Por Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 19 SET 2018 - 10H14

Memória de Nossa Senhora do Rosário

Todo ano, no dia 7 de outubro, os cristãos celebram a memória de Nossa Senhora do Rosário. Já faz parte do calendário litúrgico da Igreja. A memória de Nossa Senhora do Rosário deriva da festa de Santa Maria da Vitória, instituída por São Pio V, depois da vitória dos cristãos em Lepanto.




Lepanto era uma cidade da Grécia, com importante porto, junto ao Golfo de Corinto. Nela se travou a famosa batalha naval, em que a esquadra cristã, comandada por João da Áustria, derrotou os turcos muçulmanos. A vitória foi obtida em 7 de outubro de 1571, impedindo assim a grande expansão do império turco.

O Papa Pio V convocou toda a Igreja para que recitasse o Rosário pela vitória dos cristãos. Para comemorar tal vitória, o Pontífice instituiu a festa inicialmente chamada de Santa Maria da Vitória.

Em 1573, o Papa Gregório XIII tornou a festa mariana obrigatória para a diocese de Roma e para as Confrarias do Santo Rosário, sob o título de Santíssimo Rosário da Bem-aventurada Virgem Maria.

Em 1716, o Papa Clemente XI inscreveu a festa no calendário romano, estendendo-se para toda a Igreja. A celebração ocorria em datas diferentes, conforme os costumes locais.

O Papa Leão XIII inscreveu a invocação “Rainha do Sacratíssimo Rosário” na Ladainha Lauretana em 10 de dezembro de 1883.

Em 1913, o Papa Pio X fixou a data da celebração da festa em 7 de outubro.

REPRESENTAÇÃO MARIANA 


Nossa Senhora do Rosário - Escola de Cuzco


Em sua representação iconográfica, Nossa Senhora do Rosário retrata a Virgem Maria geralmente sentada, com o menino Jesus sobre o seu joelho esquerdo e segurando com a mão direita um rosário.

Já algumas imagens representam a Mãe de Jesus dando o rosário a São Domingos.

Outras imagens ainda apresentam Maria entregando o rosário a São Domingos e Santa Catarina recebendo outro rosário do menino Jesus. Às vezes, as figuras dos santos podem também aparecer invertidas, ou seja, mudando de lado.

UM TÍTULO ORACIONAL

Com piedade, os cristãos festejam e cultuam Nossa Senhora do Rosário. Esse título refere-se a uma das orações mais caras do cristianismo: o Rosário.

Meditando o significado do título mariano na Ladainha, Ives Gandra da Silva Martins, jurista brasileiro, dá um belo testemunho espiritual, dirigindo assim à Mãe de Jesus: “Mestra do Santo Rosário / Todo o dia eu Te ofereço / Este augusto relicário, / Que no mundo não tem preço”.

O Rosário tem origem antiga. É uma palavra proveniente do latim “rosariu”, que significa “coroa de rosas”.

Na Idade Média, os vassalos tinham o costume de oferecer a seus soberanos coroas de flores, em sinal de submissão e de respeito. Os cristãos adotaram este uso em honra da Mãe de Jesus, oferecendo-lhe, com o Rosário, sua homenagem e respeito.

A história do Rosário remonta à piedade mariana medieval, que consagra uma longa evolução da devoção para com a Mãe de Jesus. Nos inícios do século XII propagou-se a prática da recitação da Ave-Maria no nosso Ocidente.

A saudação angélica, que constitui a primeira parte da oração da Ave-Maria, era conhecida pelos cristãos já antes do século XII, pois se encontra no texto da Bíblia (Lc 1,28.42). Até o século VII era antífona ofertorial do quarto domingo do tempo do advento, marcado por especial acento mariano.

