainda que de forma inconsciente, os pescadores também desejaram o encontro com Maria, a quem provavelmente clamaram antes de se lançar às águas do Paraíba do Sul; muito embora tenham reconhecido talvez apenas após a fartura de peixes a magnificência daquele encontro milagroso velado na singeleza da imagenzinha, dos fatos, do ambiente e de sua própria condição social. Mas a dinâmica misteriosa de Deus, que vem ao nosso encontro, é esta de fato: “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes” (Lc 1,52), como Maria canta no seu Magnificat. Ao ser recomposta naquela pequena barca, a imagem “aparecida das águas” – antes com cabeça e corpo separados – sinalizava que a pobre humanidade, frágil qual a terracota, está restaurada por Cristo que escuta o grito do oprimido e vem encontrar-se, por meio de sua Mãe intercessora, com o povo pelo qual ofereceu seu sacrifício redentor. Eis a beleza revelada naquele encontro (achado, descoberta) da imagem, que gerou um encontro (reunião) amoroso entre o divino e o humano.

A Palavra de Deus nos apresenta relatos inúmeros de episódios em que o Senhor vem “ao encontro” do homem, a quem chamou à vida desde o instante da Criação, a quem se revela com uma pedagogia paternal e com quem faz uma aliança. Seu amor, sua bondade e sua misericórdia, inúmeras vezes, foram manifestos na História da Salvação, por entre os acontecimentos de glórias ou desventuras do povo de Deus, que foi se constituindo, estruturando-se e aprendendo, pela boca de Abraão, dos patriarcas, de Moisés, dos juízes, dos reis, dos profetas, dos demais grandes líderes e outras incontáveis testemunhas escolhidas por Deus como seus mensageiros para cuidar e conduzir seu povo liberto da opressão e pelo caminho da luz e da justiça. Assim foi Deus revelando sua vontade e “encontrando-se” com a humanidade, ora fiel, ora ingrata. De fato, o Livro Sagrado nos narra “encontros” (motivados pela fidelidade do povo eleito) e os “desencontros” (desencadeados pelo pecado) da humanidade com o Todo-Poderoso e Misericordioso.

Encontrou-se, então, o Espírito de Deus com uma Virgem de Nazaré Encontrou-se, então, o Espírito de Deus com uma Virgem de Nazaré, chamada Maria, toda pura, santa, simples, disponível, corajosa e obediente, sonhada e preparada por Ele desde sempre para Mãe do Verbo feito carne. E pelo mistério da encarnação, eis que se digna Deus, fiel ao seu amor, encontrar-se conosco de forma definitiva em Jesus Cristo, em Quem se revela em plenitude.

Ao mostrar-se solícita à vontade divina, Maria não temeu as consequências que poderia vir a sofrer. O coração imaculado da Mãe de Jesus esteve aflito e dorido por diversas ocasiões em sua vida terrena. São identificados e refletidos pela piedade eclesial, assim, sete episódios na vida de Jesus e Maria denominados popularmente “sete dores de Nossa Senhora”. Uma dessas sete dores é a perda de Jesus, ainda jovenzinho, no templo. Não por descuido de Maria e José, seu Filho separou-se do grupo peregrino e desapareceu. Segundo Santo Afonso Maria de Ligório, em sua belíssima obra Glórias de Maria, esta seria a maior das dores de Nossa Senhora, uma vez que, nos outros seis episódios dolorosos, Maria tem junto a si a presença física de seu Filho, ainda que inerte, morto; enquanto que na perda de Jesus, a Virgem sente seu coração maternal aflito e angustiado por não saber o paradeiro de seu Filhinho amado, além de ignorar a causa da sua ausência. Ora, essa aflição e angústia fizeram Maria e José voltarem a Jerusalém, onde encontraram seu Jesus junto aos doutores.

Voltemos à temática do “encontro”. Passado o terror e o calor da perda do menino Jesus, qual teria sido a emoção exultante do coração de Nossa Senhora ao encontrar, no templo em Jerusalém, Jesus, que lhe explicou estar ali se ocupando das coisas de seu Pai! (cf. Lc 2,49). O coração de Maria, ainda que não compreendesse suas palavras, guardava tudo aquilo e se regozijava, fruto de seu encontro com o Filho amado. A partir daquele encontro, estavam juntos, novamente, Jesus, Maria e José, como uma família. Vejamos a mudança de perspectiva que o encontro pode proporcionar: a história é uma apenas, todavia pode ser dividida em dois grandes momentos. A saber:

1) a perda (ou a consciência da perda) do Menino
2) o encontro do Mesmo no Templo.

