Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H19

Nossa Senhora das Dores: rogai por nós!

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Nossa Senhora das Dores! Título ou invocação muito antiga e comum da devoção mariana no mundo inteiro. Com diferentes variações: Nossa Senhora da Piedade; da Soledade; do Calvário entre outras. É a padroeira de numerosos municípios brasileiros em vários estados de norte a sul. Em Minas Gerais é a padroeira do estado invocada como Nossa Senhora da Piedade.

Esta forma de devoção centralizada nos sofrimentos de Maria encontra-se no mundo cristão por meio de paróquias, matrizes, capelas, logradouros e estátuas públicas. E pelos séculos afora tem motivado obras de arte em pinturas, painéis, literatura etc. É expressiva na história e no culto dos povos latino americanos. Talvez porque neles a maioria sofrida do povo se sente mais identificada com a Mãe dolorosa, transpassada de dores. A Semana Santa realça essa identidade no sofrer… Na verdade, a história da América Latina está marcada desde a colonização por muitas feridas: a invasão, a ocupação a ferro e fogo, os saques, a ambição pelo ouro, prata etc. Tudo isso deu ares de legalidade à escravatura dos negros e dos índios. Um rápido olhar histórico posterior constata que ao longo dos séculos a política social vem sendo uma das mais injustas do mundo na distribuição dos bens comuns, serviços de saúde, salários, direitos de cidadania. No máximo as situações civis de pobreza recebem algum alívio estatal, nunca sem fins eleitoreiros! O Brasil, mesmo supostamente indicado como a 6ª economia do mundo, é o 4º país mais pobre da América Latina. Sangram as veias da vida! Ferida, mutilada, negada, desrespeitada de mil formas por interesses materiais. Principalmente a do nascituro no seio materno e a dos idosos.

Portanto, contemplar Maria com a espada de dor transpassando seu coração (Lucas, 2,35); ou de pé no Calvário junto à cruz do Filho (João, 19,25) produz um grande conforto espiritual. Reaviva a solidariedade tão desprezada pela sociedade de consumo e prazer imediatistas. Mas, invocar Nossa Senhora das Dores não expressa apenas os sentimentos da compaixão humana com o sofrimento alheio. A fé em Cristo nos leva a descobrir no histórico-bíblico das “Sete dores de Maria” a sua ‘com-paixão’ com o Salvador. As dores de Nossa Senhora têm caráter cristológico e teológico-salvífico. No momento supremo da cruz e do abandono, a Mãe das dores foi inseparável do Filho torturado, crucificado e agonizante. Estava lá de pé! Em meio a tudo o que acontecia Maria era a fortaleza viva do discipulado. Ela participou na paixão do Filho conforme a radicalidade do amor: “tendo amado mais que todos, sofreu também com ele mais que todos”. Entregou-se com o máximo amor ao querer de Deus e disse-lhe o “sim final”, o mais doloroso. Jesus, que entregava tudo ao Pai, entregou sua mãe aos discípulos (à Igreja) e vice-versa: Mulher, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe!

Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR.  

Diretor da Academia Marial de Aparecida 

 

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