 

O costume de rezar cento e cinquenta Ave-Marias iniciou nos mosteiros da Europa, onde os religiosos reuniam-se várias vezes por dia para recitar os salmos da Bíblia.  Havia monges analfabetos ou de pouco estudo. Por isso, em vez de pronunciar os salmos, eles rezavam as cento e cinquenta Ave-Marias, divididas em três grupos de cinquenta.

No século XV, são introduzidos na oração da Ave-Maria o nome de Jesus e o Amém final. Em 1483 difundiu-se a segunda parte da Ave-Maria, agregada à primeira parte desta prece mariana.

Já no século XIV, o monge cartuxo Henrique de Kalkar dividiu as cento e cinquenta Ave-Marias em quinze dezenas. Em cada dezena inseriu a oração do Pai-Nosso




Lucas Valdés (1661-1725), A Virgem do Rosário, São Domingos e Santa Catarina de Sena, Museu de Sevilha.


São Domingos (1170-1221) e seus frades pregadores difundiram bastante a devoção mariana. As confrarias marianas, fundadas por São Pero de Verona, grande seguidor de São Domingos, contribuíram muito para a propagação da piedade para com a Virgem Maria.

A partir do século XV, os cristãos começaram a meditar em cada dezena do Rosário algum episódio da vida de Jesus Cristo. Entre os anos 1410 e 1439, Domingos da Prússia, monge cartuxo de Colônia, propunha a cada Ave-Maria um texto bíblico referente ao acontecimento salvífico, sob a forma de refrão.

Continuando a obra de Domingos da Prússia, o frade dominicano Alano de La Roche colocou, em 1470, as meditações no Rosário, que eram feitas junto às Ave-Marias, mas, com o tempo, foram reduzidas para cada dezena.

Em 1521, o também frade dominicano Alberto Castelo simplificou a estrutura do Rosário, estabelecendo apenas quinze mistérios para a oração e meditação dos devotos de Nossa Senhora. As confrarias marianas, que estavam espelhadas pela Europa toda, encarregaram-se em rezar e difundir tal devoção mariana.

Mesmo com o clima anti-religioso e anti-mariano, que se experimentou com o surgimento de movimentos humanistas e modernos, o Rosário foi se afirmando na piedade popular e eclesial, de tal modo que diversos escritores, dos mais diferentes matizes, passaram a considerar e aprofundar tal forma de espiritualidade mariana.

Tivemos vários documentos pontifícios que abordaram o Rosário e seu valor espiritual e teológico. A bula de Pio V, Consueverunt romani Pontifices, de 1569, foi um ponto de referência, definindo oficialmente e consagrando a forma desta devoção que temos hoje.

ORAÇÃO DA IGREJA

Paulatinamente, o Rosário tornou-se uma oração de toda a Igreja. Desde as pequenas paróquias até as grandes catedrais, tal devoção atingiu as diversas esferas e regiões do povo cristão. Passou a ser rezado por pessoas simples e cultas, ricos e pobres, gente da roça e da cidade, de todas as categorias, idades, profissões e condições culturais.

Desde sua origem até nossos dias, o Rosário vem sendo rezado pelos cristãos, que, através desta devoção, manifestam seu desvelo pela Virgem Maria. Tal oração tem fortalecido e garantido a fé dos cristãos nas mais diferentes épocas e culturas. Já dizia Leão XIII que “o cristão acha no Rosário meios abundantes para alimentá-lo e fortalecê-lo”.

O Rosário ajuda os cristãos a aprofundarem sua fé dentro dos parâmetros bíblicos. Constitui uma belíssima síntese do Evangelho. Isso porque rezar o Rosário “é ‘passear pelo Evangelho’ em união com Maria Santíssima. É contemplar os mistérios fundamentais da história da salvação com seu olhar” (Dom Murilo S. R. Krieger, bispo e escritor).         


Escrito por
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R. (Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.)
Pe. Eugênio Bisinoto, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, formado em filosofia e teologia. Atuou como formador, trabalhou no Santuário Nacional, onde foi diretor da Academia Marial.

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