Com efeito, perda e encontro são realidades opostas. Uma gera dor, sofrimento, angústia, tal como uma espada no coração (vêm-nos à mente a imagem tradicional de Nossa Senhora das Dores); a outra gera gozo, alívio, satisfação, júbilo, tal como uma coroa de prata ou ouro sobre a cabeça ou uma palma florida às mãos (lembramos, agora, da imagem de Nossa Senhora do Triunfo ou da Alegria, coroada no Domingo de Páscoa). Na experiência cristã legítima, para se chegar à alegria, à coroa de glória, passa-se, necessariamente e com resignação, pela cruz, pela dor da espada. Foi assim com Maria. E o encontro com o Menino, nesse episódio, é a expressão da alegria, da satisfação. Mais uma vez, evidenciamos o encontro como fator gerador de júbilo, de vida renovada. Não é à toa que o mesmo episódio – perda e encontro do Menino Jesus no Templo – está situado, simultaneamente, como uma das sete dores de Nossa Senhora (a perda) e o quinto Mistério Gozoso, isto é, da Alegria, do Rosário (o encontro). Dor e alegria caminham proximamente, e a dor somente dá lugar à alegria após o encontro de Maria com Jesus. Recordamo-nos, aqui, da dor das mães que estão à procura ou distanciadas de seus filhos perdidos e sem paradeiro, sequestrados ou desaparecidos por razões desconhecidas. A força dessas mulheres, como a de Nossa Senhora, reside na esperança de um feliz (re)encontro com aqueles que trouxeram em seus ventres um dia.

O Evangelho retrata-nos incontáveis encontros do Filho de Deus com a humanidade sofrida e pecadora. Ora, Jesus, Deus que está conosco, vem, justamente, ao encontro dos que estão à margem ou são menosprezados socialmente, destinatários privilegiados da mensagem da Boa Nova: os enfermos, os pobres, os impuros, os publicanos, os grupos étnicos e sociais mal vistos, as mulheres, as crianças... De fato, Ele veio para procurar e salvar o que estava perdido (cf. Lc 19,10). A todos com quem se encontra, Jesus deseja a vida plena, pede conversão e ensina a justiça que liberta e santifica. O encontro, então, mais uma vez, converte, renova, traz vida nova e alegria.

O evento salvífico da Paixão-Morte-Ressurreição de Jesus Cristo foi precedido por significativos momentos de encontro, entretanto nos atemos a um em específico, perpetuado e cultivado com grande afeição, apreço e identificação pela piedade e devoção populares: o encontro dorido entre o Divino Mestre, com a cruz às costas, e sua Mãe Santíssima aflita, no caminho para o Calvário, no lugar chamado, pela tradição, “Rua da Amargura”. Ali, o Senhor dos Passos e a Senhora das Dores trocam, talvez por apenas alguns segundos, no meio da multidão em polvorosa, um olhar que penetra os corações chorosos e sofridos de ambos. Esse encontro, apesar de brevíssimo, acalenta e acalma o íntimo de Jesus e de Maria. Jesus não se sente mais sozinho, tem a certeza da companhia afável de sua Mãezinha, que, como quando criança, toma-lhe pela mão no momento do desespero, ainda que apenas em pensamento por conta da situação crudelíssima. Maria, por sua vez, apesar de sofrer duplamente, por Ela e pelo Filho, sente um reconforto ao encontrar o seu Jesus, pois não O abandona; pelo contrário, caminha com Ele e, apesar do flagelo em sua alma e da aparente impotência ante a injusta condenação de Cristo, nutre a esperança na futura ressurreição do Filho amado. Aí também o encontro é capaz de gerar um consolo e um alívio em meio à dor. Uma nova realidade, apesar da dor inevitável, instaura-se a partir do encontro.

Essa cena, transposta para nossos dias, faz-nos pensar em Maria, como Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil, que vem, solidária, ao encontro de nossa nação sofrida, que carrega tantas pesadas cruzes geradas pela injustiça, pela corrupção e pelo desejo de um poder opressor e que não garante a dignidade humana. Pensamos em Maria que, a partir desse encontro com o povo brasileiro, acompanha-nos, pela Rua da Amargura, na firme esperança de vida nova, de “novos céus e nova terra” (cf. Is 65,17), a partir do seguimento do Ressuscitado, que destrói a dor e a morte. Identificamo-nos, assim com a cruz de Cristo, a ela nos associamos e nos seus rastros caminhamos, rumo à ressurreição, seguindo, como discípulos e missionários, o mandato de Jesus: “Se alguém quer me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24).

Na História da Igreja, as aparições e manifestações marianas ao longo dos séculos atestam a predileção divina por nossa pequenez, uma vez que, pela intercessão de sua Santa Mãe, o Senhor vem ao nosso encontro, ouvindo o grito do oprimido, saciando de bens os famintos e despedindo os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1,53). As incontáveis histórias devocionais de Nossa Senhora por todo o mundo, impressas indelevelmente no coração e na memória do povo das mais variadas regiões, são, por conseguinte, momentos de encontro de Deus com o seu povo, prolongamento e confirmação daquilo que o Senhor realizou com o povo da Antiga Aliança e, em Jesus, no Novo Testamento. O espírito humano, sempre desejoso de encontrar-se com o divino, é saciado com bênçãos e graças do Alto quando Aquela a quem chamamos “vida, doçura e esperança nossa”, manifesta-se espiritualmente ou através de imagens, efígies e ícones, inspirando e principiando novas devoções, invocações e títulos marianos, que encaminham o homem para mais perto da vontade do seu Pai e Criador. Sobre isso, belamente, o Papa Francisco nos falou em sua visita ao Santuário Nacional em 2013: “A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à porta da Mãe e pede: ‘Mostrai-nos Jesus’. Viemos bater à porta da Casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e pede-nos: ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2,5)”.

A devoção mariana legítima vai além de um mero devocionalismo, perigosamente firmado, muitas vezes, em práticas intimistas, pessoais e subjetivas ou em discursos apocalípticos e catastróficos. A bem da verdade, Maria é, sim, a esperança maternal e a expressão libertadora, engajada, suave, doce e acalentadora de que Deus nos quer bem e não desiste de nós. Está do nosso lado e nos quer ao seu lado, distantes do pecado e da morte, tal como fica evidente na cor castanha da modesta e frágil imagem de barro cozido de Aparecida, reveladora de que Deus, em Maria, põe-se junto dos menores do seu povo naquele Brasil de 1717, explorado, cheio de preconceitos e adepto da escravidão. Ao mesmo tempo, a matéria-prima da imagem, a terracota, nos recorda a fragilidade e a finitude humanas, pois do pó o Criador nos fez e a ele haveremos de voltar (cf. Gn 3,19). De volta à reflexão que tecemos sobre o termo “encontro”, percebemos, assim, que no evento miraculoso de Aparecida, além de nos encontrarmos, por Maria, com Deus, encontramo-nos conosco mesmos, com nossa essência e realidade.

Divulgação Santuário
Divulgação Santuário
Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Em Aparecida, são, pois, trezentos anos do encontro da imagem da Senhora Imaculada e, a partir daí, de encontro com a Mãe de Deus, desde a confecção da imagem de Nossa Senhora da Conceição, passando, como se supõe, por uma extinta Capela de Nossa Senhora do Rosário às margens do Rio Paraíba, de onde, quebrada, foi arremessada, despretensiosamente e por superstição, nas águas, até sua transladação definitiva para o novo Santuário em 1982; das primeiras cópias artesanais da imagem de Aparecida, passando pelo rústico processo de reprodução em série, até os milhares de réplicas atuais da imagem original ou reproduções livres espalhadas por moradias de devotos pobres ou abastados, capelas, matrizes, basílicas, catedrais, casas de formação, estabelecimentos comerciais, de lazer ou cultura, prédios públicos, instituições de educação, hospitais, orfanatos, asilos, prisões, veículos, praças, ruas, avenidas e estradas;...
desde o oratório na casa dos pescadores, passando pela ermida de pau a pique e a Capela do Morro dos Coqueiros, até a atual Matriz Basílica e, iniciado com o lançamento da pedra fundamental em 1946, o majestoso complexo do Santuário Nacional (Catedral Basílica), o maior santuário mariano do mundo, projetado por Benedito Calixto de Jesus e com belíssimas arte sacra e iconografia idealizadas pelo saudoso Cláudio Pastro;...
desde a pesca milagrosa, passando pelos consagrados milagres das velas que se reacenderam diante de Silvana da Rocha, do escravo Zacarias, liberto dos grilhões diante da imagem, do cavaleiro sacrílego que não conseguiu profanar a igreja de Aparecida porque as patas do seu animal fixaram-se ao degrau da entrada, da menina cega de Jaboticabal que, a caminho de Aparecida com a mãe, recuperou a vista, do homem que foi protegido de uma onça no meio do mato, até as incontáveis graças alcançadas atualmente pela poderosa intercessão da Mãe de Deus por devotos do Brasil inteiro e de outros países; desde os primitivos devotos, do vilarejo dos pescadores localizado próximo do Porto do Itaguaçu, passando pelos primeiros romeiros vindos de longe, os quais, depois de muito caminhar, dormiam no interior da antiga Capela junto à imagem, e os primeiros romeiros que vieram de trem, automóvel, ônibus ou caminhão, até as presentes e imensas romarias (individuais, familiares, paroquiais, diocesanas, de grupos, comunidades ou movimentos, com suas rotas e seus caminhos já consagrados), que congregam milhares de peregrinos, somando milhões a cada ano;...
desde a devoção discreta dos familiares e vizinhos dos pescadores, passando pela coroação de Nossa Senhora Aparecida em 1904, sua proclamação oficial como Rainha do Brasil em 1929 e como Padroeira do país em 1930, até o reconhecimento por parte da nação brasileira de Aparecida como o “coração mariano do país”; desde o padre Vilela, vigário da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá em 1717, passando por tantos outros padres, em especial o Cônego Joaquim do Monte Carmelo, responsável pelo aspecto atual da “igreja velha”, concluída em 1888, até a chegada dos Missionários Redentoristas, em 1894, que estão até hoje à frente do Santuário;...
desde quando a imagem era, originalmente, policromada, passando a ficar enegrecida devido ao lodo do Rio Paraíba e ao tempo em que ficou exposta à fuligem, ao lume e à fumaça das velas e dos candeeiros, até a sua completa e surpreendente restauração executada por Maria Helena Chartuni após o sacrílego atentado de 1978, que a fragmentou enormemente; desde os primeiros ex-votos e oferendas deixados na casa dos pescadores, passando pela coroa e o manto oferecidos pela Princesa Isabel, até a atual Sala dos Milagres e a nova coroa jubilar; desde a criação do “Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida” em 1893, passando pela criação da Arquidiocese de Aparecida em 1958, com seu primeiro arcebispo, o Cardeal Motta, até Dom Orlando Brandes, atual arcebispo;...
desde os primeiros refrões marianos entoados pelos vizinhos dos pescadores, passando por “Ao Trono Acorrendo”, “Virgem Mãe Aparecida, estendei o vosso olhar”, “Graças vos damos, Senhora”, “Dá-nos a bênção”, “Romaria” e “Viva a Mãe de Deus e nossa”, composto no início do século passado e tornado Hino Oficial da Padroeira em 1951, até o Hino oficial dos 300 anos, composto pelo Padre Zezinho, e os cantos da Missa Jubilar, composta por Ir. Míria T. Kolling; ...
desde as primeiras organizações entre os romeiros para angariar fundos para a construção de uma capela, passando por tantas iniciativas de arrecadação, até a Campanha dos Devotos, criada por Dom Aloísio Lorscheider e os redentoristas em 1999; desde as primeiras orações recitadas na casa dos pescadores, passando pela oração de Consagração tão difundida na voz do Servo de Deus Padre Vitor Coelho de Almeida, até a Consagração atual, com o texto reiterado por ocasião da visita do Papa Francisco em 2013;...
desde o Papa Clemente XI, reinante em 1717, passando pelo Beato Paulo VI, que ofertou a primeira Rosa de Ouro à Senhora, São João Paulo, o primeiro papa que esteve em Aparecida, consagrou a “igreja nova” e concedeu-lhe o título de Basílica Menor, e Bento XVI, que visitou Aparecida por ocasião da Conferência do CELAM e ofereceu ao Santuário uma nova Rosa de Ouro, até Francisco, que também esteve em Aparecida durante a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro em 2013;...
desde os primeiros santinhos e impressos dedicados a divulgar o nome da Senhora Aparecida, passando pela sexagenária Rádio Aparecida, pelo nonagenário Almanaque “Ecos Marianos”, pelos centenários Jornal Santuário de Aparecida e Editora Santuário, até a Revista de Aparecida, a TV Aparecida, o Portal A12 e outras mídias;...
desde as primeiras hospedarias da Vila de Aparecida, passando pela emancipação do Município em 1928, até sua atual e ampla rede hoteleira, comercial e turística; desde a visita dos primeiros devotos ilustres, passando pela Família Real brasileira, o presidente Juscelino Kubistchek, que doou a estrutura da Torre Brasília do novo Santuário, até outros afamados políticos, artistas de TV, teatro, música e rádio, esportistas, profissionais de diversas áreas e religiosos, como o Servo de Deus Padre Donizetti Tavares de Lima, de Tambaú, que visitaram Aparecida ou declararam-se publicamente devotos da Padroeira, dando mais projeção ao culto de Nossa Senhora Aparecida;...
desde as primeiras novenas, procissões e comemorações em honra de Nossa Senhora Aparecida realizadas pela vizinhança do Itaguaçu, passando pelas Festas da Padroeira realizadas em Aparecida nas mais diversas datas ao longo dos séculos, até as presentes e grandiosas Novenas e Festas promovidas pelo Santuário Nacional no mês de outubro, particularmente no dia 12, decretado feriado nacional desde 1980; desde os primeiros eventos importantes relacionados a Aparecida, como a celebração do primeiro e do segundo centenários, o Congresso Mariano, a peregrinação da imagem à capital nacional, Rio de Janeiro, em 1931, e por todo o território do país, de 1965 a 1968, o Congresso Eucarístico Nacional de 1985, a V Conferência do CELAM em 2007 até outras grandes promoções sediadas pelo Santuário Nacional; desde o Brasil colonial e escravocrata do século XVIII, sob domínio da Coroa Portuguesa, passando pela Monarquia e a República, até o Governo atual; desde a cristalização da iconografia de Aparecida como uma imagem de negra cor coroada e com manto de tecido azul com forma triangular até a sua concepção como um símbolo de identidade nacional firmada na fé cristã...

A grande conclusão a que chegamos é a de que o encontro é sempre transformador. A grande conclusão a que chegamos é a de que o encontro é sempre transformador. Ele gera conversão e vida nova, traz alegria e esperança, renova e santifica, recria e inspira! Nada e ninguém permanecem iguais após um encontro verdadeiro com o Senhor do Céu e da terra e com sua e nossa Santa Mãe. Sejam esses encontros tricentenários com a Mãe Aparecida inspiradores para a promoção da “cultura do encontro” em meio ao caos da corrupção, das políticas injustas, das doenças, da guerra, dos desastres naturais, da perseguição, do indiferentismo, do preconceito disfarçado de falsa moralidade, do egoísmo, da alienação, dos vícios, do descaso com os biomas e o meio ambiente, do desemprego, da violência, da fome, da falta de educação, moradia, terra e saúde, da preferência pela comunicação virtual a pessoal... Um encontro com os mais pobres e sofredores, cujo clamor é sufocado pelos desencontros deste mundo. Um encontro da justiça, da honestidade e da paz com a sociedade brasileira e com a política nacional. Por estes 300 anos memoráveis do encontro da imagem e, a partir dele, de encontro com Maria, bendizemos o nome da Senhora da Conceição Aparecida, a quem pertence e sob cujo amparo estão nossa gente e nossa sempre Terra de Santa Cruz, que A escolheu por Mãe, Rainha e Padroeira. A fim de que a tão sonhada “cultura do encontro” não seja simplesmente utópica, mas concreta em nossa sociedade atual, fazemos de nossa Casa – o Brasil – um grande “santuário”, prolongamento e extensão do Santuário Nacional onde se encontra a veneranda e original imagem da Virgem Aparecida. Tornamos nossa Casa-Brasil, assim, a Casa de Maria, posto que, discípulos de Jesus e fiéis à sua vontade, sentimos ecoar e ressoar em nós aquela Palavra bonita e consoladora: “E dessa hora em diante, o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19,17). Sede sempre bem-vinda, querida Mãezinha Aparecida, e “dai-nos a bênção”!


Leonardo C. de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida

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